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Usuários e servidores revisitam a história da Santa Casa no Pará

Servidores e usuários participaram de um "hospitour" durante as 4 aulas promovidos por pesquisadores da UFPA sobre detalhes da história da instituição

Por Etiene Andrade (SANTA CASA)
23/02/2026 16h10

O Museu da Santa Casa de Misericórdia do Pará ficou lotado de servidores e usuários atentos aos muitos detalhes sobre a história da instituição contados nesta segunda, 23, em 4 aulas dadas pelos pesquisadores do Laboratório de Memória e Patrimônio Cultural (Lamemo/UFPA), vinculado ao Grupo de Pesquisa Arquitetura, Memória e Etnografia da UFPA, como parte da comemoração pelos 376 anos da Santa Casa no Pará.

A primeira aula do dia foi ministrada pela doutora Cybelle Salvador Miranda que, além de encantar o público presente com as curiosidades sobre os fatos históricos ao longo dos mais de 3 séculos e a riqueza arquitetônica do prédio da instituição, inaugurado em 1900, destacou a importância da Santa Casa como patrimônio cultural no presente.

“A Santa Casa é um patrimônio material e imaterial, porque, de uma forma geral, toda a população reconhece o valor da Santa Casa enquanto um espaço assistencial, mas muitas vezes não tem muita noção dessa questão histórica e arquitetônica, e, como essas características, revelam muito sobre a história de Belém, a história do Pará, os valores que são atribuídos, as personalidades que vivenciaram e que construíram a Santa Casa”, declarou a professora.

O pesquisador Arthur Moreira, também membro da equipe do Lamemo, ministrou as demais aulas do dia, que foram sucedidas por um “hospitour” no qual parte da história pode se materializar em paredes, janelas, vitrais e outros elementos do prédio centenário.

A enfermeira Francielma Chagas já caminhou muitas vezes pelos corredores da Santa Casa ao longo de seis anos de trabalho na instituição, mas nesta segunda-feira, depois de acompanhar a aula e participar do passeio orientado pela equipe do Museu, começou a olhar corredores e alas, e até sua própria trajetória na instituição, de outra forma.

“Hoje, depois desse momento de aprendizado, com certeza vou ter um outro olhar para a Santa Casa. Poder admirar melhor e reconhecer que cada parte dessa instituição tem um legado de conquistas, avanços e personagens que contribuíram para que hoje ela esteja ainda mais bela e atendendo os nossos pacientes com excelência”, afirmou.

Os investimentos do Governo para a restauração e readaptação do prédio centenário da instituição nos últimos anos foi um dos elementos considerados pelos pesquisadores como primordiais para que a estrutura centenária pudesse resguardar a história e ao mesmo tempo se manter como espaço útil para assistência e ensino em saúde.

“Eu parabenizo a atual administração que vem gerindo de uma maneira muito positiva, revitalizando os pavilhões, dando novos usos. Antigamente eram vistos como pavilhões  obsoletos e hoje a gente vê que todos podem ter um uso importante aqui dentro do hospital, então o espaço do museu especificamente é um espaço muito rico, espero que ele possa estar aberto para toda a comunidade também”, enfatizou Cybelle Miranda.

O Museu da Santa Casa do Pará foi fundado em junho de 1987 pelo médico Alípio Bordalo, e reinaugurado após uma ampla restauração, no final do ano passado, estando atualmente aberto à visitação de servidores, usuários e acompanhantes de usuários em atendimento no hospital. A expectativa da gestão é que futuramente o espaço possa ser usufruído por um público ainda mais amplo, tanto na visitação e observação do acervo interno, como por meio de eventos como a aula e o tour histórico realizado nesta segunda, 23.

“Vamos mostrar toda a nossa história para todos nós, não só para os servidores, mas também para todos que passam por aqui. A gente vê o encantamento de muitas pessoas que passam aqui nessa porta e se deparam com uma parte da nossa história da saúde na amazônia. A gente ainda tem um longo caminho pela frente na restauração do acervo que ainda não tem condições de ser exposto, mas com parcerias vamos fortalecer esse trabalho, que é um serviço muito específico, muito delicado, que precisa de um olhar de pessoas especializadas para a gente fazer direito e fortalecer essa história”.

História - A Santa Casa do Pará é uma das instituições de assistência à saúde mais antigas e importantes do Brasil, consolidando-se como referência centenária na Amazônia. 

Ao chegar ao Pará no meio do século XVII, a então Irmandade da Santa Casa de Misericórdia direcionava as suas ações para obras de caridade, incluindo cuidar de órfãos e enfermos e a manutenção de asilos e cemitérios.

Em 1808 agregou ao seu patrimônio o Hospital Senhor Bom Jesus do Pobres, construído por D. Frei Caetano Brandão em 1787, no Largo da Sé e, no final do século XIX, quando o estabelecimento já não atendia às necessidades da população, começou a ser construído no bairro do Umarizal um novo prédio.

Em 15 de agosto de 1900, ainda gerida pela Irmandade de Misericórdia, inaugurou sua sede no bairro do Umarizal, onde funciona até hoje. Tornou-se fundação estadual em abril de 1990, designada então como Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará (FSCMPA), um órgão público da assistência em saúde do Pará, que atende a população pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Atualmente conta com um moderno complexo hospitalar, equipado com recursos de alta tecnologia, e mais de 3 mil servidores treinados para oferecer a melhor assistência à população.

Celebração - Na manhã desta terça, 24, será realizada uma cerimônia na praça interna do hospital com um culto ecumênico, apresentação do Coral da Santa Casa e parabéns. A atividade será  voltada a servidores e usuários em atendimento na instituição.