Adepará e instituições parceiras intensificam ações contra vassoura-de-bruxa da mandioca
Mobilização preventiva reuniu orientação para agricultores e o alerta sobre risco de contaminação, por causa do registro da doença no Amapá (AP)
A Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), em parceria com o Ministério Público do Pará (MPPA) e a Prefeitura de Portel, no Marajó, realizou uma série de ações educativas e preventivas de combate à vassoura-de-bruxa da mandioca no município.
A Adepará reforça que a participação da população é fundamental para evitar a entrada e a disseminação da praga no Pará. Isso porque o município vizinho do Amapá (AP) registrou a doença em 13 municípios do seu território. A Agência de Defesa destaca que produtores, comerciantes e transportadores devem ficar atentos às orientações oficiais e comunicar imediatamente qualquer suspeita da doença às unidades locais da Agência.
A vassoura-de-bruxa é uma doença que afeta o desenvolvimento de plantas. Ela é causada por diferentes espécies de fungos e recebeu esse nome popular porque os ramos e folhas afetados crescem de forma desordenada e seca, assumindo a aparência de uma vassoura velha.
A semana de atividades educativas da Adepará e instituições parceiras se voltou à defesa sanitária vegetal e aconteceu simultaneamente à realização do projeto Justiça Itinerante, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que levou serviços judiciais e de cidadania à população de Portel.
As ações ocorreram em escolas da rede pública do município e também em comunidades produtoras de farinha, principal atividade econômica da região. O objetivo foi orientar agricultores, comerciantes e transportadores sobre a doença.
Na comunidade São Benedito, no assentamento Acutipereira, a fiscal estadual agropecuária Marluce Bronze ministrou palestra para agricultores familiares. Ela explicou sobre como identificar os sintomas da praga e quais medidas devem ser adotadas para evitar sua disseminação.
Um dos participantes da atividade, o agricultor Pedro Corrêa da Silva, de 69 anos, destacou a importância das orientações recebidas.
“A gente trabalha por conta própria e muitas vezes não tem conhecimento. Isso é muito bom para a comunidade buscar socorro e fazer tudo o que for possível para ela não entrar nas nossas roças, porque senão piora cada vez mais a vida”, afirmou.
As equipes de educação sanitária também realizaram ações junto aos cooperados da CoopMarajó, durante encontro na casa de farinha da comunidade Manain, unidade certificada pela Agência de Defesa.
Além das atividades educativas nas comunidades, servidores da Adepará, do MPPA, do Sebrae e da Secretaria Municipal de Agricultura distribuíram panfletos informativos nos portos e na orla da cidade. A mobilização buscou sensibilizar feirantes, comerciantes e produtores sobre os impactos econômicos da doença na cadeia produtiva da mandioca.
O secretário municipal de Agricultura de Portel, Nilson Silva, ressaltou a necessidade de união entre os órgãos públicos para evitar a chegada da praga ao território paraense. Segundo ele, Portel é o maior produtor de farinha do Marajó e mantém ligação diária com o estado do Amapá, onde a doença já foi registrada e dizimou plantações.
“Portel é o maior produtor de farinha da região do Marajó. Hoje o Amapá já possui municípios contaminados e nós temos ligação diária por embarcações. Existe um grande risco de contaminação, por isso esse trabalho é tão importante para proteger a principal fonte de renda de muitas famílias”, destacou.
A parceria estratégica com o Núcleo de Questões Agrárias e Fundiárias (NAF), do Ministério Público do Estado do Pará, tem contribuído para o fortalecimento da articulação institucional. Durante a programação, a promotora de Justiça Ione Nakamura conduziu reunião com representantes de empresas de navegação que operam na rota entre Portel e o Amapá.
No encontro, foram discutidas medidas fitossanitárias e o cumprimento das portarias que restringem temporariamente o trânsito de vegetais vindos do estado vizinho, do Amapá, onde a vassoura-de-bruxa já se espalhou por 13 municípios.
“Estamos na iminência de uma crise fitossanitária. Tratamos das embarcações que transportam produtos vegetais, pessoas e cargas do Amapá para o Pará, porque alguns produtos estão temporariamente proibidos de circular como medida de segurança sanitária”, alertou a promotora.
Mobilização, orientação e conscientização
De acordo com a Adepará, o trabalho de orientação e conscientização terá continuidade nos municípios da região ocidental do Marajó, com foco na prevenção, na vigilância e na proteção da produção local de mandioca.
Entre os dias 22 e 27 de junho, a Adepará dará continuidade às ações educativas nos municípios de Bagre, Breves e Melgaço. “Nosso objetivo é levar informação qualificada aos produtores, fortalecer a vigilância local e evitar que a vassoura-de-bruxa da mandioca comprometa uma cadeia produtiva essencial para a segurança alimentar e a renda das famílias da região”, destacou o gerente de Educação Sanitária da Adepará, fiscal agropecuário Carlos Alexandre Mendes.

