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Doenças autoimunes impactam articulações e exigem atenção ortopédica, alerta Hospital Galileu

No mês de conscientização sobre o lúpus, HPEG chama atenção para os efeitos das doenças autoimunes na mobilidade e na saúde articular dos pacientes

Por Ascom Sespa (SESPA)
22/05/2026 11h13

Dor persistente, inchaço nas articulações, rigidez e limitação de movimentos. Frequentemente silenciosas e de evolução gradual, as doenças autoimunes podem comprometer significativamente a saúde musculoesquelética e afetar diretamente a qualidade de vida dos pacientes.

Durante o mês de conscientização sobre o lúpus, celebrado em maio, o Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), referência em trauma ortopédico do Governo do Pará, na Grande Belém, reforça a importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento multiprofissional para reduzir danos articulares e prevenir limitações funcionais permanentes.

Entre as enfermidades que mais repercutem no sistema locomotor estão o lúpus eritematoso sistêmico, a artrite reumatoide, a espondilite anquilosante e a artrite psoriásica — patologias inflamatórias que podem atingir articulações, tendões e estruturas ósseas, comprometendo movimentos simples da rotina.

Segundo o médico ortopedista Marcus Preti, coordenador da Ortopedia do HPEG, uma parcela expressiva dos atendimentos ortopédicos crônicos realizados na unidade possui relação direta ou indireta com doenças autoimunes.

“No nosso serviço, uma parcela significativa dos atendimentos envolve pacientes com doenças autoimunes, principalmente aqueles que já apresentam algum comprometimento articular. Estimamos que cerca de 20% a 30% dos casos ortopédicos crônicos tenham relação direta ou indireta com essas condições”, explica.

As mãos, os punhos, joelhos e tornozelos figuram entre as articulações mais frequentemente afetadas. Em determinados casos, o comprometimento também alcança a coluna vertebral, sobretudo em quadros inflamatórios, como a espondilite anquilosante.

Sem acompanhamento adequado, alerta o especialista, o quadro clínico pode evoluir e provocar consequências importantes à mobilidade.

“As principais complicações incluem deformidades articulares, desgaste precoce das articulações, perda de mobilidade e dor crônica. Em casos mais avançados, pode haver destruição articular significativa”, destaca Marcus Preti.

O diagnóstico requer atuação integrada entre diferentes especialidades médicas e combinação de recursos clínicos e tecnológicos. Além da avaliação física, são utilizados exames laboratoriais para identificação de marcadores inflamatórios e autoanticorpos, somados a exames de imagem, como raio-X, ultrassonografia e ressonância magnética.

“O diagnóstico é multidisciplinar. Ele envolve avaliação clínica, exames laboratoriais e exames de imagem para identificar precocemente alterações articulares e definir o melhor tratamento para cada paciente”, explica o especialista.

Apesar da associação frequente entre essas enfermidades e procedimentos cirúrgicos, a maior parte dos casos pode ser conduzida de forma conservadora, com medicamentos, fisioterapia e monitoramento contínuo.

“Nem todos os pacientes precisam de cirurgia. A maioria é tratada de forma conservadora. No entanto, em casos mais avançados, pode ser necessário recorrer a procedimentos cirúrgicos, como correções de deformidades ou próteses articulares”, afirma.

Atuação integrada - No Hospital Galileu, o cuidado aos pacientes ocorre de forma articulada entre diferentes áreas assistenciais, reunindo profissionais com o objetivo de preservar funções motoras, reduzir sequelas e ampliar a qualidade de vida.

“O acompanhamento é contínuo e envolve ortopedistas, reumatologistas, fisioterapeutas e outros profissionais. O objetivo é controlar a doença, preservar a função das articulações e melhorar a qualidade de vida do paciente”, ressalta Preti.

Conscientização e prevenção - Nos últimos anos, a unidade tem registrado aumento na procura por atendimentos relacionados às doenças autoimunes. Para Marcus Preti, esse movimento está diretamente ligado ao avanço do diagnóstico precoce e à ampliação da conscientização da população sobre os sinais de alerta.

“Temos observado um aumento da demanda, tanto por maior conscientização quanto pelo diagnóstico mais precoce dessas doenças. Isso permite intervenções mais rápidas e melhores resultados para os pacientes”, completa o coordenador da ortopedia do HPEG.

A diretora executiva do Hospital Galileu, Paula Narjara, ressalta que, ainda que o tratamento do lúpus não integre o perfil assistencial da unidade, o hospital reconhece a importância de fortalecer campanhas de conscientização, especialmente diante dos impactos ortopédicos que essas enfermidades podem provocar.

“Como unidade do Governo do Estado do Pará, gerenciada pelo Instituto Social e Ambiental da Amazônia (ISSAA), entendemos que a promoção da saúde também passa pela conscientização da população. O Hospital Galileu não é referência para o tratamento do lúpus, mas acompanha as repercussões ortopédicas que essas doenças podem desencadear, sobretudo em pacientes com traumas ou comprometimentos articulares. Por isso, apoiamos iniciativas que ampliem o acesso à informação e reforcem a importância do cuidado precoce”, afirma.

A campanha do mês reforça que o reconhecimento dos sintomas e o início oportuno do tratamento são determinantes para reduzir complicações, preservar movimentos e garantir mais qualidade de vida aos pacientes.

Texto: Ascom/HPEG