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Mães adolescentes atendidas na Santa Casa têm acesso a métodos contraceptivos de longa duração

Considerados de alta eficácia, o DIU já é oferecido na maternidade desde 2019 e o Implanon será disponibilizado a partir de março na maternidade

Por Etiene Andrade (SANTA CASA)
09/02/2026 14h01

A adolescente H. buscou a maternidade da Santa Casa para ter o seu bebê. Cursando a sétima série do Ensino Fundamental, ela já pensa em soluções para conseguir cuidar do filho, voltar a estudar e, ainda, em ter uma forma de ajudar no sustento da criança. Já Izabela Borges, mãe da jovem, também quer que H. se previna de uma nova gravidez.

“Quando eu soube, fiquei em choque. Nunca pensei que isso pudesse acontecer tão cedo. Estou me desdobrando para dar apoio para ela, até porque é uma gestação de alto risco. Ela precisou parar de estudar por causa da gravidez e eu quero ver se consigo que ela coloque o DIU (Dispositivo Intrauterino) para evitar passar por isso novamente”, conta Izabela. 

Em 2025, cerca de 600 pacientes, adolescentes e adultas, que tiveram seus bebês na maternidade da Santa Casa ou foram encaminhadas ao Ambulatório da Mulher da instituição, tiveram acesso à colocação do DIU de cobre, classificado como um método contraceptivo de longa duração com alta eficácia.

“A principal vantagem é o que a gente chama de comodidade posológica, que é a facilidade do uso do método pela paciente, porque você precisa implantar uma única vez o DIU, sem a necessidade de precisar estar se lembrando todos os dias do medicamento e, a depender do modelo, o dispositivo pode durar três, cinco, até dez anos. O da Santa Casa dura dez, então é uma grande comodidade para a paciente, e ainda com a vantagem de, no momento em que a mulher decide ter filhos, a volta da capacidade de engravidar também é muito rápida, você só precisa remover o DIU. Outra vantagem é que no DIU não há necessidade de hormônio, então mulheres que têm contra indicação para usar hormônio podem usar o DIU”, explica a coordenadora da Maternidade, Marília Luz.

Implanon

Em 2025, por meio de um projeto aprovado pela médica da Santa Casa e também professora da UFPA, Valéria Pontes,  junto à ONG Médicos sem Fronteiras, a Santa Casa recebeu 200 Implanons para serem disponibilizados exclusivamente para adolescentes atendidas na instituição. O Implanon também é um método contraceptivo de longa duração e pode ser colocado sob a pele do braço com  99% de eficácia para a prevenção da gravidez por até três anos.

“Inicialmente, nós recebíamos algumas unidades todos os anos, por meio de um convênio que eu tinha como professora da UFPA com um laboratório, com o objetivo de treinar os nossos residentes do último ano de ginecologia e obstetrícia para a inserção do implante. Ano passado, pudemos ampliar essa oferta, por meio da doação dos Médicos Sem Fronteiras e, agora, estamos nos organizando, do ponto de vista de treinamento da equipe toda, no contexto da própria instituição, para que a gente possa aumentar a nossa oferta de inserção de implanon”, explica Valéria.

Gravidez de risco na adolescência

Referência para o atendimento às gestantes de alto risco para todo o Estado, a Santa Casa também recebe em sua maternidade adolescentes para ter seus bebês ou para acompanhamento no Ambulatório da Mulher.

Por conta da imaturidade física e psicológica, as adolescentes podem ter complicações de saúde, que precisam ser prevenidas e tratadas durante a gravidez. A obstetra Marília Luz, ressalta alguns dos riscos à saúde que podem ser mais frequentes entre as adolescentes durante a gestação.

“A doença mais comum entre as gestantes  na adolescência é a pré-eclâmpsia grave, que  pode levar a outras complicações, como síndrome hellp, prematuridade, restrição do crescimento fetal e outras alterações”, explica a médica.

E foi em busca de garantir uma melhor perspectiva de saúde e bem-estar social para a filha e para a neta que Valdyrene Soares, mãe da adolescente J.R., levou a filha ao Ambulatório da Mulher, para que ela recebesse o Implanon.

“Eu estou cuidando de duas meninas, até durmo do lado delas, para a bebê não cair da cama. Quero que ela volte a estudar e por isso quero saber como vai ser a amamentação nesse período, estou vendo também com quem a bebê poderá ficar para que ela estude e eu possa trabalhar. Por isso, nós estamos aqui para colocar o Implanon, pois ela já vai ficar protegida de uma nova gravidez", afirma Valdyrene.

J.R. recebeu o Implante doado pela ONG Médicos Sem Fronteiras, que disponibilizou 200 unidades para o Ambulatório da Mulher da Santa Casa, por meio do projeto aprovado pela médica Valéria Pontes. 

A partir do próximo mês, o Implanon, que está sendo  distribuído pelo Ministério da Saúde para unidades que atendem mulheres pelo SUS, será disponibilizado pela Fundação Santa Casa. Para receber o implante é necessário ser paciente do Ambulatório da Mulher, regulada pelo sistema de regulação do Estado, ou estar internada na maternidade.