Priorizar mão de obra local é uma das diretrizes da construção das Usinas da Paz

Nos locais onde as obras já estão em andamento, moradores das proximidades conseguem voltar ao mercado de trabalho

17/09/2020 19h36 - Atualizada em 17/09/2020 21h11
Por Carol Menezes (SECOM)

Ao utilizar mão de obra local, as UsiPaz já têm reflexos positivos nas comunidades onde estão sendo construídasAs Usinas da Paz – espaços de desenvolvimento de políticas públicas voltadas à cidadania e ao combate à violência - ainda não estão concluídas, mas já fazem a diferença na vida de pessoas que moram nas áreas onde estão sendo instaladas. Um desses reflexos positivos é a geração de emprego, essencial em um momento de enorme retração do mercado em função, principalmente, da pandemia de Covid-19.

Eder Carlos Lopes, que estava há dois anos sem emprego formal, agora reside e trabalha na CabanagemPara Eder Carlos Lopes, que mora há 22 anos no bairro da Cabanagem, em Belém, o início das obras da Usina da Paz no local significa o fim de dois anos sem emprego formal. Na obra, ele conseguiu uma vaga de servente. O mesmo ocorreu com o vizinho de Eder, José Márcio Lima, que atua no setor de ferragens, e já voltou a trabalhar.

Essas e outras contratações semelhantes atendem a um pedido feito pelo Governo do Pará às empresas Vale e Hydro, responsáveis pelas construções dos dez complexos em Belém e municípios do interior: priorizar a contratação de mão de obra local, visando à imediata geração de emprego e renda nas localidades.

Para esses trabalhadores, a satisfação de ter um salário garantido – e consequentemente o sustento da família -, se junta ao orgulho de fazer parte de um projeto que vai mudar o cenário dos bairros e das cidades contemplados pelo projeto. "Imagina mostrar para os filhos, para os netos, dizer que tem mão minha aqui nisso depois que estiver pronto", diz José Márcio, que divide uma casa com mais sete familiares. Um vizinho o avisou que as inscrições para as vagas de emprego estavam sendo feitas na Escola Estadual José Valente, e dois dias depois de inscrito ele recebeu a convocação.José Márcio Lima, que atua no setor de ferragens da UsiPaz da Cabanagem, aproveitou a oportunidade oferecida pela obra

"Estava há dois meses sem emprego e preocupado com a pandemia, de não ter onde trabalhar. Essa obra aqui já está sendo boa para muita gente que estava na mesma situação que eu, e vai ser melhor ainda depois, porque aqui no bairro não tem uma piscina, uma quadra, nada", acrescenta José Márcio.

Preferência - O coronel Marcos Lopes, diretor das Usinas da Paz, informa que na primeira etapa das obras foram contratados 19 trabalhadores no bairro Nova União, em Marituba; 26 na Cabanagem; 26 no Icuí, em Ananindeua, e 14 em Parauapebas (na região sudeste). "Houve preferência de contratação da mão de obra local, observando as necessidades das empresas construtoras contratadas. Na segunda etapa de obra, que será iniciada em outubro, continuará a preferência absoluta de contratação dos trabalhadores locais”, garante o diretor. As Usinas da Paz materializam as ações de segurança e cidadania do Programa Territórios pela Paz

Mesmo morando na Cabanagem há mais de duas décadas, Eder Carlos nunca havia trabalhado próximo de casa. Há cinco meses ele participou de uma seleção, e no mesmo mês foi chamado. "É gratificante saber que estou ajudando a fazer algo que, no futuro, meus dois filhos vão usar, e que outras pessoas do bairro vão aproveitar, crianças, mães, pais", ressalta. 

Perspectivas - Geovani Silva trabalha na obra da UsiPaz de Parauapebas, e reside no bairro onde o complexo está sendo construído. "O sentimento é de alegria. Esse bairro eu conheço desde que me entendo por gente, e sei da realidade dos nossos jovens. Vai ajudar a população toda. Conhecendo o projeto e sabendo como vai ser, fico feliz de estar aqui desde o começo, e minha meta é estar aqui na inauguração, e quem sabe trabalhar no espaço depois da inaugurado", diz ele.

A engenheira civil Ana Paula da Silva informa que moradores do entorno já representam 40% dos trabalhadores da UsiPaz da CabanagemA engenheira civil Ana Paula da Silva, fiscal da UsiPaz Cabanagem, informa que moradores do entorno já representam 40% dos trabalhadores da obra. "A gente vê o empenho no dia a dia, o sentimento de pertencimento a um empreendimento que vai trazer muita melhoria. Fizemos questão de colocar uma foto da maquete eletrônica que mostra como a Usina vai ficar depois de pronta, e eles ficam maravilhados, motivados. Na próxima etapa da obra nós iremos novamente abrir chamada a esses moradores, a pedido do governo do Estado", anuncia.

Prevenção e inclusão – As Usinas da Paz são consideradas a materialização das ações do Programa Territórios pela Paz (TerPaz), que vêm sendo realizadas há mais de um ano em sete bairros da Região Metropolitana de Belém (RMB). Das dez Usinas da Paz projetadas, seis estão em andamento, com previsão de entrega de quatro unidades em maio de 2021. Cada complexo será voltado principalmente para a prevenção à violência, inclusão social e o fortalecimento comunitário, com três eixos fundamentais: assistência, esporte/lazer e cultura.O projeto é custeado pelas empresas Vale e Hydro, por meio de parceria firmada com o Governo do Pará

As Usinas serão instaladas em Belém, nos bairros do Guamá, Jurunas, Terra Firme, Cabanagem e Benguí; em Ananindeua, no bairro do Icuí; em Marituba, entre os bairros Nova União e São Francisco, e nos municípios de Parauapebas, Marabá e Canaã dos Carajás. Não há investimentos financeiros por parte do Estado, visto que todo o projeto é custeado pela iniciativa privada, por meio de parceria firmada com o Executivo. As empresas Vale, com aporte de R$ 102 milhões, e Hydro, com R$ 60 milhões, são as responsáveis pelas obras. À Vale coube a construção das unidades da Cabanagem e do Benguí, e das localizadas nos demais municípios, enquanto a Hydro construirá as UsiPaz do Jurunas, Guamá e Terra Firme.As obras estão em andamento em seis bairros e cidades contemplados