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PIB do Pará cresce 7,85% no terceiro trimestre de 2025 e supera média nacional

Desempenho foi impulsionado pela agropecuária, construção civil e indústria, enquanto o setor serviços teve crescimento mais moderado

Por Manuela Oliveira (FAPESPA)
02/03/2026 14h06

O Produto Interno Bruto (PIB) do Pará cresceu 7,85% no terceiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior, ritmo significativamente superior ao registrado pelo Brasil, que avançou 1,82%. Os dados reforçam o bom momento da economia paraense, sustentado principalmente pela agropecuária e pela indústria, com destaque para a construção civil.

No acumulado do trimestre, o PIB estadual alcançou R$ 72,5 bilhões, o equivalente a 2,2% da economia nacional. Apesar de uma leve retração de 0,1 ponto percentual na participação em relação ao trimestre anterior, o desempenho do Estado acompanhou a tendência de crescimento observada no país.

"O PIB é o principal indicador da atividade econômica de um estado. Ele nos permite entender como os setores produtivos estão se comportando, onde estão os vetores de crescimento e quais áreas precisam de maior atenção das políticas públicas. Quando trabalhamos com o PIB trimestral, conseguimos reduzir a defasagem das informações econômicas, o que aumenta a transparência e fortalece a tomada de decisão por parte de gestores, empresários, pesquisadores e da sociedade", explica Thays Santos, técnica em Gestão de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia e Inovação, da Fapespa.

"No caso do Pará, o crescimento de 7,85% no terceiro trimestre de 2025 em relação do mesmo período do ano anterior, bem acima da média nacional, evidencia a força da nossa economia. A agropecuária teve um desempenho expressivo, a indústria cresceu de forma consistente e a construção civil foi um dos grandes destaques do período. Esse resultado reflete tanto o dinamismo do setor produtivo quanto o volume de investimentos públicos e privados em andamento no Estado", destaca a técnica da Fapespa.

Liderança agropecuária - O setor agropecuário foi um dos principais motores da economia paraense no período, com crescimento de 30,22% frente ao terceiro trimestre de 2024, quase o triplo da taxa nacional (10,14%). O resultado foi impulsionado, sobretudo, pelo desempenho da agricultura, beneficiada por condições climáticas favoráveis em algumas regiões do Estado.

A produção de milho apresentou os maiores avanços, com crescimento estimado de 48,4% na primeira safra e 45,2% na segunda safra. Soja, mandioca e laranja também registraram expansão. Na pecuária, o aumento da produção aliado à valorização do boi gordo contribuiu para o resultado positivo do setor.

Indústria avança com apoio da construção civil

A indústria paraense avançou 12,06% no terceiro trimestre de 2025 em comparação ao terceiro trimestre de 2024, enquanto o setor industrial brasileiro cresceu 1,71%. Ainda no mesmo comparativo, o destaque foi a construção civil, que registrou expansão expressiva de 71,28%, impulsionada pelo volume de obras públicas e privadas, especialmente aquelas relacionadas à preparação de Belém para a COP30.

"A preparação de Belém para a COP30 contribuiu para esse cenário. As obras e investimentos ligados à infraestrutura e à mobilidade urbana têm gerado impactos positivos na atividade econômica, mostrando que grandes eventos, quando associados a planejamento e estratégia, podem deixar um legado estruturante para o desenvolvimento. Portanto, o resultado do PIB confirma o bom momento da economia paraense e reforça a importância de políticas públicas baseadas em dados, para que esse crescimento seja sustentável, equilibrado e gere oportunidades para a população", explicou Thays Santos.

A atividade de produção e distribuição de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana também apresentou forte crescimento (23,52%) em relação ao mesmo trimestre de 2024, beneficiada por condições hidrológicas favoráveis. Já a indústria de transformação teve alta de 5,60%, com desempenho positivo em segmentos como produtos de madeira, metalurgia e bebidas.

Em contrapartida, a indústria extrativa mineral apresentou retração de 3,88% no comparativo anual, resultado influenciado por diferenças na dinâmica produtiva do Estado em relação ao cenário nacional, onde a atividade foi impulsionada principalmente pela extração de petróleo e gás.

Setor de Serviços avança de forma mais moderada

O setor de serviços cresceu 1,01% no Pará, ligeiramente abaixo da média nacional (1,29%), quando comparado com o ano anterior. Apesar do avanço mais contido, atividades como comércio e serviços de manutenção e reparação (5,76%) e atividades imobiliárias (12,28%) tiveram desempenho positivo.

Por outro lado, a administração pública registrou queda de 5,98%, quando comparada com o ano anterior, o que limitou o crescimento do setor como um todo. Ainda assim, serviços e comércio seguem como importantes geradores de emprego formal no Estado. Segundo dados do Caged, o período registrou saldo positivo de vagas formais, reforçando o papel desses setores na sustentação da atividade econômica.

Crescimento também se mantém no acumulado do ano

No acumulado até o terceiro trimestre de 2025, o Pará manteve trajetória de crescimento acima da média nacional. O Valor Adicionado Bruto (VAB) do Estado avançou 7,30%, mais que o dobro da taxa registrada pelo Brasil (2,54%), refletindo a contribuição conjunta da agropecuária, indústria e serviços.

Equipe da Fapespa responsável pelo estudo

O desempenho reforça a relevância da economia paraense no cenário nacional, com destaque para atividades ligadas à produção agropecuária e à indústria, que seguem como pilares do crescimento estadual.

“O Pará segue crescendo acima da média nacional, com avanço de 7,30% no Valor Adicionado Bruto. Isso reafirma a importância da economia paraense no cenário brasileiro e evidencia que o Estado está consolidando um ciclo de crescimento sustentado, apoiado em investimentos, diversificação produtiva e fortalecimento da sua base econômica”, afirma Atyliana Dias, diretora de Estatística e de Tecnologia e Gestão da Informação da Fapespa, responsável pelo estudo do PIB.

"Esses dados mostram os resultados de políticas públicas assertivas e conectadas com os setores produtivos do Estado. Apesar dos impactos externos serem significativos é a política local e suas medidas que geram confiança e estabilidade aos setores produtivos", pontua Marcel Botelho, presidente da Fapespa.