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Escola Estadual de Tempo Integral promove protagonismo e inclusão com projeto de fantoches, em Quatipuru

A iniciativa, desenvolvida por um estudante diagnosticado com TEA, destaca a importância da arte no processo educativo

Por Fernanda Cavalcante (SEDUC)
29/08/2025 15h13
O Clube Juvenil de Fantoches foi idealizado pelo estudante Vitor Hugo Martins, que contou com o apoio da gestão e professores da unidade

Na Escola Estadual de Tempo Integral João Paulo I, em Quatipuru, Região de Integração do Rio Caeté, a arte é mais que uma disciplina: é uma ferramenta de inclusão, que reforça a importância de conhecer as realidades e incentivar práticas inovadoras no ambiente escolar. Dessa forma, surgiu o Clube Juvenil de Fantoches, idealizado pelo estudante da 3ª série do Ensino Médio, Vitor Hugo Martins, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Com apoio da gestão e de professores da unidade, o estudante mobilizou a comunidade escolar em torno de um interesse comum: a criação de personagens, peças e narrativas com temáticas que abordam as necessidades da comunidade e soluções para os desafios locais, sempre utilizando garrafas PET, meias, botões e outros materiais reciclados. Ou seja, os resíduos são transformados em expressão artística.

Por meio da confecção de fantoches e das apresentações artísticas, o estudante encontrou uma forma de ampliar a comunicação, fortalecer vínculos e valorizar a diversidade. As atividades são realizadas dentro do clube juvenil da escola e funcionam em oficinas criativas que envolvem outros alunos e promovem o trabalho em equipe.

“Me sinto bem feliz por ter conseguido desenvolver esse Clube Juvenil, ter passado pelas etapas de direcionar várias pessoas de turmas diferentes, e me sinto realizado por conseguir levar e transformar um simples clube de confecção de fantoches em uma futura apresentação no final do ano. Eu consegui encontrar um jeito de fazer, passar conhecimento e me relacionar com os alunos que me acompanham no clube. Estudar em uma escola de tempo integral é ser também um aluno protagonista”, compartilhou Vitor Hugo Martins.

Os fantoches são criados sempre utilizando garrafas PET, meias, botões e outros materiais reciclados. Ou seja, são resíduos transformados em expressão artística

Segundo o professor de Arte, Johnny Kepller, um dos responsáveis por acompanhar o desenvolvimento do projeto na escola, a iniciativa demonstra a importância de dar voz aos estudantes. “Importante ressaltar que a liderança do discente desestabilizou estigmas e preconceitos antes associados à sua condição. O profundo conhecimento temático e a habilidade criativa do estudante o colocaram em uma posição de expertise, invertendo lógicas tradicionais de poder e competência dentro do ecossistema escolar”, explicou.

À frente dos componentes curriculares de Sociologia, Filosofia e Projeto de Vida, o professor Manoel Rosário, que também faz parte do projeto, ressalta que o Clube Juvenil de Fantoches estimula o desenvolvimento pessoal e acadêmico dos estudantes, ao mesmo tempo em que reforça o compromisso do Ensino Médio Integral com a formação pessoal do estudante protagonista. “O Vitor Hugo é apenas um entre muitos alunos que têm feito trabalhos brilhantes na nossa escola e, para nós, é uma grande alegria saber que ele é uma pessoa tão talentosa. Para nós, como professores, o Vitor leva essa missão do protagonismo juvenil e a escola está de parabéns porque nos deu oportunidade”, disse.

Destaque - A iniciativa ultrapassou os muros da escola e despertou o interesse da comunidade acadêmica. Com base no Clube Juvenil, os professores Johnny Kepller e Manoel Rosário, que estão cursando o mestrado profissional na Universidade Federal do Pará (UFPA), escreveram o artigo “Arte, inclusão e protagonismo: a experiência artística no Clube Juvenil de um estudante com TEA no Ensino Médio Integral", sob a orientação da professora mestra Rafaela Alcântara, e inscreveram o projeto no XI Fórum Bienal de Pesquisa em Artes e na III Jornada Arte/Educação Prof-Artes, promovidos pela Universidade Federal do Pará (UFPA), que ocorreu entre os dias 24 a 28 de agosto.

O professor Kepller ressalta que a experiência demonstra como o Ensino Médio em Tempo Integral amplia as oportunidades para que os estudantes desenvolvam talentos, autonomia e protagonismo. Ele ainda avalia a participação no evento como uma oportunidade. “Eu nunca havia participado do Fórum Bienal e foi uma experiência muito boa. Realmente, a gente tem que agradecer as oportunidades que a direção da escola e a própria Seduc têm proporcionado nesse modelo”, afirmou o educador.

“Foi uma grande honra participar do meu Fórum Bienal de Pesquisa em Arte, juntamente com o professor Johnny. Nós escrevemos esse material falando a respeito do trabalho do nosso querido aluno Vitor Hugo, e, assim, nós, através desse trabalho, concretizamos e efetivamos o fruto de um trabalho que tem sido bem feito aqui na comunidade”, ressaltou o professor Manoel Rosário. 

Para o estudante, ser inspiração para um artigo importante desenvolvido pelos professores é motivo de orgulho e gratidão. “Eu, um aluno do interior do Pará, numa escola estadual do interior, consegui realizar um Clube Juvenil e, com isso, participar de um evento como o Fórum Bienal de Arte da UFPA, é muito gratificante. Deixo um recado para todos os estudantes do Pará e do Brasil: com apoio você consegue chegar a lugares que nem mesmo você iria acreditar. Eu mesmo não acreditei que conseguiria chegar lá na Bienal e consegui. Então, confie em você e em algum momento você vai conseguir também receber o reconhecimento que você merece”, concluiu Vitor Hugo.

A iniciativa ultrapassou os muros da escola e também despertou o interesse acadêmico, por meio dos professores que estão levando a experiência para outros níveis de educação

Tempo Integral - Para 2025, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) efetivou mais 49 unidades que adotaram o Programa de Ensino Integral (PEI), totalizando 161 escolas com esse modelo pedagógico.

Além do aumento no número de escolas, o impacto positivo dessa expansão é claramente visível no crescimento das matrículas. Em 2018, as escolas na modalidade integral no Pará atendiam 6 mil alunos; em 2025 houve um salto para 48 mil matrículas, um aumento oito vezes maior na capacidade de atendimento. Um resultado que reflete o compromisso do Estado em proporcionar mais oportunidades aos estudantes, com o acesso a uma educação integral de qualidade.

Com essa expansão, o Pará consolida um modelo de educação que busca a equidade e a excelência, garantindo que mais estudantes tenham acesso a uma formação educacional integral que prioriza o conhecimento e o desenvolvimento humano.