Arraial de Todos os Santos impulsiona economia criativa e valoriza o artesanato paraense
Espaço promovido pela Fundação Cultural do Pará serve de vitrine para saberes tradicionais e gera oportunidades de renda para empreendedores locais
O fomento à cultura local ganha cada vez mais destaque nos dias atuais. Comerciantes com as mais variadas expressões da arte paraense, como grafismos, banhos de cheiro, colares, pinturas e outros produtos artesanais, encontram espaços dedicados para expor e comercializar suas produções. Em uma das maiores festividades juninas da Amazônia, o Arraial de Todos os Santos, realizado pela Fundação Cultural do Pará (FCP), não poderia ser diferente.
Realizado tradicionalmente todos os anos, o evento se preocupa em disponibilizar espaços para que os artesãos e comerciantes possam apresentar seus trabalhos ao público. Além dos folguedos e das quadrilhas juninas, os comerciantes desempenham papel fundamental na experiência de quem visita o arraial, movimentando a economia local e fortalecendo a cultura paraense por meio de peças que carregam histórias, memórias e identidades.
Entre os corredores que ligam as praças do evento, o artesanato não apenas colore o caminho dos visitantes, mas também revela trajetórias familiares construídas ao longo de gerações.
É o caso de João Queiroz, artesão há mais de uma década e “cria” da Fundação Cultural do Pará. Presente há mais de cinco anos nas feiras de artesanato do Arraial de Todos os Santos, sua relação com a marcenaria começou ainda pequeno, onde iniciou aprendendo os talentos vindos de seu pai.
O conhecimento que hoje sustenta seu trabalho foi herdado dentro de casa, resultado de um saber transmitido entre gerações e preservado há mais de quatro décadas, conhecimento passado de pai para filho. A atividade artesanal tornou-se uma forma de manter viva a memória familiar e, ao mesmo tempo, valorizar a cultura paraense.
“Olha, principalmente o nosso trabalho é voltado para o resíduo florestal. Ele começou assim: meu pai, que já trabalhava com madeiras um pouco maiores, fazia o reaproveitamento de pequenos restos de madeira. Foi aí que a gente pensou: por que não tentar aproveitar também esse resto? Foi o começo do nosso trabalho”, conta o artesão sobre a origem da produção.
O que começou com o olhar atento para o reaproveitamento da madeira a qual seu pai trabalhava transformou-se em um legado que permanece vivo por meio das mãos de João. O talento herdado e aperfeiçoado ao longo dos anos se materializa em colares, pulseiras e outros acessórios comercializados no arraial. Mais do que uma fonte de renda, cada peça representa a continuidade de uma história familiar construída a partir do trabalho, da criatividade e da valorização dos recursos da floresta.
Ao reunir artesãos de diferentes trajetórias, o Arraial de Todos os Santos também se consolida como um espaço de preservação de saberes tradicionais, permitindo que conhecimentos passados de geração em geração encontrem novos públicos e permaneçam vivos no presente.
A organização do evento idealiza este espaço para movimentar a economia local e para que o público desfrute do evento com maior conforto, impulsionando a economia criativa, criando impacto direto nas oportunidades para artesãos e pequenos empreendedores que encontram no evento uma vitrine para seus produtos.
Ana Moura, agente administrativa responsável pela feira de artesanato, destaca o impacto desse trabalho na valorização dos artistas locais. “Eu acredito que é nesse sentido que a feira atua. É muito gratificante ter os comerciantes, ou melhor, artistas, sentindo o prazer de suas obras estarem sendo divulgadas em prol da valorização de cada um deles e de suas artes”, afirma.
Esses espaços de fomento ao artesanato e produção paraense é uma oportunidade de expor os trabalhos dos artesãos e criar laços com outros comerciantes e com o público em geral. “A parte daí a gente tá aprendendo nosso trabalho. A gente faz muitos clientes novos, fazemos amizade novas e a gente aprende um pouquinho com cada um que vem aqui.Nos programamos um ano todo para participar”, afirma João Queiroz.
O incentivo à participação de artesãos no Arraial de Todos os Santos reforça o compromisso da Fundação Cultural do Pará com a valorização da economia criativa e das manifestações culturais que contribuem para a geração de trabalho e renda no Estado.
Texto: Mark Maia – Ascom/FCP

