Hospital de Clínicas introduz açaí na alimentação de crianças em reabilitação

A iniciativa da equipe multiprofissional tem resposta positiva nos pequenos paciente e seus acompanhantes

04/05/2021 19h18 - Atualizada em 04/05/2021 23h12

Uma das pequenas pacientes do HC recebendo a ″papinha” de açaí na hora do lancheA alimentação das crianças em tratamento cardiológico no Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC), em Belém, ganhou um novo ingrediente. Obrigatório na mesa de muitos paraenses, o açaí foi servido nesta terça-feira (4), durante uma ação multiprofissional organizada com o objetivo de estimular a adesão ao tratamento. 

Servido como “papinha” na hora do lanche, o açaí foi escolhido como forma de valorizar a culinária local e resgatar memórias afetivas e culturais nas crianças e acompanhantes, que acabam ficando sem consumir o fruto no período de internação, ou que, em função da idade e do tratamento, sequer experimentaram um dos itens mais tradicionais da gastronomia paraense.  

“Quando o paciente está afastado da própria realidade buscamos alternativas de reaproximá-lo da vida fora do ambiente hospitalar, ouvindo o próprio paciente ou o acompanhante. Foi assim que descobrimos o desejo pelo açaí, e realizamos esta ação para estimular não apenas a adesão ao tratamento, mas a motricidade, a postura, a deglutição e outros aspectos importantes do desenvolvimento das crianças”, explicou Karla Aita, terapeuta ocupacional no HC. 

Fonoaudióloga na Clínica Pediátrica do HC, Ivana Ribeiro faz um complemento sobre a escolha do açaí e a evolução do tratamento: “Trabalhar essas novas texturas de alimentos de forma gradual, para que as crianças possam construir as memórias sensoriais. O açaí entra nesse contexto pela cultura local, das origens de cada família e do tratamento humanizado ofertado pela instituição, sempre focando no bem-estar do paciente”.Lucas Emanuel incluiu o açaí em sua lista de desejos e foi atendido

Mudança de humor - Lucas Emanuel tem 7 anos, e há quase seis meses não tomava açaí em função da internação. Por isso, incluiu o fruto na lista de desejos. "Gosto muito de açaí, pipoca e ovo. Comeria todos até encher a barriga”, contou o menino, que até mudou de comportamento depois de um copinho de açaí. “Semana passada ele estava bem agitado. Não queria fazer as medicações. Hoje está mais calmo, bem mais alegre”, disse o pai, Emanuel Janes de Sá. 

Além da valorização da culinária e da cultura, a oferta do açaí também foi uma forma de orientar os acompanhantes das crianças sobre como aproveitar as propriedades nutricionais do fruto. “Em alguns casos, as crianças estão iniciando a alimentação complementar, que é a inserção de outros alimentos diferentes do leite materno e com outras texturas, como o açaí mais grosso. Ao mesmo tempo, temos crianças que já consomem açaí fora do Hospital. Em todas as situações, orientamos sobre como aproveitar o açaí da melhor forma”, explicou a nutricionista Socorro Barbosa.

Por Marcelo Leite (HC)