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SÉRIE ESPECIAL: CRIAS DO CURRO VELHO

Bateria Danada, das Crias do Curro Velho, mobiliza 130 ritmistas para desfile de 40 anos da FCP

Formação das Crias do Curro Velho integra crianças e jovens da periferia de Belém e reforça o papel social da cultura no Estado

Por Helena Saria (FCP)
13/02/2026 21h06
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Com 130 ritmistas, a Bateria Danada, do Grêmio Recreativo Escola de Samba Crias do Curro Velho, está pronta para o desfile que celebra os 40 anos da Fundação Cultural do Pará (FCP). A apresentação integra a programação do Carnaval 2026 e destaca a formação artística de crianças e jovens atendidos pelo Curro Velho, equipamento cultural do Governo do Estado.

A base rítmica do enredo comemorativo é composta por 40 caixas, 20 repiques, 20 tamborins — divididos entre crianças e adultos —, 10 platinelas, além de surdos e terceirinhas. A formação evidencia a consolidação de um trabalho contínuo de ensino musical e inclusão social.

Formação que transforma vidas

A coordenação da bateria está sob o comando do Mestre Muka, instrutor que atua no Curro Velho há 32 anos. Ele relembra que, no início da década de 1990, o grupo contava com músicos contratados, mas passou a construir uma formação própria, começando com instrumentos alternativos, como baldes e garrafas.

Atualmente, cerca de 70% dos integrantes residem na Vila da Barca, enquanto os demais vêm de bairros como Telégrafo, Pedreira e Barreiro, em Belém. “Aqui a gente não trabalha só a percussão, a gente conversa. Eu sempre falo para os alunos: estudem. Só o estudo permite que a gente tenha uma chance na vida”, afirmou Muka.

A participação feminina também é expressiva, com aproximadamente 25 meninas atuando em instrumentos como caixa, repique, tamborim e surdo, reforçando a inclusão e a diversidade dentro da formação.

Protagonismo juvenil

No desfile oficial, marcado para o próximo dia 21, a condução da bateria ficará sob responsabilidade de dois mestres adolescentes, Lucas e Matheus, ambos com cerca de 15 anos e formados nas oficinas do Curro Velho desde a infância.

Segundo Muka, a renovação é parte fundamental do projeto, e o processo de aprendizagem respeita as normas de proteção à criança e ao adolescente, inclusive com a adequação do peso dos instrumentos à faixa etária dos participantes.

Para o coordenador de Iniciação Artística do Curro Velho, Jorge Cunha, a bateria representa um impacto social acumulado ao longo das décadas.

“As sucessivas equipes de trabalho vêm atuando há décadas no fortalecimento desse espaço de pertencimento, onde a cultura popular é ferramenta de educação e inclusão social para jovens da nossa região”, destacou.

Cultura como política pública

A diretora do Curro Velho, Celeste Iglesias, ressaltou que a bateria simboliza a integração das oficinas e a força da formação artística desenvolvida pela instituição. “A bateria impulsiona o desfile e simboliza a união de todas as nossas oficinas. Ver as nossas crianças e jovens dominando os instrumentos com tanta disciplina e técnica reforça o papel do Curro Velho na transformação social. É através desse ritmo que celebramos os 40 anos da FCP, mostrando que a formação artística é a base para a cidadania e para a preservação da nossa cultura”, afirmou.

Como entidade responsável pela execução das políticas públicas de cultura no Estado, a Fundação Cultural do Pará atua no fomento, na formação e na preservação da identidade regional por meio de seus diversos equipamentos. Ao promover o acesso de crianças e jovens ao ensino musical, à cultura e à arte, a instituição reafirma seu papel na democratização cultural e no fortalecimento das tradições amazônicas.

Esta é a primeira de uma série de três matérias sobre o Grêmio Recreativo Escola de Samba Crias do Curro Velho. As próximas edições irão abordar a composição do samba-enredo e a estrutura dos carros alegóricos que integram o desfile.

Serviço: Mais informações sobre as ações da Fundação Cultural do Pará estão disponíveis no site oficial e no perfil institucional no Instagram @fundacaoculturalpa.