Pará fortalece relações bilaterais com instalação da Associação de Promoção Comercial e Cultural Chinesa no Brasil
Criação oficial do escritório da entidade no Pará, vinculada ao Governo de Macau, passa a funcionar oficialmente em Belém
O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Mauro Bastos, participou na quarta-feira, 3 de junho, da cerimônia de instalação do escritório da Associação de Promoção Comercial e Cultural Chinesa no Brasil (CCIPA), entidade vinculada ao Governo de Macau, que passa a funcionar oficialmente em Belém.
O evento contou com a presença da diretora executiva da entidade, Mia Lee. Ela destacou a relevância da cooperação bilateral para o fortalecimento dos laços comerciais e culturais entre Brasil e China. Na ocasião, foi empossado o empresário e advogado, Daniel Cruz, como diretor da representação no Brasil.
Além da posse e da instalação oficial da representação, o evento também marcou o lançamento da Feira Brasil-China, iniciativa que busca ampliar oportunidades de negócios, investimentos, intercâmbio cultural e parcerias estratégicas entre empresas brasileiras e chinesas. A feira está programada para 2027, reforçando o compromisso de longo prazo com o fortalecimento dos laços bilaterais.
Nesta quarta-feira, em Belém, participaram da cerimônia os deputados estaduais Iran Lima (MDB) e Fábio Freitas (União Brasil); o diretor da Agência Nacional de Mineração (ANM), Fernando de Mendonça Gomes Júnior; a diretora-presidente da Companhia de Desenvolvimento e Administração da Área Metropolitana de Belém (Codem), Mariel Mello; o presidente da Associação Comercial do Pará, Izan Anijar; o presidente do Sistema OCB-PA, Ernandes Raio; além de empresários e representantes de entidades locais.
O secretário Mauro Bastos destacou a relevância da instalação do escritório da CCIPA. Ele ressaltou que a iniciativa marca um divisor de águas para o Pará e para o Brasil, abrindo espaço para negócios, investimentos e parcerias estratégicas capazes de impulsionar o desenvolvimento econômico e cultural da região.
Bastos lembrou que a China é hoje o principal parceiro comercial do Pará e o maior destino das exportações, lideradas pelo minério de ferro. Ele defendeu a ampliação desse fluxo, com a exportação de produtos e, ao mesmo tempo, a incorporação de tecnologias que fortaleçam a indústria local e modernizem a economia.
Segundo o secretário da Sedeme, o escritório funcionará como elo permanente na relação entre Pará e China, garantindo que o crescimento seja sólido e sustentável. “É uma iniciativa que reforça o papel estratégico do Pará no cenário internacional”, concluiu.
O deputado Iran Lima (MDB-PA) destacou a importância da instalação oficial do Escritório de Representação da Agência de Promoção de Investimentos da China (CCIPA): “O Pará é um estado rico. Exportaremos não apenas matéria-prima, mas também produtos elaborados no próprio estado, o que vai gerar mais empregos e melhor renda para a população paraense. Estamos aqui para apoiar essas estratégias, que são fundamentais para o nosso desenvolvimento.”
A diretora Mia Lee, representante do Governo de Macau e da Associação para a Promoção das Indústrias Culturais Chinesas (CCIPA), declarou: “A escolha do estado do Pará é estratégica, em virtude de suas riquezas naturais e do potencial da bioeconomia voltada para a sustentabilidade".
Ela acrescentou: "Nosso objetivo é estabelecer uma parceria sólida e duradoura, abrangendo o intercâmbio empresarial, institucional e cultural, de modo a fortalecer os laços entre Brasil e China. Queremos promover novos investimentos, consolidar o desenvolvimento mútuo e abrir caminho para parcerias que tragam benefícios concretos para ambas as nações.”
Na capital paraense, Mia Lee conheceu aspectos da cultura e gastronomia local e visitou o Hangar Centro de Convenções, escolhido para sediar a Feira Brasil-China.
O diretor empossado, Daniel Cruz, afirmou que a instituição já conta com mais de 180 mil empresas cadastradas. Durante o evento, ele apresentou o passo a passo de como funciona uma negociação segura com a China, destacando o suporte oferecido pela CCIPA.
Segundo Cruz, o escritório terá papel fundamental no fechamento de futuros negócios, oferecendo apoio em todas as etapas: desde a verificação e validação das empresas chinesas, definição do modelo de parceria, estruturação contratual internacional, proteção da marca e da propriedade intelectual, até o suporte no pós-compra.
Daniel reforçou que essas diretrizes são essenciais para garantir segurança jurídica e credibilidade nas relações comerciais entre o Pará e a China, ampliando as oportunidades de desenvolvimento econômico da região.
Dados
A China segue como principal destino dos produtos paraenses, absorvendo US$ 11 bilhões em exportações, o equivalente a 45,6% do total vendido pelo estado ao exterior. Em 2025, o Pará consolidou sua posição entre os principais exportadores do Brasil, registrando superávit comercial de US$ 21,5 bilhões e exportações de US$ 24,2 bilhões, crescimento de 5,4% em relação ao ano anterior, acima da média nacional.
O Pará responde por 7% das exportações brasileiras e ocupa a quinta posição no ranking nacional. A pauta exportadora foi liderada pelo minério de ferro (US$ 11,6 bilhões), seguido pelos minérios de cobre (US$ 3,6 bilhões) e pela alumina calcinada (US$ 1,9 bilhão). No agronegócio, destacaram-se a soja (US$ 1,6 bilhão) e a carne bovina desossada (US$ 1,2 bilhão), esta última com crescimento expressivo de 70,3%.

