Fundação Hemopa avança em tratamento para Doença Falciforme

Referência no atendimento a doenças do sangue, o Hemopa também é o local para fazer cadastro para doação de medula óssea

18/06/2021 23h05 - Atualizada em 19/06/2021 01h54

Fernanda Rodrigues Nery foi diagnosticada, aos 3 anos de idade, com a Doença Falciforme, um tipo de anemia causada pela deformidade dos glóbulos vermelhos do sangue, que assumem formato de foice, o que dificulta a passagem pelos vasos sanguíneos e a oxigenação dos tecidos. Pacientes com Falciforme passam por crises e enfrentam dores intensas. O tratamento e acompanhamento correto é essencial para melhoria da qualidade de vida.

“No início do tratamento, minha família me trazia com bastante frequência ao Hemopa para receber bolsas de sangue, medicamentos. Tinha crises de dores, e foi bem difícil. As transfusões de sangue foram essenciais. Não tem substituição para o sangue. A gente tem remédios que ajudam no tratamento, mas sangue, não!”, destacou a administradora, que hoje, aos 37 anos, tem uma filha saudável. Mas mesmo com a doença controlada, ela precisa de transfusão uma vez por ano.Fernanda Rodrigues Nery trata a Doença Falciforme desde a infância, e hoje faz apenas uma transfusão anual de sangue

A Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa) é referência no atendimento aos pacientes com doenças no sangue. A equipe multiprofissional oferece assistência terapêutica. A Doença Falciforme só tem cura com um transplante de medula óssea, com 100% de compatibilidade entre irmãos consanguíneos. No Pará, seis pacientes já tiveram êxito no transplante e hoje são considerados saudáveis.

É na Fundação Hemopa que o interessado em doar pode se cadastrar no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome). Com apenas 10 ml de sangue, o doador voluntário pode oferecer esperança de cura para alguém com doença hematológica Se houver compatibilidade com algum paciente na fila de espera, o sistema faz o cruzamento autimático, e o Redome aciona o doador e o paciente para exames complementares ao transplante.O Hemopa tem tratamento para muitas doenças do sangue

Terapia Celular – Neste sábado (19) é comemorado o Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme. A Fundação Hemopa, que atende 980 pacientes de Doença Falciforme, está sempre aprimorando a qualidade do atendimento, investindo em tecnologia e proporcionando novos estudos.

A Terapia Celular é uma realidade para pacientes com Doença Falciforme. O procedimento é indicado em casos de Osteonecrose Asséptica, quando a parte superior do tecido do fêmur morre devido às complicações da doença. A Terapia é desenvolvida em parceria com o Hospital de Clínicas da Bahia, que realiza o procedimento cirúrgico. Todo o acompanhamento é feito pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Pela Fundação Hemopa, sete pacientes já passaram pela cirurgia, apresentando resultados positivos na recuperação óssea.

“Este é um tratamento de reabilitação do paciente. Já conseguimos tirar pessoas do estado de cadeira de rodas e que hoje em dia, após a Terapia Celular, estão andando normalmente. É importante destacar o trabalho em parceria com a equipe do dr. Gildásio Daltro, do HC da Bahia, que nos dá plena assistência no atendimento ao paciente. Esta é uma forma de proporcionar melhorias na qualidade de vida do paciente com doença Falciforme”, destacou a médica Saide Sarmento, hematologista e coordenadora do Ambulatório do Hemopa.Carolina e Maria Catarina de Sousa, que recuperou a mobilidade com a Terapia Celular

Exemplo - Maria Catarina Reis de Sousa é um exemplo de sucesso da Terapia Celular. Ela chegou à Fundação Hemopa em cadeira de rodas, sem andar e com dores intensas, quando tinha 11 anos. Foi submetida ao tratamento, e atualmente, com 16 anos, conquistou autonomia na mobilidade.

A mãe de Maria Catarina, Carolina Reis de Sousa, lembra os dias difíceis. “Antes dela fazer cirurgia sentia muito dor. Imaginávamos que ela ficaria na cadeira de rodas para sempre. Após a cirurgia, as dores sumiram. Da cadeira de rodas ela foi para a muleta, e depois começou a andar normal. Isso mudou tudo pra gente”, conta.

“Tinha apenas 11 anos quando entrei na sala de cirurgia para decidir meu futuro. Mesmo assim, fui forte e consegui suportar. Os seis meses seguintes de repouso foram seguidos de muita esperança. Tive muito apoio na fisioterapia, e consegui ter liberdade de novo”, diz Maria Catarina, que precisa vai anualmente ao Hospital de Clínicas da Bahia para fazer avaliação do tratamento.

Por Anna Cristina Campos (HEMOPA)