Fórum mundial debate aplicação da Bioeconomia em sala de aula 

20/10/2021 18h01

O assunto "Bioeconomia" foi um dos mais tratados no últimos dias, no Pará, por conta do fórum mundial, que aconteceu em Belém. Nesta quarta-feira (20), o debate foi ainda mais ampliado, por meio da internet, na live "O que é Bioeconomia?". O evento virtual foi voltado para os professores da rede de ensino público, do 7º ao 9º ano, que dialogaram alternativas para incluir a prática sustentável no âmbito escolar. 

A Secretária de Educação do Pará, Elieth de Fátima Braga, fez questão de participar da programação, informando as iniciativas executadas pelo Governo do Estado e as possibilidades que podem ser adotadas na rede estadual de ensino.

"Esse evento é fundamental para que nós possamos ter um estado que vá avante para promover a bioeconomia também no âmbito da educação, que é a mola mestra que é aquilo que faz o mundo mudar, pois não há mudança sem educação. Nós termos a possibilidade de criar, a partir dos nossos alunos, muitos multiplicadores que poderão levar para sua família, amigos e vizinhos e, sendo assim, poderão disseminar suas ideias. Agradeço a participação dos professores, dos nossos alunos e das escolas, mas também conclamo que nós possamos ir para muito além daquilo que já se pratica hoje pois, sem dúvida, onde a bioeconomia pode chegar muito mais além é no ambiente escolar e a Noruega nos mostra isso com muita eficiência, destacou Elieth.

Durante a transmissão, histórias de pessoas que trabalham com a Bioeconomia e que obtiveram sucesso foram contadas e exibidas como exemplos da rentabilidade de trabalhar em parceria com a natureza. O agricultor Rivaldo Peixoto foi um dos exemplos. "Muitas pessoas não sabem de onde vem o miriti, as pessoas aprenderam a gostar e compram com frequência. Vamos às escolas para ministrar oficinas e há muitos relatos em que as pessoas dizem que o miriti evita que as crianças sigam um caminho errado, a gente vê uma coisa que nunca pensamos que ia chegar a esse ponto e isso é uma honra muito grande. Aqui, em Abaetetuba, é a capital mundial do miriti”, disse. 

O tema Bioeconomia e negócios sustentáveis foi tratado pelo professor Gilberto Silva, que mostrou didaticamente os benefícios de olhar com mais atenção para a fauna e flora da nossa região. "Temos uma biodiversidade que impressiona, e devemos utilizar isso a nossa favor. Até mesmo mudar coisas simples, mas que trazem grande impacto na vida da população. Temos uma aluna, por exemplo, que aumentou milimetros da gaiola que se pega camarão (matapí). O resultado foi crustáceos maiores no mercado, preços mais atraentes para a população e biodiversidade mais viva, pois com a técnica, não se captura mais o camarão filhote", pontuou. 

Ursula Vidal, Secretária de Estado de Cultura, frisou quais as principais pautas que devem ser discutidas para criar um novo modelo de desenvolvimento que seja possível preservar a natureza e seja possível promover a igualdade para a população local. 

“Neste fórum mundial de bioeconomia estamos propondo desenhar um novo modelo de desenvolvimento. Sabemos que há muita desigualdade no mundo e que os 1% mais ricos detêm a mesma riqueza que os 99% mais pobres, está certo isso ? Com um mundo que produz tanto alimento e ainda existe a fome ? Em um mundo com tanta tecnologia e tanta informação e a gente ainda tem tanta desigualdade. Se a gente começa a pensar em um desenvolvimento de um novo modelo de progresso que considere o progresso das pessoas e não só o progresso na produção, devemos levantar as seguintes questões: O quanto essa pessoa está recebendo ?  Estamos explorando as pessoas ? Estamos prejudicando a natureza ? Estamos prejudicando a população local ? Nós, como amazônidas, temos uma responsabilidade muito grande de dizer ao mundo qual desenvolvimento que nós queremos”, frisou.

“Esse evento é um dos que eu mais gosto de ter montado para vocês participarem. Primeiro, porque é a juventude. A gente envolve a juventude. A gente tá fazendo esse Fórum de Bioeconomia, assim como todas as políticas relacionadas a mudanças climáticas aqui no Pará para vocês. Se o futuro geracional, pra gente diminuir os efeitos das mudanças climáticas em 2036 ou 2050, é para os jovens, é para vocês que a gente tá fazendo essa política. Portanto, precisamos que vocês debatam, discutam, entendam o que é bioeconomia, entendam o que são mudanças climáticas, entendam o que é tudo o que está acontecendo ao nosso redor do ponto de vista geopolítico relacionado ao meio ambiente. A Bioeconomia é um encontro com nosso passado, com nossas raízes. A gente trabalhar com elementos da floresta para fazer produtos que possam gerar emprego e renda para vocês e para todos que se envolvem com bioeconomia é o nosso grande papel nesse evento. A gente quer criar oportunidades, criar elementos que vão levar a produtos que tenham valor agregado muito maior do que nós temos convencionalmente. E  a gente tem muita expectativa de que vocês debatam, conheçam, entendam e venham junto com a gente trilhar esse caminho da implementação dessa política pública que, como eu disse, é uma das melhores que nós temos para vocês e para o Estado do Pará”, enfatizou.

Por Evaldo Júnior (SEDUC)