Em Breves, agricultora tem recomeço exemplar com o apoio da Emater no Marajó
Adenice Rodrigues, agricultora familiar, cria galinhas caipiras , a partir do acesso às políticas públicas que transformaram sua vida para melhor, após violência doméstica
Nas mãos de Adenice Rodrigues, agricultora familiar, moradora do Projeto de Assentamento Agroextrativista (PAE) Ilha dos Macacos, no Rio Jupatituba, em Breves, no Marajó, estão as marcas de um trabalho árduo da vida no campo. E no rosto, ela ainda não consegue esconder as marcas recentes da violência doméstica a que foi submetida.
Na comunidade, Adenice, de 24 anos, é um exemplo de recomeço e de como políticas públicas podem transformar vidas para melhor. Ela teve a força de trabalho e a esperança subtraídas pelo ex-marido, há pouco mais de um ano.
No mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, Adenice, que, hoje, é mãe solo, sorri com felicidade e comemora como uma grande conquista poder viver realidades básicas e simples, como poder conversar com outras pessoas, estudar, trabalhar e ter a própria renda para sustentar a família.
“Eu não sabia o que fazer e nem como denunciar. Sofri todos os tipos de violência, até chegar onde chegou. Fiquei entre a vida e a morte, mas consegui sobreviver com a ajuda de Deus e de muitas pessoas e passar por tudo o que passei”, conta.
Foi um recomeço lento, ela conseguiu se desvencilhar do que a enfraquecia e teve uma reviravolta em sua vida, após receber o apoio do Governo do Pará, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater-Pará).
“O apoio recebido pela Emater foi muito importante porque eu consegui fazer a casa das minhas galinhas e comprei mais. Todo o apoio que recebi significou uma verdadeira transformação em minha vida, porque eu me senti colocada novamente na sociedade e tudo isso é gratificante. Saber que a Emater se preocupou comigo, mesmo sabendo da situação que eu estava passando naquele momento. Agora quero ampliar a criação das minhas galinhas caipiras e iniciar a plantação de açaí”, disse.
Cada momento sofrido se transformou em recomeço e com o apoio recebido pelo Escritório Local de Breves, a vida dela passou a mudar. Antes, era subordinada ao ex-marido, mas após meses de luta, ela se tornou independente e foi incluída no Programa Fomento Rural, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Pobreza (MDS), do Governo Federal, direcionado às famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza no campo.
“Ela era cadastrada no Bolsa Família, mas o ex-marido, que estava como titular, e foi preciso uma ação conjunta da ater, da associação do assentamento e familiares para retirá-lo como membro familiar e passar a titularidade para ela. Após isso, perguntei se ela não gostaria de integrar o Fomento Rural. Mesmo ainda debilitada, ela aceitou a proposta. Percebemos a força dela e que merecia mais. Merecia respeito, cuidados, atenção e dignidade”, disse Jocimar Mendonça, chefe do Escritório Local de Breves.
Jocimar destaca que a ater pública realizada pelo Governo do Pará, por meio da Emater, também tem o papel de transformação social, de mudança de realidades, indo além da assistência técnica e da extensão rural.
“Essa não é apenas a história de uma mulher, mas ainda é a realidade de muitas. Nenhuma violência deve ser aceita, e toda mulher merece viver sem medo. E sem medo, a Adenice voltou a estudar, desenvolveu suas atividades produtivas e passou a ter seu próprio sustento e de sua família, criando galinhas caipira com o nosso apoio”, ressaltou.
O que antes era dependência emocional e financeira, se transformou em um exemplo de resiliência, determinação e da importância da execução e acesso às políticas públicas, que podem transformar completamente as vidas e até dar nova vida a um sorriso, antes apagado pela violência.
“Através do Programa Fomento Produtivo, ela já recebeu a primeira parcela e receberá a segunda parcela, no valor de R$ 2 mil, em abril de 2026. E com a venda dos animais, ela pode continuar a produzir, comercializar, ter segurança alimentar e manter sua família, sem depender de mais ninguém”, concluiu.
Política de Direitos Difusos e Coletivos - A Emater Pará tem a Política de Interesse Direitos Difusos e Coletivos, instituída por meio da Portaria nº 0456/2023, de 05/07/2023, e instalada no dia 10/07/2023.
A Emater prevê, nesse política de trabalho, equidade nas relações de gênero, geração, raça e etnia, como prioridade para a empresa implementar as diretrizes gerais, assim como a prestação de serviços de assistência técnica e extensão rural aos povos indígenas, às comunidades quilombolas e às mulheres (assentadas da reforma agrária; agricultoras familiares; extrativistas; pescadoras artesanais e aquicultoras; às mulheres indígenas, das comunidades quilombolas e de outros povos e comunidades tradicionais; e às mulheres que desenvolvem atividades agrícolas e não agrícolas em áreas urbanas e periurbanas, de modo a garantir o devido respeito às especificidades culturais e a promoção da autonomia das mulheres), entre outros.
“Após tudo o que vivi, o que eu quero dizer para todas as mulheres que vivem situações assim, é que denunciem porque a gente consegue viver muito melhor sem eles. Minha vida hoje tem outro sentido e eu agradeço pelo apoio da Emater, que me ajudou bastante no momento em que eu mais precisava, nesse sentido, de buscar a minha independência financeira e poder me sustentar e sustentar a minha família”, finalizou.
Mesmo após pouco mais de um ano do grave caso de violência doméstica que sofreu, Adenice ainda faz tratamento duas vezes por semana, no Hospital Regional do Marajó, em Breves.

