Coletores de castanha-do-Pará que encontraram o piloto têm assistência da Emater, em Almeirim

Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater) é pioneira em políticas públicas e organização de associações extrativistas na região

11/03/2021 12h17 - Atualizada em 11/03/2021 14h50
Por Rodrigo Reis (EMATER)

Nascida e criada na região do Alto Rio Parú, município de Almeirim, no oeste paraense, a extrativista Maria Jorge dos Santos Tavares, assistida pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), se dedica à coleta da castanha-do-Pará há mais de 50 anos. Foi na região do Igarapé Puxuri, que ela, filhos, sobrinhos, nora e amigos encontraram, na última sexta-feira, 5, o piloto Antônio Sena, mais conhecido como Toninho Sena, que estava desaparecido há 38 dias nas matas da região e foi resgatado pelo Grupo Aéreo de Segurança Pública (Graesp), vinculado à Secretaria de Segurança Pública e Defes Social (Segup), em 6 deste mês de março.A extrativista Maria Jorge com a família e amigos, coletores de castanha, encontraram nas matas o piloto santareno Antônio Sena“É um filho que encontrei na mata. O que fiz por ele faria por qualquer um”, conta emocionada a extrativista, que recebe orientação direta da Emater há mais de 11 anos. 

Mãe de quatro filhos - dois homens e duas mulheres -, Maria Jorge tem 10 netos e três bisnetos, e conta, atualmente, com financiamento de crédito elaborado pela Emater, por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), linha “Floresta”, no valor de R$ 27. 500 reais. 

A Emater, como órgão oficial de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), do Governo do Pará, foi quem assegurou à trabalhadora rural o documento vital para ela acessar o crédito rural: a Declaração de Aptidão (DAP) ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Com o apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater), extrativistas estruturam suas atividades diáriasA DAP possibilita também acesso a várias políticas públicas, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

“É uma extrativista nata. Possui uma história com a coleta de castanha, já que desde muito jovem acompanhava os pais na atividade. Hoje, ela conta com o apoio da mão de obra familiar na coleta dos ouriços. A partir do apoio da Emater ela passou a solicitar crédito rural, foi então que a vida dela e da família mudou: tem casa estruturada, veículo para transportar a produção, conseguiu tudo através da comercialização da castanha”, explicou Elinaldo Silva, técnico em agropecuária e chefe local da Emater em Almeirim.

Com o valor financiado pelo Pronaf Floresta, a extrativista investiu na estrutura e organização da atividade, como limpeza de igarapé, equipamentos para colheita e quebra de ouriços, lavagem e limpeza, além de ensacamento e transporte da produção. 

PRODUÇÃO 

Chefe local da Emater em Almeirim, Elinaldo Silva: "Emater é pioneira em levar políticas públicas e incentivos aos extrativistas da região"A coleta da castanha na região começa no mês de fevereiro e se estende até julho. Para que realize a atividade, a extrativista Maria Jorge e sua família necessitam de uma autorização, geralmente com duração de três meses, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Além do Alto Parú, a coleta é realizada também nas localidades do Assendino, Jabuti, Amapá, Mutum, Paiol, Juraci, Bananeira, Limão, Cachoeira e Cuamba. Após a colheita, os extrativistas voltam para a cidade para comercializar a produção.

“O valor recebido é destinado ao pagamento de crédito rural, conserto de embarcação, além de realizar tratamento de saúde. Apesar de ser um trabalho duro, cansativo, a gente tem o retorno depois”, explicou Maria Jorge.   

Da região da coleta até a cidade são quatro dias de barco. O grupo saiu de lá no último dia 7 e chegou nesta quarta-feira, 10. A embarcação utilizada pelos coletores suporta mais de 200 sacas de castanha por viagem.

Em Almeirim, a saca é comercializada a R$ 300 reais. A expectativa de Maria Jorge e família é colher até o final de julho mais de 800 sacas de castanha. Toda a produção é vendida para a capital, Belém. 

“Nosso objetivo é mais uma vez solicitar crédito rural pela Emater, para estruturar ainda mais nossa atividade. É um parceiro que sempre está disponível. Apesar de todas as dificuldades, quero continuar com a atividade, dar seguimento. A castanha sempre foi o ‘ganha pão’ da minha família e vai continuar sendo até quando Deus quiser”, finaliza a extrativista.

PARCERIA

Uma parceria entre Emater e a Fundação Jari visa a estruturar o processo de inovações tecnológicas e estratégias de mercado para a castanha-do-Pará, considerado um dos principais produtos florestais não madeireiros de exportação brasileiros. O plano abrange a produção, distribuição e beneficiamento, à comercialização do produto ao consumidor final.

Uma das etapas, que já está sendo planejada, é a plantação, nos próximos três anos, de dois mil hectares de castanheiras em cinco municípios da região do Baixo Amazonas: Alenquer, Óbidos, Oriximiná e Santarém e na região conhecida como Vale do Rio Jari, que abrange o município de Almeirim e os amapaenses de Laranjal do Jari, Mazagão e Vitória do Jari.

Segundo Elinaldo Silva, a parceria para o plano de inovação da cadeia de suprimento está voltada para o desenvolvimento e implantação de tecnologias e reúne um conjunto de esforços com a extensão rural, pesquisa e iniciativa privada entre três instituições que já têm um histórico de parcerias.

“A Emater é pioneira em levar políticas públicas, incentivos ao crédito rural e organização das associações para os extrativistas da região. Nosso papel neste processo de expansão da cultura da castanha é decisivo para buscarmos a nossa meta que é de plantar 500 hectares de castanha-do-Pará”, explicou Elinaldo Silva.