Custodiados da Seap realizam ação de limpeza no cemitério do Tapanã
Parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Belém, permite que 50 custodiados da Unidade de Reinserção de Regime Semiaberto de Santa Izabel (URRS) realizem a ação de limpeza de uma das maiores necrópoles de Belém

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), em parceria com a Prefeitura de Belém, iniciou nesta quinta-feira (3) mais uma grande ação de limpeza, desta vez no Cemitério do Tapanã. Essa iniciativa faz parte do projeto "Belém Limpa", lançado em janeiro deste ano. O mesmo trabalho de manutenção e limpeza já havia sido realizado por 100 custodiados nos cemitérios: Santa Izabel, no bairro do Guamá, e no Cemitério São Jorge, na Marambaia, os dois maiores da capital paraense.
Até recentemente, o cenário no Cemitério do Tapanã era de total abandono, com mato alto e grande acúmulo de lixo, dificultando a identificação e localização dos túmulos. A ação de limpeza e manutenção traz benefícios para a população e, ao mesmo tempo, permite a ressocialização dos custodiados por meio do trabalho.

Lucas Brito, assistente administrativo da Diretoria de Trabalho Prisional (DTP) da Seap, ressalta que essa iniciativa é vista como uma forma de ressocialização, agregando qualificação profissional aos internos e facilitando sua reinserção na sociedade.
“Isso contribui para a melhoria da cidade e beneficia os cidadãos que utilizam esses espaços, tornando-os mais limpos e salubres. Os internos também têm a oportunidade de sair da unidade, interagir com a sociedade e aprender uma profissão. A Seap enxerga essas oportunidades como fundamentais para a reintegração social dos custodiados e para minimizar os impactos causados por eles no passado”, explica Brito.

Para garantir a segurança dos trabalhadores e frequentadores do cemitério, policiais penais da Seap acompanharam toda a atividade. A policial penal Natália destacou que ações como essa também ajudam na segurança pública e na reinserção dos internos.
“A atividade de reinserção é essencial tanto para os internos quanto para a sociedade. Eles aprendem uma profissão, têm a pena reduzida e, ao mesmo tempo, contribuem para a segurança pública, já que a limpeza dessas áreas melhora a visibilidade e a manutenção dos espaços públicos”, afirma Natália.

Oportunidade de transformação
Para Odiel Chaves Nunes, de 48 anos, a iniciativa representa uma oportunidade única de demonstrar à sociedade o esforço de reinserção social promovido pela Seap. Ele vê o trabalho como um novo caminho para reconstruir sua vida após o cumprimento da pena.

"Para mim, este é um momento único. O Governo e a Prefeitura estão nos dando essa oportunidade, e isso nos deixa felizes. Estou contente por poder remir minha pena e mostrar à sociedade que tenho valor. Sou grato por essa chance", declara Odiel.

A satisfação de contribuir para a população motiva ainda mais o interno, que enxerga no trabalho a chance de se redimir dos erros do passado e provar sua reabilitação para retornar ao convívio social e familiar.
"Este é um momento muito especial para mim. Quero demonstrar à minha família, que tanto amo, e também às famílias que visitam este local, que estou mudando. Apesar dos erros, estou trilhando um caminho de transformação. Fico feliz por ser útil não apenas para minha família, mas para toda a sociedade", enfatiza Odiel.

Já Matheus Henrique de Moraes Silva, de 27 anos, reconhece o trabalho como um meio essencial para a mudança de vida e para um retorno digno à sociedade. “Nós queremos voltar à sociedade como pessoas honestas, trabalhadoras, e não cometer os mesmos erros do passado. Tivemos essa oportunidade e queremos aproveitá-la”, afirma Matheus.
Além do benefício pessoal, ele também destaca a importância do serviço prestado à população. "Já limpamos três cemitérios que estavam abandonados e pouco visitados. Agora, com a limpeza, os familiares podem reencontrar os túmulos de seus entes queridos. Acredito que a sociedade começará a enxergar nosso trabalho de outra forma", finaliza Matheus.
Texto: Márcio Sousa - Ascom/Seap