Tecnologia auxiliará deficientes físicos no uso de transporte interestadual

31/03/2018 00h00
Por Redação - Agência PA (SECOM)

A inclusão de portadores com necessidades especiais ao transporte interestadual motivou a Agência de Regulamentação e Controle de Serviços Públicos do Estado do Pará (Arcon), a buscar opções para dar maior segurança e cidadania a essas pessoas. E para que o projeto fosse elaborado e executado, a Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Estado do Pará (Prodepa) entra com a sua equipe de Engenharia de Sistemas para mais esse desafio.

No Brasil cerca de 6,2% da população tem algum tipo de deficiência. A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) considerou quatro tipos de deficiências: auditiva, visual, física e intelectual. No estado do Pará esse número é considerável, segundo dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 23,61% dos paraenses possuem algum tipo de deficiência. A população com alguma limitação visual, auditiva, motora, intelectual ou mental ultrapassa o número de um milhão, ou seja, um em cada cinco paraenses é portador de alguma necessidade especial. Grande parte dessas pessoas mora nos diversos municípios do estado e sofre com o desrespeito de outras, que falsificam documentos para usufruir de benefícios do deficiente físico, como o da gratuidade no transporte interestadual.

Para ter mais segurança, dignidade e respeito, a equipe de Engenharia de Sistemas da Prodepa desenvolveu uma carteirinha, que possui um sistema integrado de tecnologia: PCDcard, Cryptor e Harpia.

Para entender melhor como essa tecnologia funciona é necessário saber, entre outras coisas, que PCDcard significa Cartão de Pessoas Com Deficiência. Essa carteirinha contém foto, nome e dados de identificação. Na parte de trás existe um Qr Code, gerado pelo Cryptor, sistema seguro desenvolvido para criptografar as informações de cada usuário. Esse sistema é anti-hacker, ou seja, dificulta o roubo de dados ou a falsificação de terceiros para benefício próprio. Para tudo isso tem que existir o leitor, que é o Harpia.

Esse, por sua vez, é um aplicativo para celular desenvolvido para ler apenas as informações do Cryptor, ou seja, esse sistema decifra o código que está atrás da carteirinha com as informações sobre o usuário. Esse aplicativo pode ser baixado nas lojas virtuais e de graça, sendo usado, principalmente, por cobradores e motoristas de transporte interestadual para a identificação do deficiente físico que possui o PCDcard.

Por conta da dificuldade de acesso à internet em algumas regiões, a equipe de Engenharia de Sistemas da Prodepa criou o aplicativo para ser usado mesmo sem conexão a internet, ou seja, ele consegue ter a mesma precisão e dará a informação sobre o usuário em qualquer localidade do estado.

Segundo o gerente de Engenharia de Sistemas da Prodepa, Evandro Paes, o sistema tem grandes objetivos. "Para o futuro, a gente pretende acabar com a falsificação de documentos. Além disso, queremos poder utilizar esse cartão em qualquer lugar, tendo ou não internet”, explica.

Ele ressalta que o primeiro e principal foco seriam nesses dois pontos. “Tudo isso foi criado com o intuito de acabar com a falsificação de documentos e a ideia é que isso sirva para todo e qualquer documento, em um futuro próximo e que possa atingir o estado do Pará como um todo. É um desafio muito grande colocar para rodar um sistema em um lugar onde não tem internet, e isso torna o nosso sistema, inovador", comemora Evandro.

Cadastro

Para obter a carteira com o novo sistema, é necessário entrar primeiro em contato com a Arcon, verifica o local de cadastramento; ir até esse local e fazer o cadastramento pelo sistema PCDcard com todos os dados pessoais do deficiente físico. Após tudo isso, o Cryptor gerará o código na carteirinha e assim o usuário já poderá usufruir de seus benefícios, entre eles, a gratuidade assegurada para utilizar o transporte interestadual com mais segurança e dignidade. Esse sistema já está em fase de testes pela equipe da Prodepa, que espera apenas o aval da Arcon para que seja utilizado.

Colaboração -Texto: Welington Barata