Tecnologia desenvolvida por startup residente no PCT Guamá auxilia campanha de vacinação

Aplicativo sinaliza movimento de vacinação em postos da capital, apontando necessidade de ajustes de equipe e insumos

26/07/2021 10h42 - Atualizada em 26/07/2021 11h31

Um aplicativo utilizado pela Prefeitura de Belém durante a vacinação garante controle em tempo real das doses que estão sendo aplicadas, facilitando o acesso aos dados gerados e integração automática com o Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) do Ministério da Saúde (MS).

A tecnologia é resultado da parceria entre o Departamento de Vigilância à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde (DEVS/Sesma) e a Solved Soluções em Geoinformação, startup instalada no Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) Guamá.

O diretor de Vigilância à Saúde da Sesma, Cláudio Salgado, enfatiza a importância dos dados para o planejamento logístico da campanha. “Com o app Belém Vacinada eu consigo saber quais postos estão vacinando mais ou menos em determinado período do dia e inclusive ajustar pessoal, se for necessário”, pontuou o diretor.

“Esse controle é bem importante porque nós não tínhamos como saber essas informações usando o sistema do MS. Com o sistema da Solved e da Sesma nós conseguimos extrair dados e gerar relatórios, então, por exemplo, consigo saber todas as categorias diferentes que nós vacinamos, quantas foram vacinadas e em quais datas. Então eu fico muito mais tranquilo ao que eu tenho que fazer em relação a uma segunda dose, os dias e a quantidade de pessoas porque eu tenho tudo isso registrado num sistema.  Esse é um avanço muito significativo além do que não precisamos usar papel”, complementa Salgado.

A integração do aplicativo Belém Vacinada com o SI-PNI é o grande diferencial da solução adotada pela Prefeitura. No início da campanha de vacinação, a Sesma precisava acionar digitadores no turno da noite ou da madrugada para alimentar o SI-PNI por conta da lentidão e da instabilidade do sistema do MS. “Era impossível fazer os registros no sistema do Ministério da Saúde de dia, tínhamos que fazer todos os registros em papel e depois trazer pra sede da Sesma pra poder passar as informações pro computador. Como o Brasil inteiro acessava o sistema simultaneamente, ele era muito lento e algumas vezes os dados inseridos sumiam, então chegamos ao ponto de trazer pessoas de madrugada para fazer esse trabalho de registro”, relembra Claudio.

Foi a partir desse cenário que surgiu a necessidade de criar um software próprio que pudesse interagir automaticamente com o site do Ministério da Saúde. A secretaria começou uma aproximação com a Solved, startup que utiliza computação aplicada, geoinformação e inteligência artificial para desenvolver produtos que auxiliem no monitoramento territorial e na solução de problemas socioambientais.

Atenta aos desafios impostos pela pandemia, a startup já havia desenvolvido soluções de monitoramento e espacialização dos dados epidemiológicos em território nacional com os projetos Geocovid-19 e Alerta Indígena Covid-19. “Acreditamos muito na aplicação, de maneira combinada, de soluções computacionais que estejam a serviço da saúde pública. A partir disso surgiu o convite para criarmos algo que facilitasse o processo de vacinação”, conta Cesar Diniz, sócio fundador da Solved.

Avanço

O desenvolvimento do aplicativo começou em fevereiro e, desde o dia 25 de março, tem sido utilizado em larga escala. Na tela principal do app, o agente de saúde seleciona a unidade polo da vacinação e verifica a data da aplicação. Em seguida, faz uma consulta pelo CPF da pessoa a ser vacinada e a partir disso todos os dados pessoais são automaticamente preenchidos, de maneira rápida, fácil e segura. E o mais importante, sem risco de erros de digitação.

Dessa forma são preenchidos o nome completo, o nome da mãe, o gênero, a data de nascimento e o cartão SUS da pessoa vacinada. Ao agente de saúde resta apenas o preenchimento das informações da vacina, como a categoria, o grupo, o nome do vacinador, o tipo, lote da vacina e a dose, se primeira ou segunda. O aplicativo funciona com ou sem internet.

"Compreender as dificuldades da vacinação é essencial para criação de um aplicativo eficiente. Com algumas horas acompanhando o dia a dia dos vacinadores, ficou claro que precisávamos não apenas eliminar o papel, mas tão importante quanto, permitir a inserção das informações dos vacinados, de maneira automática, diretamente no sistema do Ministério da Saúde", destaca Cesar.

No dia 17 de junho de 2021, por exemplo, mais de 38 mil pessoas foram cadastradas e sincronizadas ao sistema do MS. Uma média de 2773 cadastramentos por hora, número que seria inalcançável com sistemas tradicionais e analógicos, dependentes de papel, caneta e caligrafia humana.

“Se você olhar os dados do Pará no sistema do Ministério da Saúde você vai ver que Belém está com cerca de 93 a 95% das doses recebidas como doses aplicadas, ou seja, estão lançadas no sistema. Mas quando você vai pra outros municípios você encontra uma média de 60 a 80% de doses registradas, mas nada além disso. Antes do aplicativo, Belém não conseguia passar dos 70%, por conta do sistema manual de registro. E é isso que está acontecendo hoje com os demais municípios”, afirma Claudio.

Avaliação

Em uma reunião realizada semana no mês de julho com representantes da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), do Ministério da Saúde, do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), durante a Missão Covid-19 Pará, o app Belém Vacinada recebeu críticas positivas. Segundo Claudio Salgado, a comitiva já havia visto alguns aplicativos para automatizar o registro durante a vacinação, mas nada que contasse com uma integração direta com o sistema do MS.

“Fomos avisados que eles iriam falar sobre o aplicativo para outros municípios. Essa integração automática foi uma preocupação central nossa, porque não adianta você ter um segundo aplicativo e ter que passar manualmente os dados para outro sistema. Criamos um sistema amigável para quem está trabalhando com ele na ponta, que são os nossos registradores e também para nós [da Sesma], que não temos que ter um retrabalho”, finaliza o diretor da Sesma, Claudio Salgado.

Por Juliane Frazão (PCTGuamá)