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MINICURSO

Especialista do Hoiol ensina acadêmicos a detectar sinais precoces de leucemia em exames de sangue

Treinamento com o biomédico Matheus Bernardes mostrou como a leitura do hemograma pode acelerar o diagnóstico e aumentar as chances de tratamento eficaz

Por Ascom Sespa (SESPA)
26/03/2026 14h19

Reconhecer sinais precoces de leucemia pode fazer toda a diferença no início do tratamento. Esse foi o objetivo do minicurso prático sobre a interpretação do hemograma e exames complementares ministrado pelo biomédico Matheus Bernardes, do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol). Durante a atividade teórica e prática, 30 alunos do 1º, 5º e 8º semestres do curso de biomedicina do Centro Universitário Metropolitano da Amazônia (Unifamaz) aprenderam aspectos fundamentais da identificação laboratorial de alterações sugestivas da doença e o papel do diagnóstico na agilidade do cuidado ao paciente.

A forma como a acadêmica Rubia Gouvêa, 22 anos, interpretava o hemograma mudou. O que antes era visto como um exame laboratorial básico passou a ser compreendido como uma ferramenta essencial para a identificação inicial de doenças hematológicas. “Antes, eu enxergava o hemograma como um exame de triagem geral. Agora, entendo que alterações como anemia, leucocitose, leucopenia, trombocitopenia e, principalmente, a presença de células imaturas podem ser os primeiros indícios de leucemia ou de outras doenças graves”, afirmou.

Segundo a estudante, o contato direto com a análise laboratorial foi determinante para consolidar o aprendizado. “A parte que mais contribuiu foi acompanhar a identificação de blastos. Ver isso de forma aplicada, e não apenas teórica, facilitou muito a compreensão”, destacou Rubia, que também ressaltou a importância da vivência com casos reais para a formação profissional. “A análise de lâminas de pacientes aproxima o estudante da realidade laboratorial e clínica, além de aumentar a segurança na interpretação dos exames, algo fundamental para nós, futuros biomédicos”, completou.

Com linguagem acessível e didática clara, Matheus demonstrou aos participantes como reconhecer a presença de blastos no hemograma e destacou a relevância desse olhar técnico no contexto diagnóstico. Segundo o biomédico, a identificação precoce de alterações hematológicas suspeitas pode contribuir diretamente para o encaminhamento oportuno do paciente, aumentando as chances de início rápido do tratamento e, consequentemente, melhores desfechos clínicos. 

“Foi uma oportunidade de compartilhar a experiência prática e reforçar a relevância do hemograma como ferramenta inicial na investigação das leucemias. Eles também conheceram outras metodologias complementares de grande importância, como a imunofenotipagem e a biologia molecular, fundamentais para confirmação diagnóstica, classificação da doença e definição terapêutica”, afirmou.

Bernardes destacou ainda que o minicurso proporcionou aos acadêmicos uma experiência mais próxima da rotina laboratorial, mostrando de forma didática como o biomédico pode contribuir diretamente para a suspeita diagnóstica precoce. “A iniciativa reforça o compromisso do Hospital Octávio Lobo com a formação acadêmica, a disseminação do conhecimento e o fortalecimento do diagnóstico laboratorial de precisão, contribuindo para a capacitação de futuros profissionais biomédicos e para a valorização da atuação do biomédico no cuidado ao paciente onco-hematológico”, destacou.

Interpretação do hemograma dificultam diagnóstico da leucemia

Os principais desafios relatados pelos alunos durante o minicurso estiveram relacionados, principalmente, à dificuldade em correlacionar as alterações do hemograma com uma suspeita clínica mais direcionada para leucemias. “Muitos ainda apresentam insegurança na identificação morfológica de células imaturas, especialmente os blastos, e na diferenciação entre achados reacionais e alterações que realmente exigem investigação imediata”, conforme ressaltou o biomédico do Hoiol, Matheus Bernardes. 

“Alguns sinais do hemograma podem ser negligenciados, porém são extremamente importantes para o diagnóstico precoce, como a presença de células imaturas circulantes, alterações importantes na série branca, como leucocitose ou leucopenia sem causa aparente, associação com anemia e plaquetopenia, além de discrepâncias entre os valores automatizados e a avaliação da lâmina. “Muitas vezes, não é um único dado isolado que chama atenção, mas sim o conjunto de alterações que, quando bem interpretado, levanta a suspeita de uma doença hematológica mais grave”, afirmou o especialista.

Bernardes também ressalta que a integração entre mielograma, imunofenotipagem e biologia molecular como essencial para um diagnóstico mais preciso. “O hemograma muitas vezes é a porta de entrada da suspeita, o mielograma contribui com a avaliação medular e morfológica, a imunofenotipagem ajuda na caracterização celular e definição da linhagem, enquanto a biologia molecular agrega informações prognósticas, diagnósticas e terapêuticas muito importantes. Na rotina do biomédico, essa integração fortalece a qualidade diagnóstica e torna a atuação laboratorial mais estratégica, especialmente quando falamos de doenças onco-hematológicas”, destacou.

O acadêmico do 8º semestre do curso de biomedicina, Diego Soares, 22 anos, afirma que o hemograma, muitas vezes visto como simples, pode atuar como sugestão inicial de leucemia, aliado à clínica e ao histórico do paciente. “Dar atenção aos parâmetros e associá-los a fatores como estilo de vida e histórico familiar é fundamental para o diagnóstico diferencial e um prognóstico favorável. A leitura de lâminas de mielograma no minicurso ajudou a reduzir a lacuna de aprendizado quando associada à prática. Assistimos à aula e, em seguida, aplicamos os ensinamentos, muitas vezes de difícil acesso. Visualizar e diferenciar as células foi fundamental para integrar o conhecimento sobre o tema.”

Texto Ascom/Hoiol