Estado trabalha para ampliar assistência educacional a surdos

Cerca de 300 salas de recursos estão em funcionamento dentro de escolas e preparadas para atender esse público tão específico da forma mais adequada

26/09/2020 11h52 - Atualizada em 26/09/2020 13h29
Por Carol Menezes (SECOM)

A escolha do 26 de setembro como Dia Nacional do Surdo é uma homenagem à criação da primeira Escola de Surdos do Brasil, em 1857, no Rio de Janeiro, que atualmente é conhecida como Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines). Uma das principais conquistas da pessoa com deficiência auditiva ao longo dos anos foi o reconhecimento nacional da Língua Brasileira de Sinais (Libras) pela lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, e do Decreto nº 5.626/2005. Além do Centro de Capacitação de Profissionais da Educação e de Atendimento às Pessoas com Surdez (CAS) e da Unidade de Ensino Especializado “Professor Astério de Campos”, unidades de referência localizadas em Belém, por todo o Pará há cerca de 300 salas de recursos em funcionamento dentro das escolas e preparadas para atender esse público tão específico da forma mais adequada.

O mês de celebração do Dia dos Surdos é conhecido como “Setembro Azul”, em que se comemora também o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência e o Dia do Atleta Paralímpico.

Segundo Felipe Linhares, que é coordenador de Educação Especial da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), nos dois espaços referenciados localizados na capital, a única exigência para a frequência é a matrícula na rede estadual de ensino. Então, na prática, o aluno estuda normalmente, por exemplo, de manhã, e à tarde frequenta um dos dois, ou se no interior, a sala de recursos.

"A proposta pedagógica visa complementar as habilidades e competências do que é pré-requisito para o aprendizado escolar. Para o surdo, a primeira língua é Libras, e a segunda é o português na modalidade escrita. Então, é oferecido o aprimoramento de ambos, para que o aluno possa acompanhar o professor e também acompanhar o intérprete na comunicação em sala de aula" - Felipe Linhares, coordenador de Educação Especial da Seduc.

Felipe Linhares, coordenador Coees, ressalta que para o atendimento a única exigência é a matrícula na rede estadual de ensinoEsse atendimento é ofertado para jovens e adultos na escolaridade compreendida entre o 1º e o 5º ano do Ensino Fundamental, e, além de formar intérpretes, também atende os familiares do estudante surdo ou deficiente auditivo.

É o caso da estudante Carla Perez, que há um ano frequenta o CAS na companhia da mãe, Michelle Cardoso. "Estar aqui me ajuda muito, porque consigo conversar, me comunicar, com surdos e ouvintes", garante a jovem. "Hoje a gente se entende muito melhor. Eu tinha que estar aqui, porque é uma variedade de sinais que a gente precisa entender, e não tem outra forma, eu precisava aprender Libras para conversar com ela, entender o que ela passa", confirma a genitora.

A estudante Carla Perez frequenta o CAS na companhia da mãe, Michelle CardosoFelipe relata que um programa do Governo Federal criou, na verdade, 600 salas de recursos em todo o Estado, porém só a metade está em atividade, e o governo vem trabalhando para reativar as demais, bem como promover melhorias nas que já estão abertas.

"Nesses espaços, diferente do CAS e do Astério de Campos, estudantes com outras deficiências também são atendidos. Nela, há dominós táteis, lupas para quem tem baixa visão, computadores, jogos pedagógicos em geral, algumas possuem impressora para braile. Só entre surdos e deficientes auditivos, há cerca de mil matriculados em todo o Pará", explica Felipe. 

O atendimento presencial às pessoas com deficiência foi interrompido por conta da pandemia do novo coronavírus ainda em março, mas deve ser retomado a partir do mês que vem de forma gradativa e escalonada, priorizando o ensino médio. De maneira remota, esses estudantes seguem recebendo material e são acompanhados pelos educadores. Lembrando que essa segunda matrícula é altamente recomendada, mas não é obrigatória, cabendo a decisão à família.

Professora Rosa Maria Rodrigues Diniz fala sobre trabalhar com alunos surdos: "é um prazer", descreveProfessora do CAS, Rosa Maria Diniz confirma que todo estímulo para que sejam formados novos intérpretes é válido e necessário. "Não é dificuldade lidar com esses alunos, muito pelo contrário, é um prazer. Mas a gente entende que para quem acabou de chegar há dificuldades, ainda mais quando o surdo no meio dos ouvintes precisa do intérprete para que haja comunicação. A melhor forma de garantir isso é fazer o curso e ser um agente multiplicador", estimula a docente.

Centro de Capacitação

Em 2020, o CAS conta com 330 pessoas matriculadas, sendo 40 alunos surdos, 25 familiares de surdos, 18 alunos da comunidade em geral e 247 professores. Introdução à Informática para surdos, construção de saberes matemáticos através do artesanato, Língua Portuguesa como segunda língua para alunos surdos, letramento do Português e Matemática para jovens e adultos, atendimento aos familiares de surdos do CAS, curso de formação de tradutor/intérprete de Libras, curso básico de Libras Nível I, II e III, curso básico de Libras para familiares de surdos e curso de formação continuada para professores são as opções oferecidas.

Já a unidade "Astério de Campos", prestes a completar 60 anos de atividade, tem 92 matriculados. Oferece ensino fundamental de 1º ao 5º ano, educação de jovens e adultos I e II etapas, atendimento educacional especializado no contraturno e um cursinho pré-vestibular inclusivo, além de funcionar nos três turnos.

Um convênio com a Seduc oferece também o atendimento pelo Instituto Filippo Smaldone, que atende alunos matriculados na estimulação essencial (0 a 2 anos), Educação Infantil (3 a 5 anos), no Ensino Fundamental (6 a 9-11 anos) e Atendimento Educacional Especializado que abrange Atendimento Individual, Implante Coclear e Programa de Inclusão do 6ª ao 2ª ano do Ensino médio. Atende também crianças que não são surdas, com intuito de oferecer uma educação de qualidade a todos os acolhidos.