Polícia Científica terá modernos equipamentos para crimes de arma de fogo

Estado investe em tecnologias e na capacitação dos profissionais para a qualificação da investigação criminal

25/04/2022 15h37 - Atualizada em 25/04/2022 16h48

A Polícia Científica do Pará (PCEPA) adquiriu, junto à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), o aparelho Sistema Integrado de Comparação Balística (IBIS, sigla em inglês), instalado no novo Núcleo de Balística Forense da instituição, que foi entregue pelo governo do Estado, no dia 12 deste mês.

O equipamento de origem américo-canadense dará maior celeridade às perícias, aprimorando a qualidade das investigações policiais, por meio da comparação entre projéteis e estojos de armas de fogo, que serão catalogados no Banco Nacional de Perfis Balísticos (BNPB), do Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab) da Senasp, capaz de correlacionar diferentes crimes cometidos por uma mesma arma.

O Pará é o primeiro estado da região Norte a receber o equipamento, juntando-se a mais quatro estados e ao Distrito Federal. Com o sistema IBIS, essa comparação é feita a partir de um sistema de catalogação de vestígios balísticos oriundos de crimes, que são digitalizados previamente no sistema pelos peritos e, no momento do cadastramento de um novo elemento balístico, o sistema confronta automaticamente as imagens apontando o grau de similaridade entre eles.

“O equipamento observa os projéteis e estojos das armas catalogadas e informa quantos e quais têm marcações em comum, indicando que ambos os elementos comparados foram disparados pela mesma arma de fogo. Após esta filtragem feita no banco de dados do aparelho, o perito criminal analisará microscopicamente os elementos balísticos e chegará a uma conclusão. O equipamento não fornece um resultado definitivo, mas aponta uma direção a partir de um banco de imagens que mostram possibilidades de correlação”, afirmou o perito criminal, Tarcísio Carvalho, responsável pelo Banco de Perfis Balísticos no Estado do Pará.

A partir dessa catalogação, o aparelho pode apontar coincidências ou relacionar os projéteis e estojos encontrados em cenas de crime. Por exemplo, “ao comparar projéteis encontrados em um cadáver que foi catalogado no banco de dados com outra vítima de arma de fogo, caso ocorra uma comparação positiva, pode-se dizer que a mesma arma foi usada nos dois crimes”, explicou o perito Tarcísio.

Dessa forma, a segurança pública se beneficiará do IBIS, já que a investigação de crimes como o de milícias, assaltos a banco, entre outros crimes cometidos em série, será mais célere e eficaz, aumentando a possibilidade de relacionar diferentes atos criminosos e os comprovando por meio da investigação balística. “Além de dar a informação de que existem coincidências entre os elementos balísticos, este sistema pode contribuir para a produção de provas para que um suspeito seja condenado por outros crimes que cometeu”, explicou o perito Mario Guzzo, coordenador da Gerência de Inteligência Forense da PCEPA.

Além disso, a Polícia Científica do Pará ganha mais autonomia, pois o equipamento faz a comparação automaticamente, sem que necessite de solicitação da autoridade policial responsável pelo caso. “Essa inovação dá à perícia uma atuação diferente da atuação básica dela, de apenas produção de laudos. Agora a perícia terá esse papel mais proativo na Segurança Pública, ela detectará se aquela arma já foi usada em outros crimes e informar a autoridade policial, cooperando de uma nova maneira às investigações”, acrescentou o perito Mario Guzzo.

Entretanto, é importante ressaltar que, apesar de o IBIS dar a celeridade ao trabalho pericial, as etapas de trabalho pericial aumentarão, mas que sempre precisará da expertise do perito criminal que no caso específico dos lotados no Núcleo de Balista da PCEPA, foram treinados a usar o moderno aparelho. “Quanto mais dados forem cadastrados, mais análises os peritos terão que fazer, o aparelho faz o trabalho apenas de filtrar os dados. O equipamento ajudará, mas a parte mais importante do trabalho continuará sendo a partir do olhar do perito”, concluiu o perito.

Banco Nacional de Perfis Balísticos

O aparelho instalado na PCEPA é apenas um dos que estarão em cada Estado do país fazendo parte do Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab), para implementação do Banco Nacional de Perfis Balísticos (BNPB), um banco de dados com o objetivo de permitir o compartilhamento e a comparação de perfis balísticos entre os Estados e o Distrito Federal para a apuração criminais federais, estaduais e distritais com o cadastramento de armas de fogo e armazenamento de características de classe individualizadoras de projéteis e de estojos de munições deflagrados por arma de fogo relacionados a crimes.

O Pará é o primeiro da região Norte a receber o IBIS, onde a gestão do banco estadual ficará a cargo dos peritos do Núcleo de Balístico Forense da PCEPA, que serão os responsáveis pela filtragem e cadastramento dos projéteis e estojos, além de realizarem também o confronto de materiais cadastrados no Estado bem como entre os confrontos de elementos balísticos do Pará com outros Estados. 

As atividades de capacitação e treinamento dos peritos foram realizadas no mês de fevereiro, por instrutores da empresa IAFIS, representante do equipamento no Brasil, e obedecerão a padronização nacional de procedimentos, como o armazenamento e a manutenção dos dados balísticos e de inclusão que compõem o Sinab.

 *Texto de Amanda Monteiro sob supervisão de Alexandre Cunha

Por Alexandre Cunha (CPC)