Governo do Pará entrega Comenda 'Egídio Machado Sales Filho de Direitos Humanos'
Entre os homenageados na segunda entrega da honraria está o universitário Cezar Morais Leite (in memoriam), assassinado no campus da UFPA durante a ditadura
O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh), entregou, nesta sexta-feira (10), a Comenda “Egídio Machado Sales Filho de Defesa dos Direitos Humanos”. Em sua segunda edição, a condecoração homenageia personalidades e instituições que se destacaram na luta pelos direitos humanos no Pará. O evento foi realizado no auditório "Eneida de Moraes", no Palacete Faciola, em Belém, no mês em que a Seirdh celebra três anos de atuação.
Os homenageados deste ano com a comenda foram o cursinho popular "João W. Nery"; Raimunda Nilma de Melo Bentes; Aldalice Otterloo; Jarbas Vasconcelos do Carmo; Edilza Joana Oliveira Fontes; Sandra Suely Moreira Martins Lurine Guimarães; Eneida Guimarães Santos; Claudelice Silva dos Santos; Vera Lúcia Marques Tavares; Antonio Roberto Figueiredo Cardoso e Cezar Morais Leite (in memoriam).
Para o secretário de Estado de Igualdade Racial e Direitos Humanos, Miriquinho Batista, a comenda fortalece a luta em defesa dos direitos humanos. “É um reconhecimento aos nossos guerreiros e lutadores que sempre estiveram em defesa dos direitos humanos. Isso é uma demonstração da nossa história, da luta, da importância para o povo paraense o que cada um representa. Momentos como esse servem como exemplo para que mais guerreiros se apresentem, para que a gente conquiste mais e avance nos direitos humanos no Estado do Pará”, destacou.
Luta pela dignidade - Mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e anistiada política, a professora Eneida Guimarães foi uma das homenageadas com a comenda neste ano. Sobre esse reconhecimento, ela disse que “foi uma surpresa e honra muito grande. Porque eu conheci o dr. Egídio Sales, que me ajudou em muitas questões, que me abriu portas, que me ensinou coisas, que era uma pessoa amiga. Para mim, é uma satisfação pessoal, e também acrescenta nessa luta pela dignidade humana”.
O estudante universitário Cezar Morais Leite, assassinado em 1980, no campus da UFPA em Belém, também foi homenageado. A irmã de Cezar, médica Sandra Helena Leite, ressaltou que a condecoração vem para que as histórias do estudante e de outras vítimas da ditadura jamais sejam esquecidas.
“A nossa família agradece a lembrança pelo nome do meu irmão ser agraciado com essa comenda. É uma homenagem post mortem, porque tem 45 anos do assassinato dele em uma sala de aula da UFPA. A gente sabe que nosso país passou por toda uma fase pós-ditadura, e o que vem depois dessa fase ninguém conhece. Para alguns é só uma etapa de um governo militar. E, muitas vezes, não imaginam o transtorno na vida das pessoas. Meu irmão gostava muito de música; era peladeiro, também. Foram muitas dificuldades que nós passamos. Sou muito agradecida à professora Edilza Fontes por tudo o que ela fez de trazer de memória, e também ao Miriquinho Batista, que além de ser um defensor dos direitos humanos era amigo do meu irmão e foi testemunha ocular do crime. Para nós, é uma satisfação de ter esse reconhecimento. Pela primeira vez, a UFPA vai entregar um diploma post mortem e reconhecer o que ocorreu”, declarou Sandra Leite.
História - A comenda foi instituída pelo Decreto nº 3.576, de 11 de setembro de 2023, do Governo do Pará, com base no artigo 135 da Constituição Estadual, e regulamentada por meio da Portaria nº 38/2024, da Seirdh. A honraria leva o nome do advogado e militante dos direitos humanos Egídio Machado Sales Filho, que faleceu em 2020, aos 66 anos.
Ele foi fundador da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), professor de Direito da Universidade Federal do Pará e procurador do município de Belém, além de presidir a Comissão Estadual da Verdade e Memória do Pará.
Em 2024, receberam a comenda Paulo César Fonteles de Lima (in memoriam), Paulo Roberto Monteiro Rodrigues, Humberto Rocha Cunha, Paulo de Tarso Vannuchi, Rosemiro Salgado Canto Filho, Luiz Gonzaga da Costa Neto, Hecilda Mery Ferreira Veiga, Carlos Alberto Barros Bordalo, Centro de Estudos e Defesa do Negro no Pará (Cedenpa) e a Sociedade Paraense de Defesa Direitos Humanos.

