Educação inclusiva quebra barreiras de comunicação entre surdos e ouvintes

Pará investe na qualificação de professores e pessoas com deficiência auditiva, tendo a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como base de estudos linguisticos

26/09/2021 10h29 - Atualizada em 27/09/2021 10h07

Universidade do Estado do Pará (Uepa) mantém três turmas do curso de Licenciatura em Letras – Língua Brasileira de Sinais (Libras) A data de 26 de setembro chama a atenção para a necessidade de se discutir políticas que garantam acessibilidade e possibilidades às pessoas com surdez. O Dia Nacional do Surdo levanta questionamentos sobre a realidade inclusiva no País. 

No Pará, o Governo investe na qualificação e na estruturação de espaços voltados a este público. A Universidade do Estado do Pará (Uepa) oferece, por exemplo, o curso de Licenciatura em Letras – Língua Brasileira de Sinais desde 2016. A graduação propõe a Libras como base de estudos linguísticos, assim como a literatura e suas interfaces. 

“Há várias fontes de pesquisas que, inclusive, são novas ainda no Brasil, em relação às línguas de sinais. Os estudos científicos em línguas de sinais ainda datam de pouco mais de 30 anos”, destaca Ozivan Perdigão Santos, coordenador do curso na Uepa. 

Com a formação da Uepa, professores podem atuar na edução do Ensino Fundamental (do 6° ao 9º anos) e no Ensino MédioPara o docente, a importância do curso de Libras está ligada à visibilidade da pessoa surda e dos próprios movimentos em relação à luta das comunidades surdas pela afirmação da língua de sinais. 

Os professores formados pela Universidade do Estado atuam na educação básica, que inclui o ensino fundamental do sexto ao nono anos e também o ensino médio. Atualmente, o curso de Letras Libras da Uepa tem três turmas, duas das quais em Belém e outra no campus Marabá, no sudeste do Estado.

OPORTUNIDADES

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc), através da Coordenadora de Educação Especial (Coees), atua em algumas unidades de ensino e também no atendimento ao aluno surdo. Escolas, como Felipe Smaldone, Astério de Campos e o Centro de Capacitação de Profissionais da Educação, são exemplos de referências estaduais de atendimento ao aluno surdo. 

“O objetivo maior é quebrar a barreira da comunicação entre surdos e ouvintes. Os ouvintes são os que ouvem e os surdos são aqueles que não ouvem totalmente ou parcialmente, é importante dizer isso”, frisa Giovani Correa, coordenador do CAS. 

O Centro de Capacitação garante qualificação através de cursos e formações. O espaço atende alunos surdos por meio de vários projetos, que passam pelo ensino da língua portuguesa, como segunda língua para alunos surdos; letra método português e matemática; e noções de informática inclusiva. 

“Preparamos os professores, através do curso de língua portuguesa como segunda língua para alunos surdos. Muitos não sabem, mas a primeira língua dos surdos é a Libras, e a segunda é a portuguesa. Uma das grandes dificuldades do aluno surdo é compreender as regras gramaticais da língua portuguesa. Para nós já é difícil, imagina para o surdo, então o CAS se debruça nisso”, explica o coordenador. 

No Centro, o aluno é atendido por uma equipe qualificada psicossocial, que inclui especialistas em educação. Ao chegar à unidade, passa por uma avaliação especial junto com a família. 

“Neste primeiro encontro, a equipe tenta conhecer um pouco da vida do aluno, a vida familiar, em sociedade, a vida escolar, tentamos deixar o aluno bem à vontade”, conta Giovani. 

TRANSFORMAÇÃO

Rejane Cristina da Costa é surda e procurou o curso de Libras do CAS. A experiência vem sendo compensatória. “Aqui é muito interessante, tem muitos sinais, eu aprendo muito e quero aprender cada vez mais”, enfatiza a aluna.

A realidade dos sinais vem transformando a vida de Rejane e é essa mesma mudança que ela sonha poder concretizar em outras vidas no futuro. 

“O curso de Libras vai ser muito importante, espero que eu possa estudar pedagogia para ensinar às crianças os sinais”, planeja. 

*A entrevista com a estudante Rejane Cristina da Costa foi feita com a participação da intérprete Rosa Maria Rodrigues Diniz, professora especialista em educação especial.

Por Bianca Teixeira (SECOM)