Planetário do Pará amplia conscientização sobre Doença de Chagas durante visitações públicas e escolares
Ação desenvolvida por estagiários de Biologia do CCPPA aproxima a população do conhecimento ao apresentar o inseto vetor da Doença de Chagas em diferentes fases do ciclo de vida
Entre os dias 14 e 17 de abril, o Centro de Ciências e Planetário do Pará (CCPPA), vinculado à Universidade do Estado do Pará (Uepa), desenvolveu ações em alusão ao Dia Mundial da Doença de Chagas, celebrado no dia 14 de abril. A data remete ao primeiro diagnóstico humano da enfermidade, realizado por Carlos Chagas, em 1909, no Brasil, e reforça a necessidade de manter o tema em evidência.
A Doença de Chagas é uma zoonose parasitária causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi. A transmissão ocorre principalmente por meio das fezes de insetos triatomíneos infectados, popularmente conhecidos como “barbeiros”. No Pará, há também atenção especial à transmissão oral, relacionada ao consumo de alimentos contaminados, como o açaí, quando manipulado de forma inadequada.
As iniciativas de conscientização sobre a Doença de Chagas, no CCPPA, têm sido desenvolvidas durante as visitações públicas e escolares. Dentre elas, está a exibição de dois vídeos introdutórios nas sessões de cúpula, abordando aspectos como prevenção, transmissão e formas de tratamento da doença.
Um dos vídeos exibidos, intitulado “Você sabia que há diferentes formas de transmissão da doença de Chagas?”, é uma produção da Organização Pan-Americana da Saúde em parceria com a Organização Mundial da Saúde, e está disponível nos canais oficiais do Ministério da Saúde. Já o segundo vídeo, “Cuidado com o Barbeiro – Doença de Chagas”, foi disponibilizado pelo Instituto Evandro Chagas (IEC).
No espaço da Biologia, também estão sendo apresentadas duas caixas entomológicas com exemplares de insetos vetores, com ênfase nas espécies Panstrongylus megistus e Triatoma rubrovaria. Além disso, foram disponibilizadas lâminas permanentes contendo o protozoário Trypanosoma cruzi, utilizadas para observação em microscópio.
Conforme o professor da Uepa e responsável pelo espaço da Biologia do CCPPA, Antônio Sergio Carvalho, iniciativas de divulgação científica são estratégias essenciais de prevenção e conscientização. “A divulgação científica tem um papel fundamental no enfrentamento da Doença de Chagas no Pará, especialmente diante do aumento significativo de casos registrado pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), neste início de 2026. No Centro de Ciências e Planetário do Pará, a ação desenvolvida por estagiários de Biologia aproxima a população do conhecimento ao apresentar o inseto vetor em diferentes fases do ciclo de vida, bem como o parasita do gênero Trypanosoma, agente causador da doença. A atividade, fruto da parceria com o Projeto Expresso Chagas, da Fiocruz, reforça a importância da informação qualificada como ferramenta essencial na prevenção e no combate à doença na região Amazônica.”
A técnica em Biologia do CCPPA, Fernanda Barros, considera “de extrema importância” a iniciativa do Planetário. “Na nossa região, os casos de transmissão têm ocorrido principalmente pela via oral, associada ao consumo de alimentos contaminados, como o açaí, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso à informação e às estratégias de prevenção”, ressalta.
Conforme Fernanda, no espaço da Biologia do Planetário do Pará, a equipe busca aproximar o público dessa temática, por meio de uma abordagem mais interativa e acessível. “Os visitantes podem conhecer uma pequena amostra da diversidade de insetos do nosso acervo, incluindo os barbeiros, vetores pertencentes à subfamília Triatominae. Além disso, têm a oportunidade de observar de perto o protozoário causador da doença, o Trypanosoma cruzi, por meio de lâminas em microscópio, tornando a experiência ainda mais concreta e significativa”, afirma.
Visitação escolar fortalece prevenção à Doença de Chagas
Ao longo desta semana, a previsão é de atendimento a cerca de 330 alunos nas visitações escolares, realizadas de terça a sexta-feira, com participação de escolas dos municípios de Belém, Abaetetuba, Mosqueiro e Ananindeua. Na tarde de ontem, 16, 60 estudantes do 8º e 9º ano do Ensino Fundamental, da E.M.E.F Arlinda Gomes, de Mosqueiro, participaram das atividades do Planetário.
A visitação ao CCPPA se configura como uma oportunidade de ampliar o acesso ao conhecimento científico para estudantes, como ressalta a professora de Ciências Bruna Pereira, que acompanhou a turma. “A nossa escola é uma escola quilombola, localizada na comunidade Sucurijuquara, em Mosqueiro. Esta é a primeira visita externa que eles fazem e, ao chegar aqui, eles se depararam com uma gama de conhecimentos, entre eles, sobre a Doença de Chagas. Os alunos puderam ter acesso a informações sobre o inseto barbeiro, que conseguiram visualizar no microscópio, oportunidade que eles nunca tiveram. Então, eu tenho certeza que vão lembrar desse dia para o resto do período escolar deles”, afirma.
O estudante Arlley Davy dos Santos, do 9º ano, destacou a relevância das informações apresentadas durante a visita, especialmente no que diz respeito às formas de prevenção da Doença de Chagas. “No Planetário, tivemos acesso a informações muito importantes sobre a Doença de Chagas, como por exemplo as formas de prevenção. Então, temos que seguir esses passos, para nos prevenir dessa doença”.
Kleber Yuri Vale Soares, aluno do 8º ano, compartilhou alguns dos ensinamentos que obteve a partir da visitação: “Aqui, aprendi coisas bem importantes. Por exemplo, se a pessoa possuir a Doença de Chagas, ela não pode doar sangue, pois o sangue estará infectado. Assim como se uma mulher grávida estiver com a doença, pode acabar passando para o bebê”.
Como mencionado pelo estudante, a Doença de Chagas pode ser transmitida por diferentes vias. A forma mais comum é a vetorial, quando as fezes do inseto triatomíneo infectado entram em contato com feridas na pele ou mucosas após a picada. Também pode ocorrer por via oral, com a ingestão de alimentos ou bebidas contaminados; por transmissão vertical (congênita), da mãe infectada para o bebê durante a gestação ou o parto; por transfusão de sangue ou transplante de órgãos de doadores infectados; além de casos acidentais, associados ao contato com material contaminado, especialmente em ambientes laboratoriais ou durante a manipulação de animais silvestres.
Para Fernanda Barros, a iniciativa reforça o papel do Centro de Ciências e Planetário do Pará como espaço de educação não formal comprometido com a difusão do conhecimento científico. “Essa ação representa uma grande oportunidade para o Planetário abordar um tema tão relevante com o público visitante, fortalecendo a educação científica e promovendo um diálogo mais próximo com a sociedade, especialmente em questões que impactam diretamente a realidade da população amazônica”.

