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DIREITOS HUMANOS

Seirdh promove roda de conversa sobre memória da Ditadura Militar em Belém

Evento reuniu representantes do governo federal, movimentos sociais e ex-presos políticos para reforçar a importância da memória, verdade e reparação

Por Andreia Santo (SEIRDH)
26/03/2026 17h30

O governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh), realizou a roda de conversa “Lugares de Memória à luz do Golpe Militar de 1964 em Belém do Pará”, nesta quinta-feira (26), no Espaço São José Liberto. O objetivo foi preservar e reafirmar a memória histórica sobre as violações de direitos humanos ocorridas na capital paraense durante o regime militar. O encontro reuniu representantes do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), movimentos sociais, pesquisadores e ex-presos políticos da Ditadura Militar. 

Para o titular da Seirdh, Miriquinho Batista, o momento foi de escuta e valorização das histórias de resistência. “Agradeço a presença de todos e todas. Cada um aqui carrega em sua memória e em seu coração relatos desses momentos tão difíceis. Lembro que, quando era estudante, morei em uma casa estudantil na capital e, na época, fomos expulsos, pois diziam que aquele lugar não nos pertencia. Um tempo depois, voltamos a ocupá-lo. Era a nossa forma de resistência. Essa é apenas uma entre tantas histórias que ouvimos aqui. Quando realizamos uma roda de conversa como essa, buscamos resgatar a história e os momentos que marcaram nossa sociedade. Para a secretaria, é fundamental tratar desse tema”, afirmou o secretário.

A ouvidora da Seirdh e ex-presidente da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Vera Tavares, destacou a importância da preservação da memória. “A Seirdh completa três anos de criação em abril e, nesse período, temos desenvolvido ações voltadas à preservação da memória. Um dos nossos eixos é memória, justiça e reparação. Por isso, promovemos eventos em alusão ao Golpe Militar de 1964. Observamos que há um grande distanciamento entre gerações, o que pode levar ao esquecimento. Hoje estamos aqui para reconhecer essa história de luta e valorizar aqueles que lutaram pela democracia e pela anistia. Muitas dessas histórias acabam sendo apagadas, e um dos papéis da secretaria é justamente preservar e resgatar a trajetória de luta do povo, especialmente do povo paraense”, afirmou. 

Vera Tavares também explicou a escolha do Espaço São José Liberto para a realização do evento. “Dentro dessa perspectiva, nos alinhamos ao programa do governo federal ‘Lugares de Memória’, que busca identificar e sinalizar espaços onde ocorreram violações de direitos humanos nesse período. Este é um desses lugares”, ressaltou.

João Moacir Mendonça, de 83 anos, ex-preso político, participou da roda de conversa

Memória - A programação contou com relatos de pessoas que sofreram na Ditadura Militar. Foi o caso de João Moacir Mendonça, de 83 anos, um dos presos políticos detidos em uma cela no local do evento, que anteriormente funcionava como Presídio São José. Emocionado, Mendonça relembrou o período e falou da importância de manter viva a memória histórica.

“Eu sempre me emociono ao falar sobre esse assunto, porque vivi momentos muito difíceis. Para mim, é fundamental preservar essa memória. Estamos recuperando nossas histórias, e isso precisa ser feito. Isso é história, isso é o Brasil. Eu cursava Direito e não me deixaram concluir. Fui perseguido, preso, torturado e trazido para um lugar como este. Depois, consegui me formar em Administração e atuar como analista de sistemas. Essa história precisa ser lembrada sempre”, relatou.

Para a coordenadora-geral de Políticas de Memória e Verdade do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania (MDHC), Paula Franco, que está no Pará, esta é uma forma de compreender as diferentes realidades do período no País.

A coordenadora-geral de Políticas de Memória e Verdade do MDHC, Paula Franco

“Sair de Brasília e entender como a ditadura funcionou em cada local é fundamental, assim como conhecer as demandas específicas de memória de cada território. Vivemos em um País de dimensões continentais, o que nos impõe o desafio de estar presentes nos territórios para ouvir e compreender essas demandas. A ditadura teve diferentes impactos em cada região. Estar em Belém hoje é essencial para construirmos uma memória mais ampla e diversa, que permita que a população se reconheça nela, e que não fique restrita ao eixo Rio-São Paulo, como ainda ocorre”, afirmou.

Exposição - Além da roda de conversa, o público conferiu a exposição “Charges do Resistência”, composta por caricaturas do Jornal Resistência. A mostra integra o Programa Cidadania, Memória, Justiça e Direitos Humanos e pretende apresentar a história da ditadura militar na Amazônia por meio das charges publicadas no periódico alternativo criado pela SDDH em oposição ao regime.

Exposição “Charges do Resistência”

A exposição itinerante reúne 28 charges históricas, selecionadas e organizadas em trabalho conjunto entre a Seirdh, a professora Anna Júlia Lustosa e os jornalistas Paulo Roberto Ferreira e Walter Pinto.