Agência Pará
pa.gov.br
Ferramenta de pesquisa
ÁREA DE GOVERNO
TAGS
REGIÕES
CONTEÚDO
PERÍODO
De
A
SAÚDE

Hospital Ophir Loyola reforça conscientização sobre câncer de ovário no Maio Verde

Campanha alerta para sinais silenciosos e destaca a importância do diagnóstico precoce

Por Brenna Godot (HOL)
07/05/2026 14h25

O câncer de ovário, considerado uma das neoplasias ginecológicas mais desafiadoras devido ao diagnóstico tardio, é o foco da campanha Maio Verde, que intensifica o alerta para a conscientização e prevenção da doença. A mobilização ganha ainda mais relevância no dia 8 de maio, data dedicada ao combate da doença, e reforça a importância de reconhecer sinais persistentes e manter o acompanhamento regular de saúde.

A médica Danielle Feio, especialista em oncologia, fala sobre a importância de se atentar aos sinais da doença

De acordo com a médica oncologista Danielle Feio, a principal dificuldade no enfrentamento da doença está na sua característica silenciosa, especialmente nas fases iniciais. “O câncer de ovário é considerado silencioso porque, na maioria dos casos, não apresenta sintomas específicos no início. Quando surgem, são vagos e facilmente atribuídos a condições benignas, como distensão abdominal ou alterações gastrointestinais. O diagnóstico tardio ainda é a regra, e isso impacta diretamente o prognóstico das pacientes”, explica.

Embora discretos, os sinais existem e precisam ser observados com atenção. Entre os principais estão distensão abdominal persistente, sensação de inchaço, dor pélvica, saciedade precoce e alterações urinárias ou intestinais. “O alerta não está apenas no sintoma isolado, mas na persistência. Sintomas novos, quase diários, por mais de duas a três semanas, precisam ser investigados. Não devem ser normalizados como algo da rotina”, orienta a especialista.

Fatores de risco e diagnóstico precoce
A médica destaca que fatores como idade acima dos 50 anos, histórico familiar de câncer, especialmente de ovário e mama, e mutações genéticas, como BRCA1 e BRCA2, aumentam significativamente o risco de desenvolvimento da doença.

“A oncogenética tem um papel estratégico nesse cenário. Mulheres com histórico familiar devem ser identificadas precocemente e acompanhadas de forma individualizada. Em alguns casos, adotamos abordagens mais proativas, como aconselhamento genético e estratégias de redução de risco”, pontua.

Segundo a especialista, o diagnóstico precoce impacta diretamente nas possibilidades de tratamento e na qualidade de vida das pacientes. “Em estágios iniciais, há maior chance de tratamento cirúrgico com intenção curativa, menor necessidade de terapias mais agressivas e melhores desfechos. Já nos casos avançados, o tratamento se torna mais complexo e o risco de recidiva é maior”, completa.

Dados reforçam o alerta

No Hospital Ophir Loyola, referência no tratamento oncológico na região Norte, aproximadamente 222 pacientes estiveram em tratamento para câncer de ovário entre 2024 e março de 2026, evidenciando a relevância do tema na saúde pública.

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar cerca de 8.020 novos casos por ano entre 2026 e 2028. O câncer de ovário é a terceira neoplasia ginecológica mais comum, ficando atrás do câncer do colo do útero e do endométrio.

A prevenção está diretamente relacionada à atenção aos fatores de risco, à manutenção de hábitos saudáveis, como controle do peso corporal, e à realização de consultas médicas regulares, principalmente a partir dos 50 anos.

História que reforça o alerta

Paciente Andreina Benvenuto, que se tratou no Ophir Loyola

Em acompanhamento na unidade, a paciente Andreina Benvenuto, 57 anos, destaca que o diagnóstico trouxe uma mudança significativa na forma como passou a enxergar o cuidado com a própria saúde. “Hoje eu tenho mais consciência. Antes, na correria do dia a dia, eu sempre adiava os exames, deixava para depois. A gente coloca muitas coisas como prioridade e esquece de si. Hoje eu vejo como é importante fazer os exames pelo menos uma vez por ano e estar mais atenta ao meu corpo”, relata.

Durante o tratamento, Andreina encontrou força na fé, na família e também no acolhimento recebido no hospital, fator que considera essencial para enfrentar o processo. “Primeiramente é Deus, depois minhas filhas, que são minha base. Cada uma com seu papel, com sua forma de contribuir. E também pessoas que surgiram nesse caminho, profissionais que eu nem conhecia e que fizeram toda diferença. Fui muito acolhida no hospital, desde a entrada até os exames e internações. Só tenho elogios ao atendimento, isso traz conforto e segurança em um momento tão delicado”, destaca.

Autocuidado como prioridade

A vivência com a doença também motivou Andreina a deixar uma mensagem direta para outras mulheres, reforçando a importância do autocuidado. “Mulher, se valoriza, se cuida. A gente costuma colocar tudo acima da gente, principalmente sendo mãe, e esquece de olhar pra si. Faça seus exames, fique atenta à sua alimentação, aos sinais do seu corpo. Se a gente adoece, tudo ao nosso redor é afetado. Então cuide de você, porque você tem propósito, você tem valor”, enfatiza.

Conscientização que vai além do mês de maio

O Maio Verde reforça que a informação é uma das principais aliadas no combate ao câncer de ovário. Reconhecer sinais persistentes, valorizar o histórico familiar e manter acompanhamento médico regular são atitudes fundamentais para o diagnóstico precoce.

O Hospital Ophir Loyola ressalta a importância da campanha durante o mês de maio, mas destaca que o alerta deve ser contínuo. A conscientização e o autocuidado precisam fazer parte da rotina das mulheres ao longo de todo o ano, contribuindo para o enfrentamento da doença e a preservação da vida. A diretoria do HOL reafirma seu compromisso em oferecer todo o apoio necessário aos pacientes e servidores, fortalecendo uma rede de cuidado, acolhimento e responsabilidade na luta contra o câncer.

Texto: Vinícius Campos (estagiário de Jornalismo)