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Programa do governo do Estado amplia autonomia de crianças com deformidades congênitas

Parceria entre o CIIR e o Hospital Abelardo Santos já realizou mais de 580 cirurgias ortopédicas infantis no primeiro semestre de 2026

Por Governo do Pará (SECOM)
15/07/2026 15h06
O HRAS é referência em cirurgias ortopédicas infantis no Pará

Unir cirurgias especializadas e reabilitação física para devolver a autonomia e garantir a inclusão de crianças paraenses. Esse é o objetivo do Programa Doenças Ortopédicas da Infância, uma iniciativa do governo do Pará, coordenada pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). O trabalho funciona por meio de parceria entre o Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR) e o Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci, distrito de Belém.

O atendimento corrige malformações e rigidezes musculares causadas por condições como a paralisia cerebral, distúrbio neurológico que afeta o tônus muscular, comprometendo a flexibilidade e o controle dos movimentos. Todo o tratamento é regulado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), beneficiando famílias de todas as regiões do Estado.

As deformidades congênitas nas mãos e membros inferiores e superiores, que ocorrem devido a alterações na formação dos ossos e articulações ainda no útero, exigem acompanhamento especializado contínuo. Criado em 2020, o programa foca na reabilitação funcional para que os pacientes realizem atividades cotidianas, como segurar um lápis, usar talheres ou gesticular. Ao restabelecer esses movimentos, a iniciativa ajuda a combater o isolamento social e facilita o convívio no ambiente escolar.

Cuidado integral - A linha de cuidado envolve uma equipe multiprofissional com ortopedistas especialistas em mãos e membros, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e enfermeiros. O Pará é um dos poucos estados do país a manter um programa com esse perfil inteiramente gratuito pelo SUS. Para ter acesso, a família deve iniciar o atendimento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). Após a avaliação médica, a criança é encaminhada via Sistema Estadual de Regulação (SER).

O percurso do paciente começa no CIIR, em Belém, onde são feitos os exames e a triagem multiprofissional. Confirmada a necessidade de cirurgia, o paciente é direcionado ao HRAS para o procedimento e o acompanhamento pós-operatório imediato. Em 2025, o Abelardo Santos realizou 1.104 cirurgias ortopédicas pediátricas. No primeiro semestre de 2026, a unidade já contabilizou 585 procedimentos.

Ensino e prática em saúde - Além do papel assistencial na recuperação de pacientes, o HRAS atua ativamente na formação profissional da área médica no Estado. A instituição serve como campo de prática para estudantes do curso de medicina da Universidade do Estado do Pará (Uepa) e para médicos em especialização por meio dos programas de Residência Médica em Ortopedia e em Cirurgia da Mão, integrando o atendimento especializado ao desenvolvimento de novos profissionais.

Alta complexidade e acompanhamento - Por lidar com casos ortopédicos e neuromusculares complexos, o programa frequentemente acompanha os pacientes em diferentes etapas de crescimento, o que pode exigir mais de uma intervenção cirúrgica ao longo dos anos. Esse é o caminho percorrido pela pequena Clara Isabella da Silva, de seis anos. Moradora de Castanhal, ela faz acompanhamento no CIIR e foi encaminhada para realizar o procedimento cirúrgico no HRAS.

Clara nasceu com artrose congênita da tíbia, uma má-formação rara no osso da canela que dificulta o caminhar, associada à neurofibromatose, que é uma condição genética que afeta o crescimento dos tecidos e pode fragilizar os ossos. Pela complexidade do diagnóstico, a menina precisa de procedimentos cirúrgicos programados ao longo do seu desenvolvimento.

Para a mãe, Leiciane Lima, a expectativa para o pós-operatório traduz o sentimento de tantas outras famílias que aguardam pela evolução dos filhos. "Eu espero que a minha filha fique bem, que ela ande. Tanto por ela como por nós, que vemos que ela deseja as coisas, quer andar igual às outras crianças. Penso muito na autoestima dela", relata Leiciane.

Tratamento no HRAS foca em proporcionar autonomia e o caminhar para Clara

Tratamento individualizado - O planejamento das técnicas cirúrgicas reconstrutivas é individualizado e adaptado a cada paciente. Segundo o médico cirurgião do HRAS, Rui Barros, o sucesso do tratamento depende diretamente da reabilitação pós-cirúrgica para o ganho de força e sensibilidade. "O tratamento das deformidades congênitas e neuromusculares é planejado considerando o diagnóstico, a idade e as necessidades funcionais de cada paciente. A cirurgia corrige as alterações anatômicas, enquanto a reabilitação, feita por uma equipe multiprofissional, é responsável por recuperar os movimentos, da força e da independência no dia a dia", explica o médico.

Para tornar o processo mais leve para as crianças, o HRAS adota protocolos de acolhimento humanizado, utilizando atividades lúdicas para reduzir a ansiedade antes de entrar no centro cirúrgico. Após a operação, os pacientes passam pelo período de observação no hospital e, em seguida, retornam ao CIIR para dar continuidade às sessões de terapia ocupacional e fisioterapia.

O governo do Pará mantém um cronograma de expansão do programa, realizando forças-tarefas sazonais para absorver a demanda de alta complexidade e descentralizar o atendimento especializado para o interior do estado.

Referência em saúde pública - O HRAS é a maior unidade pública do governo do Pará. Referência no atendimento à mulher, à criança e à população indígena, promoveu mais de um milhão de atendimentos em 2025.

A estrutura conta com pronto-socorro pediátrico, ginecológico e obstétrico 24 horas, 360 leitos distribuídos entre emergência, cirurgia, internação clínica, Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Unidades de Cuidados Intermediários (UCIn), além de ser uma das principais maternidades do Estado, realizando mais de 5 mil partos anuais, e contar com um centro de terapia renal.

Texto: Ascom/HRAS