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COP 30

Governador defende destaque internacional do Pará na neutralização de emissões de carbono

O governador do Estado, Helder Barbalho, participou de um debate sobre COP 30 promovido pelos veículos de comunicação O Globo, Valor Econômico e CBN, em Belém

Por Igor Nascimento (SEMAS)
03/04/2025 14h07

Protagonista na agenda ambiental e climática em escala global, o Pará se consolida como centro das discussões estratégicas sobre o futuro do planeta, além disso, o estado busca também se posicionar como um player internacional para a neutralização das emissões de gases do efeito estufa. Foi o que defendeu, nesta quinta-feira (3), o governador do Estado, Helder Barbalho, durante um debate promovido pelos veículos de comunicação O Globo, Valor Econômico e CBN, com o tema "COP 30: momento decisivo para o enfrentamento da crise climática global", em Belém. 

O evento contou com a participação de autoridades e especialistas, que debateram sobre o que a maior e mais importante conferência mundial sobre mudanças climáticas representa para o Brasil e o que o mundo espera. 

O governador do Pará participou do painel "A floresta em foco: o que o Brasil e o mundo esperam da COP 30", ao lado de Paulo Artaxo, Professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP); André Guimarães, Membro do Grupo Estratégico da Coalizão Brasil e Diretor Executivo do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM); além de Rafaela Guedes, consultora independente e membro do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI); e Ana Lucia Azevedo, repórter especial do Jornal O Globo. 

Entre os presentes estiveram o prefeito de Belém, Igor Normando, e o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Fernando Ribeiro.

O governador explicou que o Pará está construindo seu sistema jurisdicional de REDD+, que permite medição e certificação dos créditos de carbono gerados pela redução do desmatamento. 

"O mercado de carbono é uma grande oportunidade para o nosso perfil de desafio. É importante que nós possamos ter isto em mente. O norte global, ele está lá com o seu modelo de desenvolvimento voltado para a indústria, voltado para estratégias que hoje impulsionam as emissões de gases de efeito de estufa. No sul global, e aqui destacando particularmente os países que detêm floresta tropical, nós vivemos o dilema de termos estoque florestal, termos estoque de biodiversidade, termos a responsabilidade deste equilíbrio climático global, ao mesmo tempo que nós temos o desafio de vocações como, por exemplo, produção alimentar", afirmou o chefe do Executivo estadual, Helder Barbalho. 

Helder Barbalho destacou que o Pará está construindo o seu sistema jurisdicional de REDD+, dialogando com coalizões internacionais e com as comunidades para garantir integridade do crédito gerado por redução de desmatamento.

"Quando eu defendo a questão do carbono, é porque acho que isto é a grande oportunidade que nós temos de alcançar a neutralização das emissões, sob pena de nós estarmos excluídos desta mesa de negociação", acrescentou.

Em 2024, o Pará fez a melhor e mais valorizada negociação por tonelada jurisdicional do mundo, com 12 bilhões de toneladas de carbono negociadas a R$ 1 bilhão. Como potencial para o futuro, o governador destacou que as projeções do estado são da geração de 300 bilhões de toneladas de carbono até 2027.

"Uma receita de redução de desmatamento que vai ser repartida com povos indígenas, com povos quilombolas, com povos extrativistas, com agricultura e produção que esteja contribuindo com a redução das emissões. Isto pode ser a grande oportunidade de valorização da floresta viva e de pagamento por serviços ambientais", complementou. 

O governador também mencionou o compromisso do Brasil com a restauração de 12 milhões de hectares de florestas, estabelecido na Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) do país. Ele defendeu o modelo adotado pelo Pará, de concessão de áreas para restauração florestal.

"Se o carbono não tiver valor, não será uma estratégia viável para o Brasil", alertou.

COP 30 e mudança no uso da terra

Durante o evento, o governador enfatizou que na COP 30, que acontece em novembro de 2025 na capital paraense, reencontrará, na Amazônia, o cenário ideal para discutir clima e meio ambiente, com a participação dos povos da floresta. 

"Estaremos fazendo uma COP depois de duas outras realizadas em países que têm em combustíveis fósseis a locomotiva das suas economias. Portanto, eu diria que é um reencontro do terreno adequado para discutir o meio ambiente, em um país que tem uma democracia estruturada, o que fortalece a participação popular, fortalece e convoca os movimentos do terceiro setor e a participação da sociedade civil", disse o governador.

Helder destacou a necessidade das discussões sobre como neutralizar emissões na Amazônia.

"O que nós queremos, é claro, discutir o processo das crises climáticas e as soluções sob o olhar transversal, e é natural que a transição energética esteja no palco central, como esteve nas últimas COPs, é natural que se implementem discussões sobre outras agendas, mas nos cabe, como povos amazônicas, sempre discutir floresta e colocá-la como um ponto estratégico. 95% das emissões no estado do Pará são advindas do uso da terra, portanto, nós temos o grande desafio de mudar a concepção do uso do sol na Amazônia para conter as emissões promovidas aqui", explicou.

Pecuária e sustentabilidade

Outro tema destacado pelo chefe do executivo paraense foi a pecuária, setor fundamental para a economia do estado, que possui o segundo maior rebanho bovino do Brasil, com 26 milhões de cabeças de gado. Helder destacou que o Pará saiu na frente com um programa de identificação individual dos animais, em um movimento de responsabilidade socioambiental e que também considera as exigências do mercado europeu a produtos oriundos de áreas desmatadas e a necessidade de adequação para evitar embargos. 

"Um estado que consome apenas 10% do que produz precisa entender que deve se moldar para o mercado consumidor, seja ele o mercado consumidor nacional, da exportação nacional, seja o mercado da exportação internacional. Vencemos essa etapa e estamos já na fase da implementação da rastreabilidade individual e temos uma meta ousada até dezembro de 2026, a integralidade da rastreabilidade individual, do nascimento ou abate no pasto até a circulação para a indústria da carne", explicou.