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DEFESA AGROPECUÁRIA

Produtores recebem orientações da Adepará para proteger a mandiocultura no Estado

Em Bragança, com apoio do Mapa e da Secretaria de Agricultura do município, produtores de farinha aprenderam a identificar a praga que ameaça a mandioca

Por Rosa Cardoso (ADEPARÁ)
04/02/2026 15h36
Distribuição de material educativo

A mandioca, base da alimentação e da economia de muitas famílias paraenses, está no centro de uma grande mobilização preventiva no Estado. De olho na proteção das lavouras e da tradicional farinha de Bragança, a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) vem intensificando ações educativas junto aos produtores rurais.

O alerta ocorre porque o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prorrogou, por mais um ano, o estado de emergência fitossanitária relacionado à vassoura-de-bruxa da mandioca, uma doença causada pelo fungo Rhizoctonia theobromae. A medida, oficializada pela Portaria nº 880, de 22 de janeiro de 2026, mantém as ações de prevenção e controle no Pará e no Amapá, diante do risco de avanço da praga.

Atualmente, no Pará, a doença está restrita ao Parque Ambiental do Tumucumaque, que abrange parte dos municípios de Almeirim e Oriximiná. Mesmo assim, o cuidado é redobrado para evitar que o problema chegue a outras regiões produtoras do estado.

Bragança: tradição e qualidade 

Orientação sobre a praga para nas feiras do município

Um dos principais focos das ações educativas foi o município de Bragança, na região do rio Caeté, reconhecido por produzir uma das farinhas que mais se destacam no Pará. A farinha lavada artesanal de Bragança, feita a partir da mandioca amarela fermentada em água, é um patrimônio da agricultura familiar e possui selo de Indicação Geográfica (IG), que atesta sua qualidade e origem.

Para proteger essa cadeia produtiva tão importante, a Adepará, em parceria com a Superintendência Federal de Agricultura (SFA/PA) e a Secretaria Municipal de Agricultura de Bragança, promoveu encontros em comunidades produtoras de farinha, associações de agricultores, feiras e mercados. Engenheiras agrônomas explicaram, de forma simples, como identificar os sintomas da vassoura-de-bruxa e quais cuidados devem ser adotados para evitar a entrada da praga nas lavouras.

Informação como principal defesa

Ações educativas em equipamentos públicos da cidade de Bragança

Durante as atividades, os produtores receberam orientações sobre medidas básicas de biossegurança, como o cuidado com mudas, ferramentas e o trânsito de material vegetal entre propriedades.

Produtor de mandioca há anos, Euclides Paixão cultiva dois hectares e produz cerca de seis sacas de farinha por semana. Ele conta que ficou preocupado ao saber da ameaça.
“Quando ouvi falar da vassoura-de-bruxa, fiquei apreensivo com o impacto que isso pode ter na economia do município. Se essa praga chegar aqui, a produção será muito afetada. Precisamos aprender a proteger nossas lavouras”, afirmou.

A fiscal da Adepará, Marluce Bronze, reforça que não existe, até o momento, um produto químico eficaz contra o fungo. Por isso, a informação e a rapidez na comunicação são fundamentais.

“É essencial que o produtor reconheça os sintomas e avise imediatamente a Adepará ou a Secretaria de Agricultura. Quanto mais rápido o contato, maiores as chances de conter a doença e evitar que ela se espalhe”, explicou.

Ações para 2026

Conversa com produtores rurais nas propriedades produtoras de farinha

Além das ações já realizadas, Adepará, SFA/PA-MAPA e prefeitura de Bragança alinharam novas estratégias para 2026, como o treinamento de agentes de saúde e de endemias, que atuarão como multiplicadores de informações nas comunidades rurais. Também está em estudo a realização de uma Caravana de Educação Sanitária, reunindo técnicos de diferentes órgãos para ampliar o alcance das orientações.

Segundo a também fiscal da Adepará, Gabriela Cunha, a iniciativa vai além da questão produtiva. “Bragança é referência nacional em qualidade de farinha. Nosso trabalho é proteger não só a economia local, mas também uma tradição cultural que faz parte da identidade do município”, destacou.

Alcance das ações

Ações de educação em roças da agricultura familiar

Ao todo, as ações educativas alcançaram mais de 7 mil pessoas, incluindo trabalhadores de casas de farinha, produtores rurais, feirantes, associações de agricultores familiares e ouvintes de rádios locais — reforçando que, quando o assunto é defesa da agricultura, a informação ainda é a melhor prevenção.

Além das ações educativas, a Adepará intensificou o monitoramento das rotas de mandioca e até o momento considerando todo conjunto de ações realizadas, que incluem a fiscalização no trânsito, a educação sanitária e os levantamentos de detecção, não foram encontrados focos da praga no Pará.