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Transplante de Medula Óssea amplia chances de cura e fortalece oncologia no Ophir Loyola

Hospital mantém o único serviço de Transplante de Medula Óssea pelo SUS na Região Norte, um tratamento especializado com equipe multiprofissional no Pará

Por Brenna Godot (HOL)
27/05/2026 11h27
Em Belém, Denise Miranda no dia da alta hospitalar, há dois anos, após o Transplante de Medula Óssea feito no Ophir Loyola

Em Belém, o Transplante de Medula Óssea (TMO) tem se consolidado como uma estratégia fundamental no tratamento de diversos tipos de câncer e representa um importante avanço na assistência oncológica ofertada pelo Hospital Ophir Loyola (HOL), referência em alta complexidade no Pará. 

Segundo o coordenador do serviço de Transplante de Medula Óssea do HOL, doutor Thiago Xavier, o procedimento é indicado, principalmente, para pacientes com cânceres hematológicos, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo, além de alguns tumores sólidos específicos.

“O transplante é uma etapa essencial para aumentar as chances de cura ou potencializar os resultados do tratamento. Em determinados casos, quando o procedimento não é realizado, o risco de mortalidade pode ser significativamente maior”, explica o oncologista.

Atualmente, Denise Miranda: "Viver o pós é viver ainda com medo de uma recidiva, mas é maravilhoso. Eu estou viva”, enfatizou

Xavier destaca ainda que novas aplicações da terapia vêm sendo estudadas para outras condições clínicas, como doenças neurológicas e reumatológicas, ampliando as perspectivas futuras do tratamento.

Da indicação ao acompanhamento especializado

Conforme o doutor Thiago Xavier, o processo para realização do TMO inicia ainda durante o tratamento oncológico convencional. Pacientes em tratamento para leucemias, linfomas, mieloma múltiplo e outros tumores são avaliados por médicos oncologistas e hematologistas que identificam a necessidade do transplante e realizam o encaminhamento.

Thiago Xavier coordena o serviço de Transplante de Medula Óssea do Hospital Ophir Loyola em Belém, referência estadual

Atualmente, o Hospital Ophir Loyola é o único centro da Região Norte habilitado a realizar o Transplante de Medula Óssea pelo Sistema Único de Saúde (SUS), recebendo pacientes encaminhados de diferentes regiões do Pará.

Após o encaminhamento, o paciente passa por uma avaliação multiprofissional e por uma série de exames para verificar se reúne condições clínicas para realizar o procedimento com segurança.

A internação ocorre, em média, por cerca de 30 dias. Nesse período, são realizados os protocolos específicos do transplante, seja autólogo, quando a medula é do próprio paciente, ou alogênico, quando o material é proveniente de um doador, além do acompanhamento intensivo para controle de infecções e manejo dos efeitos do tratamento.

Após a alta hospitalar, inicia-se a fase de reabilitação. Em aproximadamente 90 dias, grande parte dos pacientes já apresenta recuperação completa do procedimento.

Denise Miranda durante a coleta da medula óssea no HOL, etapa realizada após quimioterapia para preparação do transplante.

Atendimento multiprofissional como diferencial

Devido à complexidade do TMO, o tratamento exige acompanhamento integrado de diferentes especialidades.

No HOL, o atendimento envolve equipe médica especializada em transplante, enfermagem com capacitação específica, além de suporte psicológico, odontológico e assistência social.

De acordo com o médico Thiago Xavier, esse acompanhamento é essencial para oferecer segurança e melhores condições durante todas as etapas do tratamento.

“A atuação conjunta das equipes permite olhar o paciente de forma integral, considerando tanto os aspectos clínicos quanto às necessidades emocionais e sociais”, destaca.

Uma nova chance de vida

A história da professora e nutricionista, Denise Miranda, de 29 anos, representa o impacto que o Transplante de Medula Óssea pode ter na vida dos pacientes. Ela recebeu o diagnóstico de Linfoma de Hodgkin Clássico após realizar uma biópsia em um pequeno caroço localizado no lado esquerdo do pescoço. Em seguida, passou a apresentar sintomas como febre, coceira na pele, falta de ar e dores nas costas.

Com indicação para o TMO, integrou os primeiros grupos atendidos pelo serviço no hospital. Segundo ela, o encaminhamento aconteceu rapidamente, porque ela atendia aos critérios necessários para realização do procedimento.

Em janeiro deste ano, completou dois anos desde o transplante realizado no HOL. “O transplante mudou minha vida, me deu saúde, acabou com o câncer”, disse a professora Denise.

Ela conta que o período após o procedimento também trouxe desafios emocionais, especialmente relacionados ao medo da recidiva, mas destaca a transformação que o tratamento proporcionou. “Viver o pós é viver ainda com medo de uma recidiva, mas é maravilhoso. Eu estou viva.”, enfatizou.

Hoje, recuperada, Denise retomou a rotina e celebra a possibilidade de viver com qualidade de vida. “Tenho uma vida normal agora. Era tudo que eu pedia para Deus e para o doutor Thiago: vida. Vida normal agora”, afirma.

Tratamento com perspectivas de expansão

A oferta do Transplante de Medula Óssea no Pará representa um avanço para o acesso à saúde especializada, reduzindo a necessidade de deslocamento para outros estados e permitindo que os pacientes permaneçam próximos da família durante o tratamento.

O doutor Thiago Xavier observa: “Ter esse serviço disponível dentro do Pará reduz custos, facilita o acesso e proporciona mais segurança ao paciente em um momento tão delicado”.

Entre os próximos desafios do serviço está a ampliação da capacidade de atendimento. O hospital estuda alternativas para aumentar o número de leitos e reduzir o tempo de espera dos pacientes.

Além da expansão estrutural, também estão previstas modalidades mais avançadas de transplante e novas terapias celulares, com foco no aumento das chances de cura e na ampliação do acesso ao tratamento especializado no estado.

Texto: Jeferson Höenisch - Ascom HOL