Sespa amplia acesso à saúde reprodutiva com capacitação sobre implante subdérmico no Pará
A etapa prática envolveu mais de 40 enfermeiros em capacitação e 120 mulheres que aceitaram participar voluntariamente do procedimento supervisionado
A Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) reafirma o compromisso com a qualificação contínua da Rede de Atenção à Saúde ao promover, nesta sexta-feira (22), a Prática Supervisionada de Inserção do Implante Subdérmico de Etonogestrel, conhecido popularmente como Implanon. A iniciativa integra uma estratégia estadual voltada à inovação nos meios de cuidado, fortalecimento da atenção primária e ampliação do acesso das mulheres paraenses a métodos contraceptivos modernos e seguros.
A programação ocorreu em dois espaços distintos e reuniu enfermeiros indicados pelas Secretarias Municipais de Saúde de diferentes regiões do Pará. A ação faz parte de um processo de formação que começou nos dias 20 e 21 de maio, com etapas teóricas sobre saúde reprodutiva, planejamento familiar, manejo clínico e critérios técnicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde para a inserção do método contraceptivo.
A etapa prática foi realizada no Centro de Saúde Escola do Marco (CSEM), em Belém, envolvendo mais de 40 enfermeiros em capacitação e 120 mulheres que aceitaram participar voluntariamente do procedimento supervisionado. A expectativa da Sespa é fortalecer a autonomia dos municípios na oferta do método e garantir que profissionais capacitados possam replicar o conhecimento em suas regiões de atuação.
“Essa iniciativa representa um avanço importante para a saúde pública do Pará, especialmente no fortalecimento da saúde reprodutiva e do cuidado integral às mulheres. A Sespa vem trabalhando para ampliar o acesso a métodos contraceptivos seguros, eficazes e de longa duração dentro do SUS, mas entendemos que isso só é possível quando também investimos na qualificação dos profissionais da nossa rede", disse Ana Paula Reis, diretora do DPAIS da Sespa.
A vice-reitora da Universidade do Estado do Pará (Uepa), professora Ilma Pastana Ferreira, explicou que a universidade foi convidada pela Sespa para integrar a estratégia de formação desde o início da implantação do programa no Estado.
“Nós estamos aqui no Maternar, que é uma das estratégias do Complexo Centro Saúde Escola do Marco, integrando essa ação do implante subdérmico. Essa capacitação contempla municípios com menos de 50 mil habitantes e prepara profissionais para atuarem diretamente na ponta do sistema de saúde”, destacou.
Segundo a professora, o treinamento segue rigorosamente os critérios técnicos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, incluindo formação teórica, prática supervisionada e certificação dos profissionais.
O Implanon é um contraceptivo hormonal inserido sob a pele do braço da paciente, com eficácia prolongada de até três anos. O método é considerado um dos mais seguros no planejamento reprodutivo e representa um importante avanço para mulheres que buscam autonomia sobre o próprio corpo e mais liberdade no planejamento familiar.
O vice-diretor do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Uepa, Smayk Souza, ressaltou que a parceria entre Sespa e Universidade fortalece diretamente a saúde pública no Estado.
“A Universidade do Estado do Pará é a mais interiorizada do Estado e atua na vanguarda do ensino, pesquisa e extensão. Participar dessa capacitação significa contribuir diretamente com profissionais que estão na linha de frente da atenção básica nos municípios paraenses”, afirmou.
Ele destacou ainda que a ação também envolve residentes, graduandos e profissionais da área da saúde, promovendo integração entre ensino e serviço.
“Estamos formando profissionais preparados para atender mulheres em diferentes contextos sociais, especialmente em municípios do interior, áreas rurais e comunidades mais afastadas, onde muitas vezes o acesso à saúde reprodutiva ainda é limitado”, disse.
Além da técnica de inserção do implante, a capacitação também abordou acolhimento, escuta qualificada e orientação clínica às pacientes. O objetivo é garantir que o atendimento seja realizado de forma humanizada e respeitando as escolhas individuais de cada mulher.
A enfermeira Emily Goulart, do município de Maracanã, uma das participantes da formação, destacou que o treinamento representa uma oportunidade importante para ampliar o cuidado às mulheres no interior do Estado.
“Essa capacitação trouxe muito mais do que apenas a prática do Implanon. Aprendemos sobre consulta adequada, orientação correta e direito de escolha das mulheres. No meu município, que possui áreas rurais e ribeirinhas, muitas mulheres precisam desse cuidado mais próximo e desse acesso à informação”, explicou.
Ela também afirmou que pretende compartilhar o conhecimento adquirido com outras equipes de saúde em seu município. “Vamos organizar as equipes e multiplicar esse conhecimento não apenas entre enfermeiros, mas também junto aos agentes comunitários e à população”, completou.
Entre as mulheres que participaram da prática supervisionada estava a estudante Alice Cristine dos Santos, que decidiu aderir ao método após pesquisar sobre sua eficácia e praticidade. “Muitas pessoas não têm acesso a esse procedimento. Agora, com o SUS ofertando, outras mulheres também poderão escolher esse método e ter essa oportunidade”, relatou.
Ela contou ainda que recebeu todas as orientações necessárias antes do procedimento e que o processo foi tranquilo. A iniciativa faz parte das políticas públicas estaduais voltadas à promoção da saúde da mulher, prevenção da gravidez não planejada e fortalecimento da atenção primária. "Ao investir na formação dos profissionais e na ampliação do acesso a métodos contraceptivos modernos, a Sespa fortalece o cuidado integral e contribui para que mais mulheres tenham acesso à informação, acolhimento e autonomia sobre suas decisões reprodutivas", completou Ana Paula Reis.
A expectativa é que as novas equipes capacitadas ampliem a oferta do Implanon nos municípios paraenses, fortalecendo a rede pública de saúde e garantindo mais acesso, dignidade e cuidado às mulheres em todas as regiões do Estado.
Texto: Caroliny Pinho/ Ascom Sespa

