Com Emater, piscicultor de Capitão-Poço recebe incentivo financeiro para produção
'O Fomento Rural é um incremento sustentável da atividade, representa a viabilidade financeira', destaca engenheiro agrônomo da Emater, José Pio Jr
Conforme palavras próprias, o sonho de Francisco dos Santos, de 58 anos, morador da zona rural de Capitão-Poço, no Rio Capim, acompanhado pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), é viver de piscicultura: “Eu penso assim: criar meu peixe sendo suficiente para o sustento, conforto, comida e para o lucro. Que vire um negócio de verdade”, conta.
Terra de herança, o Sítio São Francisco constitui cerca de 30 hectares dentro da comunidade Carrapatinho, no assentamento federal Pau Amarelo: ali, junto com lavouras de laranja, mandioca e maracujá, existem três tanques-escavados, com capacidade usual para mais dois mil e 200 tambaquis. A próxima despesca está prevista para novembro.
Ano passado, por meio da Emater, Santos e a esposa, Maria Irisnete Nascimento, de 52 anos, receberam recursos do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais (Fomento Rural), parceria do Governo do Pará com o governo federal para incentivo a empreendimentos da agricultura familiar. Sob orientação da equipe extensionista, os R$ 4 mil e 600, que não precisarão ser pagos de volta, foram utilizados sobretudo para comprar alevinos e ração e instalar um ponto de eletricidade no açude.
“O Fomento Rural é um disparo de incrementação sustentável da atividade, porque representa a viabilidade financeira e tira as ideias do papel: o piscicultor retoma, expande, melhora os sistemas. O resultado vai se somando em curto, médio e longo prazos: mais produtividade, produto de mais qualidade, segurança alimentar e nutricional e geração de renda”. resume o engenheiro agrônomo José Pio de Miranda Jr., do escritório local da Emater em Capitão-Poço.
Ver-o-Peixe
O projeto da Emater do Fomento Rural aos Santos-Nascimento foi elaborado para se incorporar estrategicamente ao projeto Ver-o-Peixe, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra). Desde 2021, a experiência da família com piscicultura vem sendo fortalecida com as tecnologias sociais difundidas em caráter multiinstitucional.
“Eu crio peixe há 15 anos, mas meu jeito era rústico, sem avanço. Quando a Embrapa e a Ufra chegaram, mudou muita coisa”, conta Santos.
No Dia de Campo Projeto Ver-o-Peixe, na quinta-feira (28), no auditório do Campus da Ufra, em Capitão-Poço mesmo, Santos contou sua história. “Eu fiquei até amuado quando me convidaram, porque não sei ler e nem escrever, sou um homem rude. Mas, chegando, entendi que conhecimento é muito além: eu tenho caminho andando, tenho esta sabedoria, acho que dá para todo mundo trocar saber, a situação é demais honrosa e me torna muito feliz”, emociona-se.
Ainda, o engenheiro florestal Márcio Nagaishi, mestre em ciências florestais, lotado na Unidade de Assistência Técnica e Extensão Rural, Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (Uaterp) da Emater, em Belém, apresentou o Programa Fomento Rural para em torno de 80 agricultores familiares, profissionais e estudantes.
A programação completa do evento incluiu palestras sobre dados da piscicultura familiar em Capitão-Poço, sobre biometria como ferramenta digital e sobre aquaponia.
Atualidade
Em Capitão-Poço, a Emater atende, na atualidade e de modo direto, a 15 famílias que cultivam tambaqui e tilápia em tanques-escavados e tanques-suspensos. A piscicultura é uma alternativa de trabalho, renda e segurança alimentar.
“A diversificação de atividades é uma prática consolidada nas propriedades da agricultura familiar do município: além da tradição expressiva de citrus, que situa Capitão-Poço como o maior produtor do estado, os agricultores trabalham com abacaxi, açaí, avicultura, cacau, caprinocultura, dendê, mandioca, pecuária, pimenta-do-reino e suinocultura”, enumera o chefe do escritório local da Emater em Capitão-Poço, o veterinário Raimundo Nunes, especialista em Pastagem e Produção Animal no Trópico Úmido.
Texto de Aline Miranda