Pará discute projeto de aproveitamento de macaúba na produção de combustível de aviação sustentável
Reunião conduzida pela Codec e Cazbar debateu estrutura institucional, processamento industrial e oportunidades ligadas à bioeconomia e transição energética
O Governo do Pará, por meio da Companhia de Desenvolvimento Econômico (Codec) e da Companhia Administradora da Zona de Processamento de Exportação de Barcarena (Cazbar), realizou nesta quinta-feira (14) reunião para tratar sobre a construção de um projeto ligado à macaúba, matéria-prima com potencial para produção de combustível sustentável de aviação (SAF), além de derivados industriais de alto valor agregado.
A agenda ocorreu no formato on-line, reunindo representantes da Codec, produtores rurais e integrantes da Track Gains, empresa de tecnologia voltada a investimentos sustentáveis e responsável pela interlocução técnica relacionada ao projeto.
Participaram o diretor de Estratégia e Relações Institucionais da Codec e representante da Cazbar, Pádua Rodrigues; o diretor de Atração de Investimentos e Negócios da Codec, Manoel Ibiapina; a gerente de Atendimento a Novos Negócios, Sabrina Sena; o gerente de Comércio Exterior da Codec, Eduardo Rodrigues, e o assessor da Companhia, Evandro Diniz, além de Tiago Almeida, diretor da Track Gains; Marcário Roberto e Carlos Telles, integrantes do grupo Track, e Julival David Ferreira, presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Moju.
As discussões avançaram sobre o interesse internacional em estruturar uma operação integrada envolvendo o cultivo de macaúba, processamento industrial e exportação a partir da Zona de Processamento de Exportação de Barcarena, ambiente voltado a atividades industriais ligadas ao mercado externo.
A pauta envolveu orientações técnicas sobre funcionamento da ZPE, exigências relacionadas à agregação de valor industrial e instrumentos institucionais necessários para instalar o empreendimento no Pará.
Redução de carbono - Palmeira nativa do Brasil, a macaúba (Acrocomia aculeata) vem sendo observada internacionalmente pelo potencial de utilização na produção de combustível sustentável de aviação, segmento ligado à transição energética e à redução de emissões de carbono no setor aéreo. A matéria-prima também pode ser destinada à produção de óleos vegetais, essências, insumos químicos, cosméticos, nutrição animal e produtos ligados à química verde.
Segundo Tiago Almeida, a proposta busca integrar cultivo, processamento industrial e exportação dentro de uma operação estruturada para o mercado internacional. “Existe uma busca por ambientes que ofereçam estrutura, segurança institucional e condições para o desenvolvimento de operações voltadas ao mercado internacional”, ressaltou.
Na reunião, Marcário Roberto informou que os grupos internacionais envolvidos nas tratativas já avançam na análise técnica relacionada ao projeto e demonstram interesse em aprofundar o conhecimento sobre as áreas, documentação e estrutura institucional disponível no Pará.
“Eles estão programando uma visita ao Brasil justamente para conhecer a área, entender a documentação, conversar com as pessoas envolvidas e avaliar o cronograma do projeto. Existe uma recomendação de investimento já muito alinhada, mas agora a ideia é transformar isso em etapas concretas, com previsão de implantação, escalonamento e desenvolvimento da operação”, adiantou.
Marcário Roberto também enfatizou a importância da construção de instrumentos institucionais capazes de demonstrar o alinhamento do Estado em relação ao empreendimento, incluindo a possibilidade de elaboração de uma carta de intenção ou memorando de entendimentos que permita avançar paralelamente nas tratativas técnicas, jurídicas e institucionais.
Segundo ele, “o objetivo dessa intenção formal é justamente ganhar tempo dentro das análises necessárias junto aos órgãos envolvidos, enquanto o grupo internacional também desenvolve seu planejamento e programação para a oficialização do projeto”.
Produção sustentável - Pádua Rodrigues apresentou orientações relacionadas às possibilidades de instalação industrial dentro da ZPE de Barcarena, aos requisitos de enquadramento do empreendimento e ao papel estratégico da bioeconomia dentro das novas cadeias produtivas globais. “A bioeconomia abre oportunidades para que o Pará avance na industrialização de produtos ligados à floresta e à produção sustentável. A ZPE possui características importantes para projetos que buscam agregar valor, transformar matéria-prima e acessar o mercado internacional a partir do Estado”, destacou.
Pádua Rodrigues também ressaltou que as tratativas envolvendo grupos internacionais exigem construção gradual de segurança institucional e alinhamento técnico entre os envolvidos. Ele acrescentou que “existe um interesse concreto, mas também um perfil de análise bastante criterioso por parte desses grupos internacionais. Esse processo exige segurança institucional, clareza técnica e construção gradual das etapas do projeto”.
Outro ponto debatido foi a participação de agricultores familiares no modelo produtivo. A proposta prevê expansão gradual das áreas cultivadas e integração de pequenos produtores rurais ao projeto, associando produção agrícola, geração de renda e desenvolvimento regional.
As discussões também incluíram futuras etapas relacionadas à formalização institucional do empreendimento, interlocução com órgãos públicos e aprofundamento técnico das áreas voltadas ao cultivo, processamento industrial e exportação.

