Produtores recebem orientações da Adepará para proteger a mandiocultura no Estado
Em Bragança, com apoio do Mapa e da Secretaria de Agricultura do município, produtores de farinha aprenderam a identificar a praga que ameaça a mandioca
A mandioca, base da alimentação e da economia de muitas famílias paraenses, está no centro de uma grande mobilização preventiva no Estado. De olho na proteção das lavouras e da tradicional farinha de Bragança, a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) vem intensificando ações educativas junto aos produtores rurais.
O alerta ocorre porque o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prorrogou, por mais um ano, o estado de emergência fitossanitária relacionado à vassoura-de-bruxa da mandioca, uma doença causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae. A medida, oficializada pela Portaria nº 880, de 22 de janeiro de 2026, mantém as ações de prevenção e controle no Pará e no Amapá, diante do risco de avanço da praga.
Atualmente, no Pará, a doença está restrita ao Parque Ambiental do Tumucumaque, que abrange parte dos municípios de Almeirim e Oriximiná. Mesmo assim, o cuidado é redobrado para evitar que o problema chegue a outras regiões produtoras do estado.
Bragança: tradição e qualidade
Um dos principais focos das ações educativas foi o município de Bragança, na região do rio Caeté, reconhecido por produzir uma das farinhas que mais se destacam no Pará. A farinha lavada artesanal de Bragança, feita a partir da mandioca amarela fermentada em água, é um patrimônio da agricultura familiar e possui selo de Indicação Geográfica (IG), que atesta sua qualidade e origem.
Para proteger essa cadeia produtiva tão importante, a Adepará, em parceria com a Superintendência Federal de Agricultura (SFA/PA) e a Secretaria Municipal de Agricultura de Bragança, promoveu encontros em comunidades produtoras de farinha, associações de agricultores, feiras e mercados. Engenheiras agrônomas explicaram, de forma simples, como identificar os sintomas da vassoura-de-bruxa e quais cuidados devem ser adotados para evitar a entrada da praga nas lavouras.
Informação como principal defesa
Durante as atividades, os produtores receberam orientações sobre medidas básicas de biossegurança, como o cuidado com mudas, ferramentas e o trânsito de material vegetal entre propriedades.
Produtor de mandioca há anos, Euclides Paixão cultiva dois hectares e produz cerca de seis sacas de farinha por semana. Ele conta que ficou preocupado ao saber da ameaça.
“Quando ouvi falar da vassoura-de-bruxa, fiquei apreensivo com o impacto que isso pode ter na economia do município. Se essa praga chegar aqui, a produção será muito afetada. Precisamos aprender a proteger nossas lavouras”, afirmou.
A fiscal da Adepará, Marluce Bronze, reforça que não existe, até o momento, um produto químico eficaz contra o fungo. Por isso, a informação e a rapidez na comunicação são fundamentais.
“É essencial que o produtor reconheça os sintomas e avise imediatamente a Adepará ou a Secretaria de Agricultura. Quanto mais rápido o contato, maiores as chances de conter a doença e evitar que ela se espalhe”, explicou.
Ações para 2026
Além das ações já realizadas, Adepará, SFA/PA-MAPA e prefeitura de Bragança alinharam novas estratégias para 2026, como o treinamento de agentes de saúde e de endemias, que atuarão como multiplicadores de informações nas comunidades rurais. Também está em estudo a realização de uma Caravana de Educação Sanitária, reunindo técnicos de diferentes órgãos para ampliar o alcance das orientações.
Segundo a também fiscal da Adepará, Gabriela Cunha, a iniciativa vai além da questão produtiva. “Bragança é referência nacional em qualidade de farinha. Nosso trabalho é proteger não só a economia local, mas também uma tradição cultural que faz parte da identidade do município”, destacou.
Alcance das ações
Ao todo, as ações educativas alcançaram mais de 7 mil pessoas, incluindo trabalhadores de casas de farinha, produtores rurais, feirantes, associações de agricultores familiares e ouvintes de rádios locais — reforçando que, quando o assunto é defesa da agricultura, a informação ainda é a melhor prevenção.
Além das ações educativas, a Adepará intensificou o monitoramento das rotas de mandioca e até o momento considerando todo conjunto de ações realizadas, que incluem a fiscalização no trânsito, a educação sanitária e os levantamentos de detecção, não foram encontrados focos da praga no Pará.
