Legado de Camillo Vianna inspira a luta pela preservação do meio-ambiente na Amazônia

Memória de um dos pioneiros da luta ambiental na região é homenageada no Parque do Utinga, que tem o seu nome. Hoje, o médico completaria 95 anos.

14/04/2021 15h35 - Atualizada em 14/04/2021 17h31

O médico e ambientalista Camillo Vianna faria 95 anos hoje, mas sua memória está viva e inspira a luta pela valorização dos amazônidasNo dia em que o ambientalista, médico e professor, Camillo Vianna, faria 95 anos - ele nasceu em 14 de abril de 1926 -, o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) presta uma homenagem à memória de um pioneiro da causa ambiental na Amazônia, cujo nome é lembrado na Unidade de Conservação do Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna, por meio de lei sancionada pelo governador Helder Barbalho. 

Presidente do Ideflor-Bio, Karla Bengtson diz que a data deve ser motivo de muita celebração, pois Camillo Vianna é um ícone na luta pela preservação da Amazônia. Ela enfatizou que as unidades de conservação do Estado têm um papel fundamental na preservação da biodiversidade, da sociobiodiversidade, lutas incorporadas na trajetória de Camillo Vianna, que deixa ensinamentos preciosos para todos os que se dedicam à questão.

Um dos principais pontos turísticos da capital paraense, o Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna abriga importante amostra da biodiversidade de fauna e flora amazônicas, contemplando uma área de quase 1,4 mil hectares, na zona urbana da cidade.

A unidade de conservação estadual abarca os lagos Bolonha e Água Preta, responsáveis pelo abastecimento hídrico de 70% da população da Região Metropolitana de Belém. Além das belas paisagens, o espaço oferece qualidade de vida para que visitantes e turistas tenham a oportunidade de estar em contato com a natureza e de praticar atividades físicas ao ar livre, como caminhar e pedalar de bicicleta. 

LEGADO

Desde muito cedo, Camillo Vianna aprendeu a respeitar a natureza e a cultura Amazônica. Como médico e professor, compreendeu que a saúde e a sobrevivência do homem da região estavam intrinsecamente ligadas ao meio-ambiente em que vive.

“Acreditamos que seu maior legado foi transmitir a várias gerações, através da Sociedade de Preservação aos Recursos Naturais e Culturais da Amazônia (Sopren), criada em 1968, o sentimento de amor à Amazônia e conscientizar os amazônidas do seu papel, na defesa do ecossistema e da cultura das populações de todos os estados”, ponderou a psicóloga e professora universitária, Aline Vianna, filha de Camillo Vianna.

O ambientalista dedicou a vida a estimular a formação e consolidação de ideais e princípios pautados na valorização da região. Promoveu diversas ações, algumas aparentemente simples, mas de profundo significado, como espalhar sementes e mudas, formar bosques e florestas, organizar semanas de preservação de diversas espécies da fauna e flora amazônicas.

Como vice-reitor da Universidade Federal do Pará (UFPA), idealizou e coordenou, por exemplo, o Trote Ecológico, que consistia no plantio de espécimes da flora amazônica na área do campus do Guamá por parte dos calouros. Na (UFPA), durante o período do verão, frequentemente realizava a irrigação de mudas plantadas por ocasião desse trote.

Como folclorista, promoveu inúmeras manifestações culturais envolvendo a participação das populações e com a parceria de instituições, profissionais de diversas áreas, autoridades políticas e religiosas e meios de comunicação, com o único propósito de fazer surgir propostas e ações para a mudança da realidade local amazônica.

PROTAGONISMO

“Através de suas ações estimulava o protagonismo de todos, enfatizando que devemos ser ouvidos e respeitados sempre. Principalmente quando são elaborados, distantes da fronteira da região, projetos e programas para serem aqui implementados”, reforçou Flávio Vianna.

Como membro ativo da Associação Amigos de Belém estimulou o plantio e, ele próprio, plantou samaumeiras e mangueiras e várias outras espécies amazônicas pelas praças e ruas da cidade. Sistematicamente realizava passeios a esses locais, para acompanhar o desenvolvimento das plantas.

Por Patricia Madrini (IDEFLOR-BIO)