Alunos da rede pública estadual são finalistas da 24ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia
Com projetos de ciência, tecnologia e saberes amazônicos, seis pesquisas de estudantes paraenses da rede pública chegam à final da Febrace
Estudantes de quatro escolas da rede estadual de ensino foram selecionados como finalistas da 24ª Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace). O evento iniciou, na segunda-feira (16) e vai até o dia 20 de março, no campus da Universidade de São Paulo (USP), no bairro do Butantã, em São Paulo. A feira é considerada uma das maiores mostras de iniciação científica da educação básica no país.
Os projetos paraenses selecionados envolvem estudantes dos municípios de Oriximiná, Monte Alegre, Itaituba e Igarapé-Miri, evidenciando o potencial da pesquisa científica desenvolvida nas escolas da rede pública estadual.
As pesquisas abordam temas que vão desde a inovação tecnológica ao conhecimento tradicional amazônico, passando por sustentabilidade ambiental e valorização cultural.
Tecnologia inspirada na natureza
Entre os destaques, estão as equipes da Escola Estadual Padre José Nicolino de Souza, em Oriximiná, que apresentam dois projetos na área de engenharia.
O primeiro é “Sensores Biomiméticos para Monitoramento Ambiental”, desenvolvido pelos estudantes Maria Clara Oliveira dos Santos, Amanda Sofia Portilho da Cunha e Yuri Cauã Lira Costa. A proposta investiga a criação de sensores inspirados em estruturas naturais para aplicação em sistemas de monitoramento ambiental.
Outro projeto é “Tinta Solar Fotossintética com Pigmentos Naturais da Amazônia”, elaborado pelos estudantes Maysa Lorrana Franco Lavôr, Maria Sophia Brito Franco e Heitor Calderaro Nunes. A pesquisa explora o potencial de pigmentos naturais amazônicos para o desenvolvimento de superfícies com propriedades fotovoltaicas.
A estudante Amanda Portilho, da 2ª série do ensino médio, destaca a expectativa para participar da Feira Nacional. “Participar da Febrace é uma oportunidade única de compartilhar nosso projeto com estudantes e professores de todo o Brasil. Trabalhamos muito para chegar até aqui e a experiência tem sido de muito aprendizado. A feira mostra que a ciência e a tecnologia também podem nascer dentro da escola pública”, afirma.
Segundo o diretor da escola, Josué Feijão, a participação na competição é resultado de uma metodologia pedagógica que incentiva a iniciação científica entre os estudantes. Ele afirma que a proposta da escola estimula os alunos a identificarem problemas reais da região e transformá-los em pesquisas científicas, desenvolvendo protótipos e soluções tecnológicas, além de participar de feiras científicas desde o ensino médio.
Ciência, cultura e saberes ancestrais
No município de Monte Alegre, estudantes da Escola Estadual Presidente Fernando Henrique participam da final da Febrace com dois projetos na área de Ciências Humanas.
Um deles é “O Céu dos Nossos Ancestrais: Uma Jornada pela Astronomia Indígena”, desenvolvido pelas estudantes Manuela Costa dos Reis Barbosa e Jamily Naelca Morais Silva. A pesquisa investiga conhecimentos tradicionais relacionados à interpretação do céu entre povos originários.
A estudante Manuela Costa explica que a participação na feira representa uma oportunidade importante de aprendizado e crescimento acadêmico. “Participar da Febrace é uma experiência única. Essa é a minha segunda vez na feira e vejo o quanto isso me ajudou a crescer em conhecimento e comunicação. Sem o apoio da escola pública e dos professores, eu provavelmente não teria a oportunidade de apresentar um projeto na maior feira científica do país”, ressalta.
O estudante Kauan Moura também integra a delegação da escola com o projeto “Técnicas e Materiais na Arte Rupestre: Um Estudo sobre a Criatividade e Habilidade dos Artistas”, que analisa materiais e técnicas utilizados por artistas pré-históricos na produção de pinturas rupestres.
Para a professora orientadora, Bruna Vanessa dos Reis, a presença dos projetos na final da feira representa um momento de orgulho para a comunidade escolar. “Estar entre os projetos finalistas da Febrace é motivo de orgulho e emoção. É a oportunidade de mostrar que estudantes de escolas públicas podem desenvolver pesquisas relevantes e representar seu município, seu estado e sua cultura por meio da ciência”, destaca.
Além da participação dos estudantes, a orientação dos projetos também ganha destaque nesta edição da feira. A professora, Bruna Vanessa, está entre os 10 finalistas do ‘Prêmio Professor Destaque’, reconhecimento nacional concedido a educadores que se destacam na orientação de pesquisas científicas na educação básica.
Para a docente, o reconhecimento representa uma conquista coletiva e evidencia o potencial da escola pública na formação científica dos estudantes. “Estar entre os 10 finalistas do Brasil já é uma grande vitória. Representar minha escola, meus alunos, o município de Monte Alegre e o Pará é motivo de alegria. Esse reconhecimento valoriza o trabalho dedicado à pesquisa científica e incentiva o desenvolvimento de novos projetos, fortalecendo o pensamento crítico e o protagonismo estudantil”, afirma.
Sustentabilidade e inovação
Outro projeto paraense finalista da feira é “Cacau que Cresce, ‘Mundo’ que Respira e Inclusão que Floresce”, desenvolvido pelos estudantes Waldiney Iadir Pinheiro da Costa e Samira Nonato da Silva, da Escola Estadual Professora Dalila Afonso Cunha, em Igarapé-Miri.
A pesquisa investiga alternativas sustentáveis de recuperação do solo por meio do cultivo do cacau. A estudante Samira Nonato explica que a proposta surgiu a partir da observação da realidade ambiental da região.
“Nós observamos que o desmatamento é forte na nossa região e pensamos em uma forma de ajudar na recuperação do solo. O cultivo do cacau pode contribuir para proteger o solo do sol e favorecer a reconstrução gradual das áreas degradadas”, afirma.
Também representa o Pará na competição o projeto “ECOLÁBIOS: Batom Sustentável Amazônico”, desenvolvido pelas estudantes Maria Eduarda de Souza Vasconcelos, Ashylla Isabella Seade Arai e Lara Bandeira da Silva, do Centro Educacional Anchieta, em Itaituba.
A pesquisa propõe o desenvolvimento de um produto cosmético a partir de insumos naturais da Amazônia, com foco na sustentabilidade e na redução do uso de componentes químicos sintéticos.
A participação dos estudantes paraenses na Febrace reforça o papel da escola pública no incentivo à pesquisa científica e à inovação, além de estimular o protagonismo estudantil e o desenvolvimento de soluções alinhadas aos desafios contemporâneos da região amazônica.
Febrace
A Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace) é um programa de talentos em ciências e engenharia que estimula a cultura científica, o saber investigativo, a inovação e o empreendedorismo em jovens e educadores da educação básica e técnica do Brasil.
Desde 2003, a Febrace realiza uma grande mostra de projetos científicos e tecnológicos, na Universidade de São Paulo, que reúne estudantes de todo o Brasil.
Todos os anos a Febrace mobiliza sua rede nacional de feiras afiliadas e seleciona finalistas para competições e feiras internacionais, além disso, promove diversas oportunidades para estudantes, professores e gestores em temáticas relacionadas a STEAM - Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática.
Texto de Taynara Gomes com supervisão de Lilian Guedes Ascom / Seduc

