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CULTURA E CONHECIMENTO

Fundação Cultural do Pará entrega Cine Alexandrino Moreira na Casa das Artes

Iniciativa consolida Circuito FCP de Cinema e marca também a reabertura da Biblioteca Vicente Salles com acervo especializado em artes

Por Helena Saria (FCP)
28/04/2026 08h12
Diretora da Casa das Artes, Lana Machado, à esquerda; crítico de cinema e filho de Alexandrino Moreira, Marco Antônio Moreira; Ursula Vidal; professora, Luzia Álvares; presidente da FCP, Ygor Kawhage; e o ex-presidente da FCP, Thiago Miranda.

A Fundação Cultural do Pará (FCP) entregou, nesta segunda-feira (27), o Cine Alexandrino Moreira, localizado na Casa das Artes, em Belém. O evento marcou a transformação do antigo auditório em uma sala de cinema com tecnologia de ponta, financiada por recursos da Lei Paulo Gustavo em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura (Secult).

A cerimônia contou com a exibição do premiado curta-metragem paraense "Cabana", de Adriana de Faria, e marcou também a reabertura da Biblioteca Pública Vicente Salles, unidade de pesquisa especializada em artes.

Socióloga paraense e crítica de cinema, Luzia Miranda Álvares, viúva do crítico de cinema, Pedro Veriano, particiipou da inauguração da mais nova sala de cinema de Belém, ao lado de representantes da Casa das Artes e setor cultural paraense

A obra, iniciada em 2023, exigiu um reforço estrutural no piso da edificação histórica e a instalação de sistema de exibição em DCP com resolução 2k e som Dolby Surround. Melissa Barbery, coordenadora de linguagem visual e audiovisual da FCP, detalhou que o projeto resultou de uma parceria entre a Fundação, a Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e o Governo Federal.

“Administramos três editais da Lei Paulo Gustavo para viabilizar este cinema. A obra levou tempo devido à infraestrutura do prédio, que é uma casa antiga. Como o antigo auditório tinha piso plano e o cinema atual é rampado, foi necessário realizar um reforço estrutural para suportar o novo peso das poltronas e da nova configuração”, explicou.

A coordenadora ressaltou ainda o papel pedagógico da nova sala para a capital paraense. “O cinema permite a formação do cidadão de forma global, desenvolvendo o pensamento e o sentir-se no mundo. Muitas pessoas que não têm condições de viajar, viajam através da tela. Queremos que este seja um espaço de experimentação artística, trazendo o cinema experimental, a videoperformance e o documentário expandido, linguagens que dialogam com as artes visuais e que terão aqui um espaço pioneiro em Belém”, afirmou. Além do investimento estrutural, a servidora destacou que a equipe técnica passou por treinamento especializado para operar os novos projetores e sistemas de som instalados.

O presidente da FCP, Ygor Kahwage, destacou que a iniciativa integrou uma estratégia de retomada do circuito audiovisual público no estado. “É uma alegria imensa realizar a entrega do Cine Alexandrino Moreira. Em 2023, quando assumimos a gestão, fizemos de imediato uma reforma no Cine Líbero Luxardo e, seguindo este cronograma de recomposição do nosso circuito, inauguramos agora esta nova sala. São ingressos sociais que chegam para que a comunidade paraense possa acessar o cinema fora do eixo comercial, com parcerias que trazem, inclusive, festivais internacionais gratuitos para a população”, afirmou o presidente.

Kahwage ressaltou ainda que a política de fomento ao audiovisual se estenderá a outros espaços administrados pela fundação. “Estamos trabalhando para entregar também o cine auditório Pedro Veriano, na Casa da Linguagem. Nosso objetivo é incentivar cada vez mais o Circuito FCP de Cinema, garantindo que o público amante da cultura em Belém, uma cidade que pulsa arte, tenha espaços modernos e acessíveis para usufruir da produção audiovisual”, concluiu.

A denominação do cinema homenageou o agente cultural, crítico e empresário Alexandrino Moreira. O filho dele, é o pesquisador e crítico de cinema Marco Antônio Moreira, que enfatizou a importância de salas alternativas.

“O cinema comercial só tem espaço, basicamente, para o cinema mais comercial, o que eu gosto de chamar de filmes “conformistas”. Quando você tem um espaço como o (cine) Líbero e agora o Alexandrino, você vai ver que tem cineastas inconformistas. Eles acham que o cinema pode fazer diferente e pensar diferente”, observou Marco Antônio.

Para a atriz Rosy Lueji, protagonista do filme exibido na estreia, o espaço é vital para a classe artística local. “Como atriz preta paraense é um desafio muito grande e a importância de ter um cinema voltado justamente para nossas produções paraenses é muito grande. Nossos filmes são muito bons e precisam dessa visibilidade”, pontuou.

Além do fomento ao audiovisual, a entrega cultural incluiu a reabertura da Biblioteca Pública Vicente Salles, que retornou ao atendimento com estrutura revitalizada. Especializada em artes, a unidade reúne um acervo de mais de 3 mil itens, organizado a partir de coleções do antigo Instituto de Artes do Pará e de registros do historiador e folclorista Vicente Salles, referência nos estudos sobre a presença negra e a música na Amazônia.

De acordo com a coordenadora da Biblioteca Pública Arthur Vianna, Socorro Baia, o espaço assegura a artistas e pesquisadores o acesso a um centro de preservação de linguagens como o cinema, o teatro e manifestações populares, como o carimbó e a marujada. Localizada na Casa das Artes, a biblioteca disponibiliza serviços de consulta local e empréstimos de livros, catálogos e periódicos. 

A entrega dos equipamentos reafirma o papel da Fundação Cultural do Pará (FCP) como o principal órgão do estado responsável pela execução das políticas públicas de cultura do Pará. Ao investir na modernização tecnológica de salas de exibição e na manutenção de bibliotecas de pesquisa, a FCP assegura a infraestrutura necessária para o fomento da arte cinematográfica e o aperfeiçoamento da produção cultural na Amazônia. Acompanhe as ações da FCP pelo nosso site (fcp.pa.gov.br) e nossa rede social (instagram.com/fundacaoculturalpa).