Hospital Oncológico Infantil promove oficina de bonecas de pano para mães de pacientes
Iniciativa uniu criatividade, sustentabilidade e acolhimento, fortalecendo o vínculo entre mães e oferecendo um momento de cuidado emocional no ambiente hospitalar

Mães que acompanham os filhos em tratamento contra o câncer no Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol) participaram nesta quinta-feira (28) de uma oficina de confecção de bonecas de pano. A iniciativa integra o projeto “Mãos Arteiras” e foi conduzida pelos voluntários da capelania Hospitalar da Igreja Angelim, no ateliê GAIA (Gerar Amor, Ideias e Arte), da instituição de saúde.
A ideia é ensinar um artesanato sustentável com a reutilização de materiais têxteis, por meio de uma atividade criativa e terapêutica, que além de promover o acolhimento e a escuta dessas mulheres, possibilita uma oportunidade de renda extra. Entre linhas, tecidos e fitilhos, surgiram não apenas bonecas, mas também laços de solidariedade e leveza em meio à rotina de internação. As alunas também desenvolvem habilidades em corte, costura, enchimento e montagem.
Katiane Alves, membro da equipe de humanização, destaca que as oficinas amenizam o estresse decorrente do processo de hospitalização e promovem a consciência ambiental. “As atividades oferecem uma pausa, um momento de relaxamento para que essas mulheres possam conversar, desabafar e até mesmo trocar conhecimento referente ou não a questão de internação. O trabalho manual aproxima as pessoas, traz uma sensação de conforto e confiança. Inclusive, esse vínculo pode até ser expandido para fora do hospital, fazendo com que essas mães ainda mantenham contato, tanto com a equipe como entre elas”, afirmou.
“A rotina de uma mãe com filho internado é muito desgastante. Portanto, as atividades auxiliam no equilíbrio emocional de todos os envolvidos. O hospital deixa de ser um espaço onde somente acontece todos aqueles procedimentos médicos e passa também a ser um espaço acolhedor para essa mãe, esse pai. Isso reforça a ideia de que cuidar vai além do cuidado físico. Cuidar também envolve sentimentos, envolve companheirismo, socialização, e a promoção da dignidade”, ressaltou Katiane.

Uma das participantes foi a dona de casa Elenice Fagundes, de 34 anos, moradora do bairro do Telégrafo. O filho Enzo Fagundes, de 8 anos, enfrenta uma recidiva do câncer. “É bom ter alguma coisa para fazer nesse momento tão delicado. A cabeça fica a mil, pensando em várias coisas. Esse convite foi uma distração, uma forma de esquecer um pouco da tempestade. Quando a gente começa a fazer os cabelinhos, os olhinhos, e vê tomando forma é tão legal, fica tão lindo”, disse.
A atividade também emocionou Maria Furtado, 46 anos, mãe de uma paciente em tratamento oncológico. Vinda do município de Viseu, ela já participou de outras edições do projeto e conta que cada oficina se transforma em uma memória afetiva. “Foi bom demais, porque minha filha gostou. Eu mesma nunca tinha feito, mas aqui a gente aprende junto. É um jeito de ocupar a mente, de esquecer um pouco a rotina difícil do hospital. Cada boneca virou uma lembrança especial”, relatou.
Texto: Leila Cruz- Ascom/Hoiol