CIIR reúne quadrinistas regionais e fortalece inclusão cultural e incentivo à leitura
Programação contou com círculo de cultura e exposição de quadrinhos que acolhem, educam e representam a Amazônia
Para celebrar o Dia do Quadrinho Nacional, celebrado nesta sexta (30), o Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação (CIIR) promoveu uma programação dedicada à leitura, memória e identidade cultural. A ação foi conduzida pela bibliotecária Andreza Leão, da Biblioteca Inclusiva do CIIR, e contou com a participação de três quadrinistas do Coletivo Kitnet, grupo de artistas amazônidas que atuam de forma independente na produção e difusão de histórias em quadrinhos com identidade regional.
O evento reuniu usuários em atendimento, acompanhantes, colaboradores e artistas locais em um círculo de cultura e em uma exposição realizada no CIIR. A iniciativa proporcionou troca de experiências e descoberta por meio dos quadrinhos brasileiros, com destaque para produções amazônicas.
A proposta foi apresentar os quadrinhos como ferramenta de incentivo à leitura, valorização cultural e inclusão, dialogando com públicos de diferentes idades e formas de interação com o universo literário. Durante a roda de conversa, Andreza Leão destacou a importância das histórias em quadrinhos na formação de leitores, especialmente na infância: “A criança passa por fases: primeiro lê a imagem, depois as palavras. O quadrinho contribui muito nesse início”.
A bibliotecária também ressaltou o papel das histórias em quadrinhos nacionais na valorização cultural e no fortalecimento da identificação do leitor com as narrativas: “Elas trazem lembranças, cenas do cotidiano e elementos da nossa história, aproximando crianças e adultos”. Trabalhar o quadrinho nacional, segundo ela, é também preservar memórias e transmiti-las às novas gerações de forma acessível e sensível.
Representatividade e identidade amazônica
A participação do Coletivo Kitnet ampliou o debate sobre a construção de personagens e narrativas a partir da vivência amazônica. A quadrinista Mandy Modesto, professora, ilustradora e editora do coletivo, destacou que o encontro no CIIR foi pensado para discutir representação com responsabilidade: “Falamos de personagens com DNA amazônico, sem recorrer ao caricato”.
Segundo Mandy, as obras dialogam tanto com o universo das encantarias quanto com a Belém Urbana, suas ruas, arquiteturas, cores e memórias afetivas. “A cidade também se torna personagem. Ela participa da história”, explicou. As referências vêm de pessoas reais, lugares conhecidos e experiências dos próprios artistas, fortalecendo a conexão com o público. Para a quadrinista, levar essas produções a espaços como o CIIR é fundamental para formar leitores e valorizar artistas locais.
Acervo valoriza autores regionais
A exposição literária reuniu obras do acervo da Biblioteca Inclusiva do CIIR e publicações trazidas pelo Coletivo Kitnet, oferecendo um panorama diverso da produção de quadrinhos amazônidas. Entre os títulos estavam trabalhos de autores regionais como Lendas Urbanas e Tailos, além de obras infantis que abordam temas como medo, identidade e imaginação.
Também foram apresentados quadrinhos premiados ou indicados a importantes reconhecimentos nacionais, como A Viagem de Maíra, inspirado na lenda da Boiúna, e Semana do Cão, que acompanha as aventuras de um vira-lata caramelo pelas ruas de Belém. Outras obras abordaram imigração, sensibilidade, protagonismo feminino e narrativas sem texto, evidenciando a diversidade estética e temática da produção local.
Experiência que acolhe e transforma
Para as famílias presentes, a atividade foi marcada por surpresa e emoção. Miriam Soares, mãe de Bruno Raphael, de cinco anos, usuário com Transtorno do Espectro Autista (TEA) atendido pelo CIIR, acompanhou o envolvimento do filho com os livros: “Ele se encantou com as cores e ficou concentrado. Ele lê do jeito dele, mas está lendo”.
Segundo Miriam, o contato com os quadrinhos despertou ainda mais o interesse do filho pela leitura e pelas imagens: “Ele gosta de pintar e de livros. Ver ele ali, quietinho e atento, foi muito especial”.
Data celebra a história dos quadrinhos no Brasil
Comemorado em 30 de janeiro, o Dia do Quadrinho Nacional homenageia Ângelo Agostini, um dos pioneiros das histórias em quadrinhos no País. A data é marcada por eventos e ações que valorizam a produção nacional.
A atividade realizada no CIIR integra esse movimento ao reafirmar o compromisso da instituição com a cultura, a identidade amazônica e o acesso à leitura como direito de todos. Ao unir quadrinhos, inclusão e afeto, o CIIR demonstra que as histórias também são instrumentos de cuidado, aprendizado e pertencimento.
Referência para PcD - O Centro Integrado de Inclusão e Reabilitação é referência no Pará em assistência de média e alta complexidade a Pessoa com Deficiência (PcD) visual, física, auditiva e intelectual. Os usuários podem ter acesso aos serviços do Centro por meio de encaminhamento das unidades de Saúde, acolhidos pela Central de Regulação de cada município, que por sua vez encaminha à Regulação Estadual. O pedido será analisado conforme o perfil do usuário pelo Sistema de Regulação Estadual (SER).
Serviço: O CIIR é um órgão do governo do Pará, administrado pelo Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). Funciona na rodovia Arthur Bernardes, nº 1000, bairro Val-de-Cães, em Belém.
Texto: Tarcísio Barbosa - Ascom CIIR
