CIIR fortalece protagonismo feminino com programação especial pelo Dia da Mulher
Arte, debate e mobilização marcaram agenda voltada ao enfrentamento da violência e à promoção da equidade
O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR) promoveu, nesta sexta-feira (6), programação alusiva ao Dia Internacional da Mulher, a ser celebrado em 8 de março. O evento reuniu usuários, acompanhantes e colaboradores em momentos de mobilização, expressão artística e diálogo sobre direitos, na sede da unidade, em Belém.
A abertura ocorreu com a “Marcha pelas Mulheres Vivas”, com concentração na portaria do CIIR. Os participantes compareceram ao ato levando cartazes produzidos na própria instituição, reforçando mensagens de enfrentamento à violência de gênero e valorização da vida das mulheres. A mobilização também contou com o convite para que todos vestissem as camisas customizadas na oficina “Não se cale”, fortalecendo o caráter simbólico da ação.
No hall do bloco C da unidade, a dança circular “Força, Beleza e (Re)existência” promoveu integração e acolhimento por meio do movimento coletivo. A atividade destacou o corpo como espaço de expressão, resistência e cuidado. O mesmo espaço recebeu o “Ela Canta”, karaokê livre que celebrou vozes femininas em um ambiente leve e participativo, incentivando autonomia e protagonismo.
Encerrando a programação, foi realizada a roda de conversa “Futuros possíveis: Arte, justiça e feminilidades no enfrentamento à violência de gênero”. O debate reuniu especialistas com atuação nas áreas de justiça, políticas públicas, saúde e cultura.
No Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cetea), a programação alusiva à data foi realizada na quinta-feira, 5, com karaokê e distribuição de brindes aos usuários, acompanhantes e colaboradores.
Protagonismo feminino
Participaram como facilitadoras da roda de conversa a pedagoga Riane Freitas, da Coordenadoria Estadual das Mulheres em Situação de Violência Doméstica e Familiar (CEVID/TJPA); a psicóloga Marilucia Bezerra, do ParáPaz Mulher; a assistente social Gabriela Borja, especialista em promoção de políticas públicas em gênero e sexualidade na Amazônia pela UFPA, ativista do coletivo Sapato Preto e da Rede Candaces e conselheira estadual de diversidade sexual, além de Ana Paula Castro, mãe atípica, formada em Teatro pela UFPA e pesquisadora das relações entre cena, infância e Transtorno do Espectro Autista.
A mediação foi conduzida pela professora Paula Barros, do setor de Arte e Cultura do CIIR, que é mãe, atriz-palhaça e educadora teatral com atuação voltada ao mundo materno e infantil, com foco no autocuidado, inclusão e produção de saúde.
Para a presidente do Grupo de Trabalho Humanizado (GTH) do Centro, Ivana Pimentel, a programação cumpriu o papel de ampliar vozes e fortalecer redes de apoio. “A grande maioria do público do CIIR é feminina. Então, é uma forma de tentar combater esses casos que muitas vezes podem estar acontecendo no nosso meio. Precisamos falar sobre o assunto para dizer que as mulheres podem denunciar, que não devem se calar. A mulher tem um papel muito importante na sociedade, na ciência, na educação, na cultura, nos seus próprios lares. Nós precisamos estar vivas para continuar contribuindo”, destacou.
Diálogo e conscientização
Durante a programação, participantes destacaram a importância de espaços de diálogo e conscientização sobre a violência contra a mulher. Entre elas, a técnica de enfermagem Anísia Lima, 58 anos, ressaltou a relevância de iniciativas que informam e orientam mulheres e famílias sobre temas como abuso e feminicídio.
“Abordar temas sensíveis, como feminicídio e violência doméstica, ajuda a sociedade a compreender a gravidade desses problemas e a trabalhar para evitá-los. É muito importante que essas informações sejam compartilhadas, inclusive para que nossos filhos cresçam entendendo que esse tipo de violência não pode acontecer na vida de ninguém”, afirmou Anísia, mãe de um jovem de 27 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Entre os colaboradores, Yvna Ribeiro, auxiliar administrativa do Departamento Pessoal do CIIR, também reforçou a relevância da ação. A profissional destacou que “ter um espaço para debater essa pauta, como o evento organizado no CIIR, contribui para informar, prevenir e conscientizar a sociedade sobre a importância de lutar por leis mais rígidas, que protejam as vítimas e garantam punições mais severas aos agressores".
Gestão feminina
A iniciativa integra as ações de humanização da unidade, que possui diretoria exclusivamente feminina e equipe majoritariamente composta por mulheres. Até fevereiro de 2026, o CIIR/Cetea contabilizou 344 colaboradores diretos, sendo 229 mulheres (66,6%) e 115 homens (33,4%), evidenciando o protagonismo feminino na assistência e na gestão.
Com a programação, o CIIR reafirma seu compromisso com a promoção da saúde integral, da equidade de gênero e da construção de espaços seguros de diálogo e transformação social.
Referência no atendimento à PcD
O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação é referência no Pará em assistência de média e alta complexidade à Pessoa com Deficiência (PcD) visual, física, auditiva e intelectual. Os usuários podem ter acesso aos serviços do Centro por meio de encaminhamento das unidades de Saúde, acolhidos pela Central de Regulação de cada município, que por sua vez encaminha à Regulação Estadual. O pedido será analisado conforme o perfil do usuário pelo Sistema de Regulação Estadual (SER).
Serviço: O CIIR é um órgão do governo do Pará, administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Funciona na rodovia Arthur Bernardes, nº 1000, bairro Val-de-Cans, em Belém.
Texto: Ascom/ CIIR

