Sespa participa do lançamento de projeto inovador para rastreamento do câncer do colo do útero no Pará
A iniciativa que promete fortalecer a prevenção e o diagnóstico precoce da doença no Estado do Pará
O município de Marituba, na Região Metropolitana de Belém, realizou nesta quinta-feira (9) a solenidade de implementação das novas diretrizes no município do Projeto de Rastreamento do Câncer do Colo do Útero (CCU), uma iniciativa que promete fortalecer a prevenção e o diagnóstico precoce da doença no Estado do Pará. A ação é fruto de uma parceria entre o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), o Ministério da Saúde, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa), a Secretaria Municipal de Saúde de Marituba e o Hospital Divina Providência.
“Eu gostaria de reconhecer o compromisso tanto da gestão municipal quanto estadual para o novo modelo de rastreamento organizado para o câncer de colo de útero e dizer que este modelo será muito mais organizado, eficiente e com cuidado contínuo para as mulheres. Nossa intenção é garantir que nenhuma mulher fique sem o seu cuidado contínuo garantido”, disse durante a mesa de abertura Flávia Alvarenga, diretora adjunta do Departamento de Câncer da Secretaria de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde.
O projeto será implementado com o uso da tecnologia de RT-PCR para detecção do HPV (DNHPV), método mais sensível e eficaz para identificar precocemente alterações que podem evoluir para o câncer do colo do útero. A estratégia amplia o acesso ao diagnóstico, especialmente entre mulheres de 30 a 49 anos — faixa etária com maior incidência da doença.
A iniciativa é considerada estratégica diante do cenário epidemiológico da Região Norte, que apresenta as maiores taxas de mortalidade por esse tipo de câncer no país. No Pará, a estimativa para 2026 é de aproximadamente 900 novos casos, com cerca de 110 óbitos anuais — muitos deles entre mulheres em idade economicamente ativa. Outro dado preocupante é que cerca de 60% das pacientes chegam aos serviços de alta complexidade já em estágio avançado da doença.
A enfermeira Michele Monteiro, da Coordenação Estadual de Atenção Oncológica e responsável pela implantação do DNA HPV no Pará destacou os desafios regionais e a importância da nova tecnologia. “O Estado do Pará tem características muito específicas, como a grande extensão territorial, áreas rurais remotas e questões culturais que dificultam o acesso das mulheres aos serviços de saúde. Com a implantação do teste de DNHPV, conseguimos ampliar esse acesso e atuar de forma mais efetiva na prevenção, especialmente em uma faixa etária mais vulnerável”, afirmou.
Ela também reforçou que o câncer do colo do útero é altamente prevenível, desde que haja acesso às estratégias corretas. Entre elas, estão a vacinação contra o HPV, indicada para jovens de 9 a 19 anos, a realização do exame citopatológico (Papanicolau) para mulheres de 25 a 64 anos e a adoção de hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, prática de atividade física e abandono do tabagismo.
O evento reuniu representantes do Ministério da Saúde, da Sespa e da equipe do Projeto “Útero é Vida”, de Pernambuco — estado referência na implementação da estratégia no país e com altos índices de cobertura de coleta de DNHPV. Para a coordenadora estadual de Oncologia da Sespa, Patrícia Martins, a iniciativa representa um avanço importante na política de saúde da mulher no estado. “Estamos diante de um projeto que pode transformar a realidade do câncer do colo do útero no Pará. É uma doença evitável, e precisamos fortalecer a atenção primária para reduzir a incidência e a mortalidade. Ao ampliar o acesso ao rastreamento e qualificar o diagnóstico precoce, conseguimos salvar vidas e reduzir a sobrecarga na alta complexidade”, destacou.
A Sespa reforça que o projeto integra um conjunto de ações voltadas à redução da morbimortalidade por câncer no estado, com foco na organização da linha de cuidado e na ampliação do acesso aos serviços de saúde, especialmente em regiões mais vulneráveis. A expectativa é que a experiência em Marituba sirva como modelo para expansão da estratégia em outros municípios paraenses, contribuindo para mudar o cenário da doença na região Norte.
Texto: Caroliny Pinho

