Emater instala hortas suspensas com palmeiras de açaí em Barcarena
Projeto faz o reaproveitamento sustentável do produto descartado no processo de manejo de açaizeiros na várzea e pode ser fonte de renda para comunidade
Ribeirinhos do Rio Arauaia, na Comunidade São Felipe, em Barcarena, nordeste estadual, agora têm uma horta suspensa em uma área de várzea para a horticultura da região. Com o apoio do Governo do Pará, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater-Pará), os produtores da horta terão redução de custos de manutenção de seus açaizais.
"A horta suspensa está beneficiando 10 famílias ribeirinhas, que se juntaram em um só objetivo em busca de maior qualidade de vida. Com o auxílio da Emater, estamos aprendendo a cultivar e manter nossas hortas agroecológicas, visando a sustentabilidade e a preservação da natureza, tendo em foco esse trabalho que atua com materiais tirados diretamente da natureza sem agredi-la", disse Elka Clara, produtora de cacau de várzea na região de Barcarena.
Para ela, a ideia é que, futuramente, a horta possa ser usada como fonte de renda para os ribeirinhos da comunidade do entorno do Rio Arauaia. "Esse é o objetivo de buscar renda com sustentabilidade da natureza, mas também impactando a economia local, porque não temos renda e a horta será uma fonte de renda extra para os ribeirinhos da comunidade", completou.
Segundo o técnico do escritório local de Barcarena, o engenheiro agrônomo, Raimundo Maciel, responsável pelo projeto, a implantação das hortas agroecológicas visa o aproveitamento dos estipes dos açaizeiros descartados no processo de manejo dos açaizais em áreas de várzeas, na retirada do palmito.
“Nesse processo são também aproveitados os palmitos dos estirpes dos açaizeiros tombados, os quais são comercializados com atravessadores locais, que os negociam com as palmiteiras regionais”, explicou.
Até o momento, dez famílias estão sendo beneficiadas e terão a alternativa de renda das ilhas quando chega a entressafra do açaí, no chamado período do “inverno amazônico”.
“Essa é a maneira pela qual os ribeirinhos do rio Arauaia diminuem os custos de manutenção de seus açaizais, normalmente instalados juntos a cacauais, na várzea alta de seus estabelecimentos rurais. Nas hortas iremos plantar alface, cebolinha, couve, cheiro verde, chicória, alfavaca, para que eles possam usar na alimentação deles e que também possam vendê-los, para ter uma renda extra, fortalecer e enriquecer o cardápio dessas famílias, garantindo a segurança alimentar”, disse.
De acordo com o engenheiro agrônomo, um operário extrai, em média, 50 palmitos, em quatro horas de jornada de trabalho, que são comercializados a R$2,30 a unidade. Esse montante lhe rende o valor de R$115,00, o qual equivale ao custo do operador com uma motosserra, em quatro horas de serviço.
O grupo de dez famílias ribeirinhas uniu forças para transformar a realidade local por meio da agroecologia. O projeto de horta suspensa, desenvolvido com o apoio técnico da Emater, foca no cultivo sustentável e cria uma rede de apoio entre a comunidade e a Emater-Pará, que leva apoio técnico, assistência e meio de garantia de segurança alimentar aos moradores.
“Nessa conversa com a Emater surgiu a ideia da horta suspensa, porque a gente via a precisão de termos aqui, como é uma área de difícil acesso às margens ribeirinhas. De início era um projeto. E quando nós reunimos os produtores das dez famílias, foi muito bem aceito pela comunidade e eu me sinto muito feliz que nós estamos sendo beneficiados com muitos outros projetos que a Emater tem trazido para nós”, finalizou.
