Governo do Pará abriga mais de 230 pessoas em situação de rua em três escolas estaduais

O primeiro acolhimento acontece na Escola Estadual Lauro Sodré, onde as pessoas em situação de vulnerabilidade passam pela triagem básica de saúde e cadastro  

26/03/2021 12h30 - Atualizada em 26/03/2021 12h59

Governo do Pará abriga pessoas em situação de vulnerabilidade social para reduzir a exposição delas aos riscos da Covid-19Mais de 230 pessoas em situação de rua já foram acolhidas, desde a última sexta-feira (19), pelos três abrigos disponibilizados pelo Governo do Estado, em Belém. A estratégia, utilizada no início da pandemia da Covid-19, em 2020, foi retomada para garantir o amparo necessário e reduzir a exposição de pessoas em situação de vulnerabilidade à circulação do vírus.

A ação é realizada em três escolas estaduais. Na Escola Estadual de Ensino Fundamental Lauro Sodré é feito o primeiro momento do acolhimento, com a realização da triagem básica de Saúde e o cadastro das, das 9h às 17h. E um dos primeiros atendimentos prestados é a testagem, a fim de identificar possíveis infectados pelo novo coronavírus. 

Caso alguém apresente sintomas leves ou moderados da doença é imediatamente encaminhado ao setor de isolamento, onde recebe acompanhamento médico e aguarda o resultado do exame. No Lauro Sodré, também há uma área destinada ao acolhimento de idosos em situação de vulnerabilidade. As escolas Dom Pedro II e Jarbas Passarinho também funcionam como abrigos de mulheres, crianças e casais; e homens, respectivamente. 

Segundo o coordenador geral dos abrigos coordenados pela Secretaria de Estado de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (Seaster), Ricardo Ganzer, o processo de acolhimento de pessoas em situação de rua é essencial, sobretudo, neste momento da pandemia.

Servidor no trabalho de organização dos abrigos que funcionam em três escolas estaduais, em Belém, a partir da triagem no Lauro Sodré“Elas já estão em situação de vulnerabilidade e vivem um agravante com comércio, restaurantes e bares fechados, têm muita dificuldade de sobrevivência. Aqui, garantimos todo o amparo e cuidados para o bem-estar dos abrigados. É uma das estratégias do Governo do Estado para diminuir o impacto do vírus na vida dessas pessoas”, afirmou o coordenador. 

Edinho Marcelino, 39 anos, vive em situação de rua há três anos. Em 2020, passou quatro meses abrigado no Mangueirão, realizando trabalho voluntário junto aos idosos acolhidos, e é um dos abrigados pelo Governo do Estado nesta retomada dos abrigos. 

“Aprendi muita coisa no Mangueirão e fui muito bem cuidado. Emitiram nossos documentos, encaminharam a gente pro mercado de trabalho, inclusive, trabalhei como garçom. Quero voltar a trabalhar e ser reconhecido como profissional. Aqui é ótimo, temos todas as nossas refeições e dormimos no horário certo, temos acompanhamento médico e psicológico, remédios. É excelente”, garantiu Edinho Marcelino. 

Rosângela Silva, 40 anos, está abrigada na escola Dom Pedro II, desde segunda-feira (22). Ela vive em situação de rua desde os 8 anos de idade, e quer mudar de vida. “Quero procurar um trabalho para mim e para o meu marido. Estamos sendo muito bem tratados aqui, com atendimento médico e psicológico. Não queremos mais ficar nas ruas, por isso, eles estão cuidando da emissão dos nossos documentos para que a gente tenha uma chance de trabalhar e mudar as nossas vidas”, explica, entusiasmada. 

A ação conta com o apoio de diversos órgãos, como as secretarias de Estado de Saúde Pública (Sespa), de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) e de Esporte e Lazer (Seel), além da Polícia Militar, Defensoria Pública, Fundação ParáPaz e Prefeitura Municipal de Belém.

ATIVIDADES

Além da oferta de atendimentos para a saúde física e mental, todos os dias, os abrigados recebem quatro refeições (café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar), participam de atividades lúdicas e recreativas, como ping pong, dama, baralho, dominó, para amenizar, inclusive, as crises de abstinência de alguns dos abrigados, por conta da ausência de drogas. 

Uma equipe de assistentes sociais também atua para melhorar o cadastro social dos abrigados, verificar a documentação de cada um e encaminhá-los aos benefícios a que tem direito. 

2020

Em março de 2020, o acolhimento de pessoas em situação de rua como enfrentamento à pandemia de Covid-19 ocorreu no Estádio Olímpico (Mangueirão) e na Arena Multiuso Guilherme Paraense (Mangueirinho). Aproximadamente mil pessoas foram abrigadas pelo Estado, entre mulheres, homens, casais com crianças, idosos e população LGBTQI+.

DOAÇÕES

Empresas e sociedade civil podem fazer doações de materiais na Escola Superior de Educação Física, na avenida João Paulo II, entre as travessas Timbó e Vileta, no bairro do Marco, em Belém) das 8h às 18h. 

Por Giovanna Abreu (SECOM)