Acolhidos em abrigos emergenciais passam a receber diariamente atendimento psicossocial

Serviço auxilia na redução do estresse advindo do processo de isolamento social e os encaminha na direção de um acompanhamento especializado

30/03/2021 11h58 - Atualizada em 30/03/2021 13h28

"Eu só decidi me abrigar novamente, porque eu sabia que aqui eu poderia continuar o meu acompanhamento psicológico. Se não tivesse tido isto ano passado, lá no Mangueirão, eu provavelmente não estaria aqui". A fala é de um acolhido e reflete bem a importância do atendimento psicológico nos abrigos emergenciais para pessoas em situação de rua em Belém, ação que foi retomada pelo governo do Estado, através da Secretaria de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), no dia 19 de março, em parceria com a Prefeitura de Belém.

L. A. B. é uma das pessoas que buscou acolhimento no abrigo, e agora dá prosseguimento ao seu atendimento psicológico, iniciado ainda no primeiro ano de abrigamento, em 2020.

Nos abrigos, os atendimentos psicossociais auxiliam no controle emocional e de níveis de estresse, consequência acarretadas pelo convívio em isolamento social dado o contexto de pandemia. A psicóloga Elione Martins, profissional a frente do atendimento psicossocial nos abrigos, explica de que forma se dá o processo de acompanhamento destes pacientes.

"A partir do protocolo biopsicossocial nós traçamos o perfil psicológico e social das pessoas atendidas e entendemos, assim, o perfil geral dessa população, pois todos têm uma identidade. Esse perfil nos explica o motivo que os levou para a condição de rua, o envolvimento com as drogas, os problemas com a família. A entrevista psicossocial nos ajuda a identificar tudo isso", destaca a psicóloga.

A partir deste processo, caso seja identificado a necessidade de atendimento especializado, o paciente é encaminhado para os Centros de Atendimento Psicossocial do Estado ou Município, onde dará prosseguimento ao seu atendimento e será acompanhado por outros profissionais.

"Este é um serviço de extrema importância, pois alia a assistência social e psicológica. Estas pessoas geralmente estão invisíveis na sociedade, e elas precisam ser vistas e ouvidas de forma contínua", conclui Elione.

"O meu objetivo com este atendimento é conseguir me inserir no mercado de trabalho. Quero ajuda pra tentar me colocar na sociedade de uma forma que eu seja visto. Eu já trabalhei muito tempo, tenho carteira de trabalho assinada, mas com os meus problemas e com essa pandemia acabei não conseguindo", contou um dos acolhidos, enquanto aguardava atendimento. 

No ano de 2020, o serviço psicossocial do abrigo emergencial atendeu 132 pessoas, entre mulheres e homens. O cadastro realizado no ano passado, durante a ação de abrigamento no Mangueirão, também serviu de base para prestar o acompanhamento aos abrigados reincidentes, possibilitando a continuidade no tratamento e a resposta positiva dos casos.

O atendimento psicossocial ocorre diariamente, com equipes atendendo de dia e de noite nos abrigos emergenciais. A Escola Lauro Sodré, localizada no bairro do Marco, em Belém, continua como sede da triagem médica e cadastramento de pessoas acolhidas. O cadastro ocorre de domingo a domingo, de 9h às 17h.

Por Camila Santos (SEASTER)