Escola de Samba das Crias do Curro Velho celebra 40 anos da FCP pelas ruas do Telégrafo
Evento reuniu 500 integrantes e destacou a trajetória das políticas públicas culturais no Pará
A agremiação carnavalesca Crias do Curro Velho, fundada há 35 anos, percorreu mais uma vez as ruas do bairro do Telégrafo, levando mais de 500 integrantes, entre crianças, adolescentes e suas famílias, num cortejo de muita alegria e amor pelo carnaval. Com enredo dedicado aos 40 anos da Fundação Cultural do Estado do Pará, o desfile apresentou o resultado do trabalho das oficinas de iniciação artística realizadas pelo Núcleo de Oficinas Curro Velho.
O presidente da FCP, Thiago Miranda, reforçou a importância do trabalho da Fundação para a sociedade. “São 40 anos de políticas públicas voltadas, não só à cultura propriamente dita, mas também à iniciação artística, ao incentivo do mercado, no segmento cultural, mas também da formação educacional das crianças de Belém e de todo o Estado do Pará. As crianças produziram suas roupas, suas alegorias, e foram à rua brincar, cultivar o que aprenderam", detalhou.
O contingente de 500 participantes contou com 130 integrantes na bateria e o apoio direto de servidores e moradores locais. A diretora do Curro Velho, Celeste Iglesias, pontuou que a unidade realiza o trabalho de instrução técnica aliado ao desenvolvimento social. "É o ano inteiro realizando um trabalho de muito respeito, de instrutores que realmente trabalham a cultura, e também trabalham a consciência das crianças, dos adolescentes", explicou a diretora, ao avaliar o impacto na comunidade.
A estrutura pedagógica do desfile permite que antigos alunos assumam postos de liderança na escola de samba. O coordenador de Iniciação Artística, Jorge Cunha, informou que a maior parte dos instrutores de ala iniciou no projeto ainda na infância. "Isso é muito bacana da gente, poder constatar e fazer parte desse momento", disse. Ele detalhou que a preparação funciona como um laboratório de discussões sobre meio ambiente e cidadania, além da temática histórica deste ano.
A inclusão social é um dos eixos destacados pelas famílias que acompanham o projeto. Elisabete Mota acompanha a trajetória das filhas Stephanie e Alice na agremiação há oito anos. As jovens integram a ala da inclusão, segmento que existe há uma década no desfile das Crias do Curro Velho. Elisabete relatou que a participação da família ocorre em diferentes gerações, com a presença da avó das meninas no suporte às cadeiras de rodas durante o percurso. "Fico muito feliz da nossa família ser incluída e respeitada. Nós fazemos parte da festividade, da dança, da arte", afirmou a mãe, ao destacar o alcance da iniciativa.
Matheus Ronald tem 16 anos e ingressou no projeto aos oito. O jovem relata que aprendeu a tocar todos os instrumentos da bateria e hoje atua como instrutor para as novas gerações de alunos. "Estou ensinando a essa garotada tudo que eu aprendi", afirmou o músico ao descrever sua trajetória na unidade. Morador da Vila da Barca, Ronald destacou o impacto social das atividades em sua rotina e na de outros adolescentes da localidade. "Tira um pouco essa criançada daí, onde a gente vive. Aqui é um lugar muito importante pra gente", concluiu.
A Fundação Cultural do Pará atua como o principal órgão do Estado responsável pela execução das políticas públicas de cultura do estado do Pará. A instituição mantém espaços de formação e fomento que atendem diversos segmentos artísticos em todo o território paraense. Acompanhe as ações da FCP pelo site e rede social oficial.

