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Novas unidades de conservação municipais impulsionam economia e sustentabilidade

Ideflor-Bio apoia diretamente sete UCs em Salvaterra, Concórdia do Pará, São João de Pirabas, Bujaru, Igarapé-Açu, Igarapé-Miri e Jacareacanga

Por Vinícius Leal (IDEFLOR-BIO)
08/01/2026 08h00

O Pará tem dado saltos expressivos na política ambiental descentralizada com a criação e o fortalecimento de unidades de conservação (UCs) municipais, que passaram a aliar a preservação da natureza à valorização cultural e à geração de renda. Com apoio técnico do governo do Estado, por meio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), esses espaços passaram a integrar de forma mais ativa o desenvolvimento sustentável das economias locais, especialmente na área do ecoturismo.

As unidades municipais também contribuem para a conservação das belezas naturais

A Diretoria de Gestão da Biodiversidade (DGBio), do Ideflor, apoiou diretamente sete UCs municipais em Salvaterra, Concórdia do Pará, São João de Pirabas, Bujaru, Igarapé-Açu, Igarapé-Miri e Jacareacanga, alcançando diversas regiões, do Marajó ao Sudoeste. O trabalho envolveu assessoria técnica, orientação legal e fortalecimento institucional das gestões municipais, ampliando a presença da política ambiental nos territórios.

Em 2025, três UCs foram oficialmente criadas. Em Salvaterra, no Arquipélago do Marajó, o Bosque Municipal Mata do Bacurizal e a UC Lago Caraparu, e no município de Concórdia do Pará, nordeste paraense, o Bosque Municipal Pedro Desingrini. As novas áreas passaram a proteger fragmentos importantes de vegetação nativa, recursos hídricos e paisagens naturais, além de abrir possibilidades para o turismo de base comunitária.

Apoio técnico - Como parte do suporte aos municípios, o Ideflor-Bio também publicou o Roteiro e Orientações para a Criação de Unidades de Conservação da Natureza Municipais no Estado do Pará, instrumento que organiza procedimentos técnicos e legais, e facilita a adesão dos municípios à política estadual de conservação ambiental. A medida busca padronizar processos e estimular a criação de áreas protegidas no âmbito municipal.

A analista ambiental do Ideflor-Bio, Jocilete Freitas, ressalta que o fortalecimento das UCs municipais representa um passo estratégico para integrar os 144 municípios do Pará às políticas estaduais de sustentabilidade. Segundo ela, esses espaços contribuem diretamente para a adaptação às mudanças climáticas, à preservação da fauna e da flora, e à conservação de nascentes e rios, além de incentivarem a sensibilização ambiental entre as comunidades.

Proteção - Atualmente, o Pará conta com 42 Unidades de Conservação da Natureza Municipais, sendo 19 do grupo de Proteção Integral e 23 de Uso Sustentável, que juntas somam 88.019,89 hectares de áreas protegidas sob gestão municipal.

Jocilete Freitas destaca ainda que há perspectivas concretas de ampliação desse número nos próximos anos, com apoio a mais de 50 municípios interessados em criar suas próprias áreas protegidas.

De acordo com o Ideflor, esse avanço é impulsionado pelo Sistema Estadual de Unidades de Conservação (Seuc), que introduz a categoria de manejo “Bosque Municipal”. A modalidade contempla áreas públicas de menor extensão, com presença de vegetação nativa ou em recuperação, localizadas dentro ou no entorno das sedes urbanas, vilas e áreas de fácil acesso. Para o Instituto, a categoria abre caminho para a criação de novas áreas verdes urbanas e periurbanas em todo o Estado.

Os espaços de preservação ambiental também incentivam o turismo e o esporte

Ecoturismo e economia - Em Salvaterra, os impactos positivos já começam a ser percebidos. O secretário municipal de Meio Ambiente, Igor Barros, informa que o Bosque Municipal Mata do Bacurizal tem papel estratégico na movimentação do ecoturismo e da economia local. “Salvaterra é próximo de Belém, e possui uma cultura rica. O Bosque permite que moradores e visitantes observem fenômenos naturais da Baía do Marajó, como a influência das águas do Atlântico no verão, e do Rio Amazonas no inverno”, acrescenta o secretário.

O Ideflor-Bio destaca que as Unidades de Conservação Municipais vêm se consolidando como instrumentos eficazes de preservação ambiental e desenvolvimento econômico no Pará. Para o presidente do Instituto, Nilson Pinto, ao aproximar a gestão ambiental do cotidiano das cidades o Pará fortalece a proteção do patrimônio natural e cria oportunidades de renda e valorização cultural para as populações locais.

“Os resultados alcançados em 2025 demonstram que investir nas Unidades de Conservação Municipais é investir diretamente no futuro do Pará. Ao apoiar os municípios na criação e no fortalecimento dessas áreas, o Ideflor-Bio contribui para a proteção da biodiversidade, o enfrentamento das mudanças climáticas e a geração de oportunidades econômicas sustentáveis, especialmente por meio do ecoturismo e da valorização das identidades locais”, ressalta Nilson Pinto.