Ideflor-Bio e UFPA iniciam a elaboração do Macrozoneamento Ecológico-Econômico do Marajó
Estado e União avançam com a agenda estratégica voltada ao planejamento territorial e ao desenvolvimento sustentável do arquipélago, corrigindo uma lacuna histórica
O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) realizou, na quinta-feira (5), em Belém, uma reunião técnica com representantes do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea) e Núcleo de Meio Ambiente (Numa), da Universidade Federal do Pará (UFPA), para tratar dos trâmites iniciais necessários à elaboração do Macrozoneamento Ecológico-Econômico (MZEE) do Marajó. O encontro marcou mais um passo na agenda estratégica voltada ao planejamento territorial e ao desenvolvimento sustentável do arquipélago, situado no norte do Pará.
Na reunião foram discutidas as bases da parceria que envolve a construção de uma proposta técnica de macrozoneamento para o Marajó, a partir de estudos, diagnósticos socioambientais e análises territoriais conduzidas pela Universidade. O trabalho será desenvolvido pela equipe da instituição de ensino superior, que reúne pesquisadores com ampla experiência na formulação de políticas públicas ambientais e instrumentos de ordenamento territorial.
O Macrozoneamento Ecológico-Econômico do Marajó será uma peça-chave para a elaboração do Plano de Gestão da Área de Proteção Ambiental (APA) do Arquipélago do Marajó, já aguardado pela população local. O zoneamento permitirá definir diretrizes para o uso sustentável do território, conciliando conservação ambiental, atividades produtivas e melhoria da qualidade de vida das comunidades marajoaras.
Conquista histórica - O Ideflor-Bio ressalta que este é um instrumento estratégico de planejamento. No entanto, quando o macrozoneamento estadual foi concluído, em 2005, a região do Marajó não foi contemplada. A iniciativa atual busca suprir essa lacuna histórica, respeitando integralmente os trâmites institucionais e as instâncias deliberativas oficiais, como o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Coema), presidido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), do qual o Ideflor-Bio é membro.
A reunião também reforçou a necessidade de alinhamento institucional e transparência no processo de construção do documento, evitando qualquer interpretação de sobreposição ou desvio das normas legais. O objetivo é assegurar que o macrozoneamento seja elaborado obedecendo a critérios técnicos e participativos, e em consonância com o regramento ambiental vigente no Estado.
Justiça social - Para o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, o avanço da parceria com a UFPA representa um passo decisivo para corrigir uma dívida histórica com a região. “O Marajó ficou fora do macrozoneamento estadual, e isso impactou diretamente o ordenamento do território e as oportunidades de desenvolvimento sustentável. Construir esse documento, com base científica e diálogo institucional, é uma questão de justiça social, justiça climática e respeito à população marajoara, que espera há anos por um planejamento adequado para seu território”, afirmou.
A agenda dá continuidade ao Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre o Ideflor-Bio e a UFPA no dia 10 de novembro de 2025, durante o evento “Conexões Amazônicas: Justiça Climática e COP30”. O acordo prevê a execução de projetos conjuntos voltados ao fortalecimento da agenda socioambiental no Pará, incluindo, como uma das ações prioritárias, a elaboração do Macrozoneamento Ecológico-Econômico do Arquipélago do Marajó.
