Parque de Ciência e Tecnologia Guamá fortalece pesquisa e impulsiona soluções inovadoras para a Amazônia
No Dia Nacional da Ciência e do Pesquisador Científico, ecossistema consolidado há 15 anos reúne mais de 400 pesquisadores, conecta universidades, empresas e governo para transformar conhecimento em inovação voltada ao desenvolvimento sustentável da região
O Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá, em Belém, tornou-se um dos principais motores da ciência, da tecnologia e da inovação da Amazônia. Há 15 anos, o primeiro parque tecnológico da região conecta universidades, centros de pesquisa, empresas, startups e instituições públicas para transformar o conhecimento produzido na região em soluções capazes de gerar desenvolvimento econômico, fortalecer a bioeconomia e agregar valor aos recursos da floresta.
Em uma área de proteção ambiental, o PCT Guamá abriga mais de 400 pesquisadores e um ecossistema formado por mais de 100 iniciativas voltadas à pesquisa, desenvolvimento e inovação. Apenas nos últimos cinco anos, o Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), investiu mais de R$ 40 milhões na estrutura e nas atividades do Parque, contribuindo para consolidar o Estado como referência em ciência e tecnologia na Amazônia.
Entre os laboratórios instalados está o Laboratório de Tecnologia Supercrítica (Labtecs), que desenvolve pesquisas para transformar matérias-primas amazônicas em ingredientes de alto valor agregado para as indústrias de alimentos, cosméticos e farmacêutica. Utilizando uma tecnologia sustentável, baseada na pressurização em substituição aos solventes químicos, o laboratório amplia as possibilidades de aproveitamento de frutos e plantas medicinais da região.
Segundo o coordenador do Labtecs, professor Raul Nunes de Carvalho Júnior, a biodiversidade amazônica oferece um potencial praticamente inesgotável para a produção científica. "Temos tanta riqueza que poderíamos passar 100 anos pesquisando e desenvolvendo soluções e ainda continuaríamos descobrindo novos fármacos, bioativos e produtos aplicáveis ao mercado industrial", destaca o pesquisador.
Além da produção científica, o laboratório também desenvolve tecnologias adaptadas às características da Amazônia. Diante da ausência de equipamentos compatíveis com as condições climáticas da região, a própria equipe criou um sistema nacional para atender às demandas das pesquisas desenvolvidas no Parque. "Nosso objetivo é transformar a biodiversidade em produtos de alto valor agregado e estimular o desenvolvimento de indústrias na própria Amazônia, para que a região deixe de ser apenas fornecedora de commodities e passe a protagonizar o desenvolvimento tecnológico", ressalta Raul.
Os estudos realizados no Parque já possibilitaram o desenvolvimento de produtos derivados do açaí, como azeite rico em vitaminas, antocianina — composto de alto valor comercial utilizado pelas indústrias farmacêutica e alimentícia —, manose, empregada no tratamento de inflamações, além de biocarvão e ecopapéis produzidos a partir do caroço do fruto.
Ciência que transforma vidas
O ambiente de inovação também representa oportunidade para jovens pesquisadores da Amazônia. Natural de Ponta de Pedras, no Marajó, a estudante Josilaine Tavares Noronha, graduanda em Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), realiza estágio no Labtecs e vê na pesquisa um caminho para transformar a realidade da própria região. "Vir do Marajó me motiva ainda mais a buscar conhecimento. Para quem vem do interior e de comunidades ribeirinhas, oportunidades como essa fazem toda a diferença. Meu objetivo é levar esse conhecimento para minha cidade e contribuir com o desenvolvimento da região", afirma.
Para ela, atuar em um ambiente voltado à inovação amplia horizontes e demonstra que a ciência produzida na Amazônia pode gerar impactos econômicos, sociais e ambientais para todo o país.
Ecossistema estratégico para o desenvolvimento da Amazônia
Parque tecnológico paraense consolidou um modelo de inovação baseado nas potencialidades amazônicas. Hoje, o ecossistema reúne mais de 100 ativos de propriedade intelectual, desenvolve cerca de 130 projetos de pesquisa e desenvolvimento e presta aproximadamente 240 serviços especializados, movimentando, em média, R$ 550 milhões por ano.
Para o pesquisador do ecossistema e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Renato Francês, o diferencial do PCT Guamá está justamente em desenvolver soluções científicas a partir dos desafios e das características da própria Amazônia. "O Parque não é apenas um parque tecnológico convencional. Ele reúne conhecimentos tradicionais, ciência e inovação para resolver problemas da região. A Amazônia passou a ocupar um papel estratégico nas discussões globais, e o conhecimento produzido aqui tornou o Parque um vetor regional, nacional e internacional de desenvolvimento científico", explica.
Segundo ele, pesquisas desenvolvidas no Parque envolvem desde bioativos da floresta até inteligência artificial, telecomunicações, eficiência energética e tecnologias voltadas às condições ambientais amazônicas. "O conhecimento construído aqui é resultado da união entre universidades, pesquisadores, comunidades tradicionais e empresas. É um modelo praticamente impossível de ser reproduzido em outro lugar do mundo", enfatiza.
Além da produção científica, o PCT Guamá também fomenta novos empreendimentos de base tecnológica. Somente em 2025, seis novas spin-offs surgiram no Parque, reforçando o ambiente de inovação que transforma pesquisas em negócios de impacto econômico, social e ambiental e amplia o protagonismo do Pará no cenário nacional da ciência e da bioeconomia.
Texto: Governo do Pará

