Programa Forma Pará realiza seminário com aldeias indígenas de Bom Jesus do Tocantins

25/08/2021 16h03 - Atualizada em 25/08/2021 17h21

“Um indígena sem sua cultura é como um branco qualquer. E a nossa língua é fundamental para nossa cultura”. A frase dita pela professora indígena Ana Parkatêjê representa o sentimento das lideranças indígenas presentes no Seminário sobre Educação Indígena no Forma Pará, promovido na segunda-feira (23) pela prefeitura do município de Bom Jesus do Tocantins, sudeste paraense, e pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet) responsável pelo Forma Pará, programa do governo do estado.

“Nós viemos aqui para ouvir as aldeias. São elas que irão propor qual curso o Forma Pará vai ofertar para os indígenas” informou a secretária adjunta da Sectet, Edilza Fontes, na mesa de abertura. Ela explicou que ao conversar com o prefeito do município, João Rocha, ele tomou a iniciativa, prontamente acatada pela secretaria, de realizar o seminário para ouvir os indígenas. “Queremos fazer o Forma Pará cada vez mais dialogado com os municípios e suas comunidades”, enfatizou Edilza Fontes, gestora do programa.

No município de Bom Jesus do Tocantins está localizada a Terra Indígena (T.I) Mãe Maria, do povo Gavião do Pará, que abrange 19 aldeias, divididas em três grupos: Parkatêjê, Akrãtikatêjê e Kyikatêjê. 

Língua – A criação de um curso superior que preserve e divulgue para as novas gerações a língua jê-timbira makrojê, do povo Gavião do Pará, foi o principal resultado do Seminário. A decisão foi tomada pela ampla maioria dos líderes presentes no clube Oliver Fest. “A educação é fundamental. Nossa preocupação é com a fala, com a cultura, com a geração que vai vir. Os cursos devem vir para complementar um conhecimento tradicional. O principal objetivo é a nossa cultura”, afirmou Tuxati Parkatêjê.

O diretor do departamento indígena da prefeitura de Bom Jesus, Katê Parkatêjê, ao abrir a mesa específica que discutiu o tema, também manifestou a vontade de ter um curso para a preservação da língua materna de seu povo.

“Este momento é histórico em Bom Jesus do Tocantins. Estamos tratando de educação indígena na sede do município. O nosso município ficou muito tempo esquecido, assim como as aldeias. Mas agora, junto com o governo do estado, vamos investir também na educação superior dos indígenas”, ressaltou o prefeito João Rocha. Ele destacou ainda a importância de ouvir as aldeias para definir quais cursos serão ofertados e onde eles serão realizados.

Democratização - O secretário de educação do município, Gilberto Pontes, frisou a preocupação dos governos estadual e municipal com a educação. “Antes o acesso ao ensino superior era para poucos. Estamos alegres que agora temos governos, tanto municipal como estadual, estreitando a ponte para alavancar o ensino do nosso povo”, enfatizou o secretário municipal.

O reitor da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa), Francisco Ribeiro, falou da importância da discussão para democratização do acesso à universidade. “A educação é fundamental para diminuir as desigualdades sociais e o Forma Pará representa a democratização do acesso ao ensino superior”, declarou o reitor. Kátia Silene C. Valdenilson, cacique do povo Gavião Akrãtikatêjê, concordou que a educação é o caminho para avançar e ter perspectivas para o futuro. “Eu acredito que o Forma Pará veio para nos ajudar”, disse a cacique Kátia.

Cacique Kátia

Também estiveram presentes no evento a vice-reitora da Unifesspa, Lucélia Cavalcante, e a representante do Núcleo de Formação Indígena (Nufi) da Universidade do Estado do Pará (Uepa), Aline Lima. Elas falaram, em linhas gerais, sobre o trabalho desenvolvido em suas instituições e de que forma poderiam atender às demandas dos indígenas. A representante da Federação dos Povos Indígenas do Pará (Fepipa), Concita Sompré, fez parte da mesa como mediadora das demandas das aldeias presentes.

Todos tiveram oportunidade de falar e expor suas reivindicações até se chegar ao consenso sobre a preservação da língua materna do povo Gavião do Pará. Como o curso não existe ainda, os indígenas apresentarão à prefeitura, em 30 dias, nomes de titular e suplemente representando cada uma das aldeias numa comissão que irá discutir a formatação do curso junto com a instituição escolhida para ofertar as vagas do curso, previsto para a chamada 2023 do Forma Pará.

Também será discutida com as aldeias a oferta de um curso já na chamada do ano que vem, com edital que será lançado no início de 2022. O Forma Pará já oferta em Bom Jesus o curso de Ciências Contábeis, da Unifesspa, que está em fase de habilitação da matrícula do alunos aprovados no processo de seleção realizado em julho. Na chamada 2021, que terá edital publicado em outubro, será ofertado o curso de Agroecologia, pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA).

Por Jeniffer Galvão (SECTET)