Carnaval inclusivo do Centro Integrado de Reabilitação leva cultura, cuidado e alegria ao público
Programação transforma atendimento em experiência cultural e reforça o direito ao lazer de pessoas com deficiência
O Carnaval ganhou um novo significado no Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR), em Belém. Com cores, música e muita animação, o CarnaCIIR transformou os corredores da instituição em um espaço de celebração, cuidado e cidadania. A programação, realizada pelos profissionais do setor de Arte e Cultura, começou nesta quinta-feira (12) e continua nesta sexta-feira (13).
A iniciativa, voltada a usuários em atendimento, acompanhantes e colaboradores utiliza a cultura como recurso terapêutico para promover inclusão social, bem-estar emocional e fortalecer a continuidade do tratamento de forma lúdica.
A programação começou nas recepções, onde profissionais convidaram o público a participar do cortejo pelas dependências da instituição. O baile reuniu o público no hall do bloco C e virou palco para apresentações musical e cênica preparada pela equipe do setor de Arte e Cultura.
Segundo a supervisora do setor, Denise Morais, levar o Carnaval para dentro do CIIR vai muito além da comemoração. “Muitas vezes, o Carnaval de rua é inacessível devido a barreiras arquitetônicas, multidões e falta de banheiros adaptados. A atividade aqui garante o direito ao lazer e à cultura em um ambiente controlado e seguro”, destaca. Para ela, a ação também estimula diferentes sentidos e assegura o acesso à cidadania cultural.
Desenvolvimento que se vê na dança - Entre os participantes estava Aysha Menezes, de seis anos, usuária com Transtorno do Espectro Autista, assistida há quase três meses pelas terapias de fonoaudiologia e psicologia. A mãe, Kenny Moraes, conta que a filha não perdeu a oportunidade de aproveitar o momento. “Eu vim na consulta e estava tendo essa atividade. Ela adora participar dessas coisas, então interagiu bastante. É o que ela mais gosta, dançar”, disse.
A própria Aysha resumiu o sentimento com espontaneidade. “Eu gosto muito de carnaval, eu me sinto bem, porque é muito divertido. Fico feliz demais”, afirmou a usuária.
Outra participante foi Rihanna Siqueira, 9 anos, também usuária com TEA, que realiza consultas e participa ativamente das oficinas de Arte e Cultura. Para a mãe, Daniely Siqueira, a evolução da filha é visível.
“Quando a Rihanna iniciou aqui ela não gostava de dançar. Depois que começou a participar das atividades e do teatro com a professora Paula, se soltou muito. Passou a gostar de brincar e de dançar. Isso ajudou no desenvolvimento e na interação com crianças e adultos. Hoje é outra criança, mais independente, gosta de participar e toma iniciativa, coisa que antes não fazia”, contou.
A professora Paula Barros reforça que as atividades culturais têm papel essencial nesse processo. Segundo ela, a arte cria um ambiente seguro para que cada criança se expresse no seu tempo. “Percebemos na prática como a participação em oficinas e apresentações fortalece a autoestima e a autonomia. A Rihanna é um exemplo desse crescimento, passou a se envolver mais e a confiar nas próprias habilidades”, frisou.
Programação continua - A folia não termina por aqui. Nesta sexta-feira, dia 13, será realizada a oficina de adereços na Biblioteca Inclusiva do CIIR. A atividade será conduzida pelo professor de Artes Visuais Eduardo Oliveira e é voltada para usuários, acompanhantes e colaboradores.
No dia 16, o cortejo chega ao Centro Especializado em Transtorno do Espectro Autista, o Cetea. O público será convidado nas recepções da unidade para participar da atividade sociocultural no pátio da unidade, a partir das 10h.
Ao unir cultura, cuidado e inclusão, o CarnaCIIR reafirma que o direito ao lazer também faz parte do processo terapêutico. Em cada passo de dança e em cada sorriso, a celebração mostra que festejar também é uma forma de reabilitar e transformar vidas.
Referência no atendimento a PcD - O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação é referência no Pará em assistência de média e alta complexidade à Pessoa com Deficiência (PcD) visual, física, auditiva e intelectual. Os usuários podem ter acesso aos serviços do Centro por meio de encaminhamento das unidades de Saúde, acolhidos pela Central de Regulação de cada município, que por sua vez encaminha à Regulação Estadual. O pedido será analisado conforme o perfil do usuário pelo Sistema de Regulação Estadual (SER).
Serviço: O CIIR é um órgão do governo do Pará, administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Funciona na rodovia Arthur Bernardes, nº 1000, bairro Val-de-Cans, em Belém.
Texto: Ascom/CIIR
