Governador propõe agenda de serviços ambientais para monetizar a floresta em pé

Na abertura do 21º Fórum de Governadores da Amazônia Legal, ele disse que não se faz preservação sem fiscalização e presença do poder público

22/09/2020 12h48 - Atualizada em 22/09/2020 16h01
Por Leonardo Nunes (SECOM)

Governador Helder Barbalho defende plano transversal para monetizar a floresta em pé, com a participação dos governos e da sociedadeO governador Helder Barbalho afirmou,  nesta terça-feira (22), que os governadores que fazem parte do bioma amazônico estão conscientes sobre a responsabilidade de preservação da Amazônia. Helder afirmou que não se faz preservação sem fiscalização e maior presença do poder público. O posicionamento do governador paraense foi apresentado durante a abertura do 21º Fórum de Governadores da Amazônia Legal.

“Temos absoluta consciência de nossas responsabilidades com o equilíbrio do clima, com o Brasil e com o mundo, mas, acima de tudo, temos a consciência do que isso representa para nós que moramos aqui. Não acho que seja correto qualquer decisão tomada por nós, governadores, seja para dar satisfação no campo externo. Devemos fazer para o nosso bem estar e da população, porque aqui vivemos e somos os primeiros a sofrer as consequências, sejam positivas ou negativas”, ponderou.

Helder Barbalho voltou a defender um plano transversal para defesa e preservação da Amazônia com participação das diferentes instâncias do poder público e iniciativa privada. O governador acredita que, além das ações repressivas de fiscalização, é necessário o poder público dar condições favoráveis para os interessados em produzir com sustentabilidade. Helder afirmou que a iniciativa privada nacional tem papel estratégico em auxiliar no pagamento de serviços ambientais.

“É o momento de construirmos uma agenda efetiva dos serviços ambientais para a monetização da floresta em pé. Brasil e o mundo ainda não chegaram em um entendimento na COP-25 (Conferência do Clima da ONU), a respeito desta agenda, porém ao momento que o PIB nacional e os grandes players se dispõem a participar desta agenda, poderemos ser capazes de iniciar um processo nacional de compensação e monetização da floresta em pé”, avalia.

Helder Barbalho disse ainda ser necessário o país transformar a preservação da floresta em um ativo econômico na região amazônica.

“Isso tem que entrar no portfólio econômico. Não é só gado ou grão que vale como recurso para o produtor rural. A floresta em pé também tem que entrar nesta perspectiva de renda. Isto é determinante para facilitar na mudança cultural dos produtões rurais”, ponderou.

Mudança de comportamento

Na oportunidade, Helder Barbalho também defendeu a necessidade do avanço em políticas públicas já debatidas pelos Estados com a União para qualificar produtores amazônicos, com técnicas modernas e sustentáveis e que ampliem a produção sem prejudicar o meio ambiente.

“O título de terra é fundamental para veicular a terra para determinada propriedade e cobrar deste a preservação ambiental. É muito importante que a Embrapa possa estar mais presente na Amazônia para a assistência técnica. Eu tenho insistido nisto para que se inverta a lógica da pecuária ou ações e intervenções extensivas e se tornem intensivas. Para que se mostre que é possível produzir mais sem avançar sobre a floresta”, pontuou.

Queda de 63% desmatamento 

Durante o Fórum, Helder Barbalho apresentou aos participantes um levantamento que aponta a redução de 63% no índice de desmatamento em territórios sobre gestão estadual no último mês de agosto, em comparação com o mesmo período do ano passado.

“Uma informação importante que demonstra o trabalho feito pela nossa Secretaria de Meio Ambiente em parceria com as polícias Civil e Militar”, respaldou.


21º Fórum de Governadores da Amazônia Legal

O governador do Amapá e presidente do Consórcio Amazônia Legal, Waldez Góes, explica que por conta da pandemia de Covid-19, a edição deste ano do Fórum de Governadores será virtual e realizada utilizando estrutura tecnológica do Conecta Sebrare - Agrolab Amazônia, que é gratuito e aberto ao público. Pode ser acessado pelo link: agrolabamazonia.com.

“A última edição presencial do Fórum realizamos em Belém, onde importantes debates e avanços em políticas públicas para a Amazônia foram realizados. Neste ano, por conta do coronavírus, teremos essa edição virtual tendo o Sebrae como parceiro para realizamos, virtualmente, debates e reuniões temáticas até o fechamento do evento que será realizado no próximo dia 29”, explicou.

Participantes

Além de Helder Barbalho e Waldez Góes, também participaram do evento os governadores Flávio Dino (Maranhão), Antonio Denarium (Roraima), Wilson Lima (Amazonas), Mauro Mendes (Mato Grosso), os vice-governadores Wanderlei Barbosa Castro (Tocantins) e Zé Jodan (Rondônia). Também participaram técnicos, especialistas e membros da sociedade civil organizada.

Amazônia Legal

A Amazônia Legal é uma área formada por nove Estados e abrange toda a região Norte, além de partes do Centro-Oeste e do Nordeste. São 5 milhões de quilômetros quadrados, ou 59% de todo o território nacional.